<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356</id><updated>2012-01-26T12:17:08.033-08:00</updated><category term='starbuck'/><category term='animais'/><category term='sexo'/><category term='democracia'/><category term='religião'/><category term='brincadeira'/><category term='tragédias'/><category term='atendimento'/><category term='produtos'/><category term='relacionamento'/><category term='jornalismo'/><category term='linguística'/><category term='polícia'/><category term='compulsão'/><category term='ateísmo'/><category term='mídia'/><category term='compaixão'/><category term='debate'/><category term='academia'/><category 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term='opinião'/><category term='tempestade'/><category term='esporte'/><category term='liberdade'/><title type='text'>Sorriso interior</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>123</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3745806731404087712</id><published>2012-01-20T12:50:00.000-08:00</published><updated>2012-01-20T13:34:47.177-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estupidez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='informação'/><title type='text'>O que é informação?</title><content type='html'>Deve haver um volume da antiga coleção Primeiros Passos (muito boa, por sinal)com esse título. Se há, eu não li, e lerei quando tiver acesso, pela curiosidade em relação ao assunto. Disso o leitor pode depreender, de imediato, que sou um leigo abordando uma questão da qual pouco sei. Mas considero minhas dúvidas pertinentes.&lt;br /&gt;Lamento por meus amigos jornalistas, pessoas sérias e competentes, que não merecem ler isto, mas a pauta jornalística com que me deparo diariamente parece fictícia. Durante muito tempo, entre as décadas de 80 e 90, circulou a fantasiosa noção de que qualquer criança pequena dos tempos atuais estaria lidando com uma gama muito mais ampla e complexa de informações que os adultos do passado. Sempre achei isso um exagero, mas é incrível como a maioria das pessoas creem piamente que seus filhos são mais brilhantes porque sabem lidar melhor com novas tecnologias e coisas que os circundam. Não é que eu tenha dúvidas a esse respeito: eu tenho certeza de que isso é bobagem. Essa certeza vem da experiência de longos anos ministrando aulas para meninos e meninas na Prefeitura de São Paulo. &lt;br /&gt;Fato: há mais mídia, e maior presença da mídia. Você senta num restaurante, e a TV está ligada. Você anda nas ruas, e elas estão repletas de pessoas com fones de ouvido e celulares. Você liga o computador, e ele tem quase infinitas possibilidades para seu entretenimento ou para sua atualização. Você tem mais opções de mídia em casa, fora de casa, no caminho de casa...&lt;br /&gt;Além disso, é perceptível que a mídia torna determinadas questões importantes, em detrimento de outras. E que isso passa a ser não uma questão de escolha dos indivíduos, mas uma questão de possibilidade social de interação. As pessoas sabem que se não assistem determinados programas, se não repetem determinados chavões e se não embarcam em determinadas ondas, não conseguem se comunicar. &lt;br /&gt;É nesse ponto que entra o questionamento que venho me fazendo: como fica a informação nesse contexto? Digamos que um coelhinho atravesse um vagão de metrô na Tailândia, e isso se torne um hit no YouTube ou seja um quadro do Fantástico. Isso é informação? Isso é relevante? Eu quero falar disso com meus amigos? Provavelmente não. Não é informação porque não acrescenta nada em termos de conhecimento, e nem é realmente útil para o que faço. Não é relevante porque não se relaciona a nenhum dos valores sobre os quais é pertinente refletir sempre. Não quero falar disso com as pessoas porque valorizo o tempo que tenho em suas companhias, e quero compartilhar o que tiver de melhor, e não isso. Mas, em determinado momento, você conversa com as pessoas, e elas falam desse vídeo de coelhinho. E esperam que você se posicione em relação a isso, que compartilhe dessa experiência, que pelo menos saiba algo a respeito para poder sustentar a conversação. E você não sabe. &lt;br /&gt;Quando você se dá conta de que vai ficar isolado se não estiver "por dentro" dessas falsas informações, você começa a tentar conhecê-las. Se você possuir uma monstruosa inteligência emocional, conseguirá articulá-las como itens de comunicação interpessoal, na mesma categoria do "bom dia" ou "vai chover hoje". Mas se você afrouxar a vigilância interior, logo vai concordar com o festival de afirmações cretinas, disparatadas e sem noção que o rodeia. E lá se vão as pessoas repetindo coisas como "o problema do Brasil são os marajás", "o bug do milênio destruirá tudo", "funcionário público é tudo vagabundo" e coisas do gênero. Afirmações que cinco minutos de raciocínio simples, ou dez minutos de leitura de informação de verdade, destruiriam sem deixar vestígios.&lt;br /&gt;Não, amigos, nada disso é informação. Isso é distração, entretenimento travestido de informação.&lt;br /&gt;E é muito duro  ficar sozinho no meio de tudo isso. Mas o dia chega. E quando ele chega, você não consegue mais achar que é preciso saber das últimas fofocas da rabuda da vez, ou da última porcaria sem letra nem melodia que "todo mundo está ouvindo". Você quer falar de bandas com músicas sensíveis e trabalhadas, mas as pessoas não conhecem, e - pior - têm medo de que conhecer e gostar delas torne-se fator de isolamento. Você quer falar de livros, mas as pessoas não leem nada, e evitam aquilo que pode ser relevante e, consequentemente, polêmico. Você quer falar de religião, política, futebol, mas as pessoas não querem lidar com discordâncias. Você quer contar histórias, mas ninguém está disposto a ouvir mais do que cinco minutos de absolutamente nada. As pessoas têm tanta pressa de preencher seus vazios que acabam esquecendo de conferir se eles realmente foram preenchidos. &lt;br /&gt;A não ser que você considere que se possa chamar de informação a compra de um mamão na feira por uma celebridade, ou declarações completamente estapafúrdias de pseudoespecialistas, eu creio que não estamos sendo bombardeados de informação pela mídia. Nós estamos sendo enganados, e estamos aprendendo a desconfiar dessa enganação. Mas ainda de forma muito tímida, e com alguns retrocessos, como se pode perceber pelas últimas "febres" nas redes sociais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3745806731404087712?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3745806731404087712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3745806731404087712' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3745806731404087712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3745806731404087712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2012/01/o-que-e-informacao.html' title='O que é informação?'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8424931412948378838</id><published>2012-01-14T17:37:00.000-08:00</published><updated>2012-01-14T17:47:50.708-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='debate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brincadeira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>Reciclagem de lixo (a que funciona)</title><content type='html'>O lixo aparece. Feio, sem graça, sem trazer nada de novo, sem acrescentar nada. Era simples: jogar na lata ou na trituradora.&lt;br /&gt;Aí, o espertalhão vem com uma excelente ideia: por que não ganhar dinheiro com esse lixo? Os não-espertalhões argumentam: ora, porque isso é lixo; é feio, não tem graça, não traz nada de novo e não acrescenta nada. O espertalhão preferiria não responder, mas responde: "e daí? O importante é que eu vou ganhar dinheiro!".&lt;br /&gt;E então o lixo, em vez de ir para a lata ou a trituradora, vai para o computador. O computador se esforça: melhora infinitamente a imagem, melhora o som, melhora a narrativa. O lixo fica parecendo produto. Continua feio, sem graça, sem trazer nada de novo e sem acrescentar nada. Mas vira um lixo apresentável.&lt;br /&gt;O problema é que geralmente o lixo tem um dono. E não dá para reciclar o lixo sem reciclar o dono. O computador sabe que, para achar mais lixo, as pessoas procurarão o dono. As pessoas não sabem que, para achar mais lixo, podem procurar milhares de outros donos de lixo, tão competentes em fazer coisas feias, sem graça, sem trazer nada de novo e sem acrescentar nada quanto quaisquer outras.&lt;br /&gt;Mas o computador tem até fórmulas para o dono do lixo: assessoria de imprensa, aulas de etiqueta e um monte de coisas, respostas padrão para jornalistas não encomendados. O computador manda colocar uma roupinha da moda, se é dono, e uns silicones, se é dona. Pronto, o dono já é tão apresentável quanto seu lixo.&lt;br /&gt;Agora é hora de replicar o lixo. Não, não é reciclar: é replicar. É mostrar o lixo na mão de gente sorrindo. É jogar o lixo na mídia. É fazer gente conhecida dizer que o lixo é bom. É associar o lixo a "estar na onda" ou "estar por dentro". É tornar impossível a quem não liga para o lixo de ficar indiferente a ele. Aos que tentarem resistir, replicar, mais e mais. Naturalizar o lixo. Fazer com que o lixo seja um padrão, algo a ser copiado. Parabenizar publicamente o dono do lixo. Pagar puxa-sacos e liberar otários para pedirem mais lixo ao dono do lixo. Convocar intelectuais para afirmarem o direito ao lixo e condenarem como antidemocráticos e atrasados os que chamam o lixo de lixo. Criar uma polêmica sobre a qualidade do lixo, e obrigar os que não gostam do lixo a consumir o lixo para terem autoridade ao criticá-lo. Escrever sobre o lixo, justificando-o, reconhecendo que ele tem aspectos sadios para a cultura, apesar de ser feio, sem graça, sem novidade e sem nada a acrescentar.&lt;br /&gt;E se o dono do lixo concordar em continuar revirando seus estrumes e porcarias para oferecer lixo dentro desse esquema, ele pode se tornar um verdadeiro lixo humano. Uma celebridade, idolatrada, querida. Feia, sem graça, sem trazer nada de novo e sem acrescentar nada a ninguém, mas querida.&lt;br /&gt;Mas pode ser que o dono do lixo julgue ter direitos. Ou o direito de criar mais lixo sem recurso ao computador, ou o direito de não fazer mais lixo. Então, está na hora de procurar outro lixo para reciclar. De pegar o dono do lixo e jogar na lata ou na trituradora. De jogá-lo fora e ainda continuar lucrando com o lixo dele. Porque o espertalhão não curte lixo. Ele vende lixo para poder comprar o que não é lixo. Ele pode se desfazer do dono do lixo, porque o espertalhão é dono de algo maior: da estrutura toda da reciclagem. Então, não é preciso nem muito esforço. Basta ele parar o processo, e dono do lixo não é mais apresentável. As pessoas não procurarão mais o dono do lixo, porque os jornalistas não farão mais perguntas, os puxa-sacos não aparecerão mais, não haverá mais orientação para nada. Mas o lixo continuará apresentável e apresentado, gerando dinheiro. Feio, sem graça, sem trazer nada de novo e sem acrescentar nada, mas gerando dinheiro.&lt;br /&gt;E quando o lixo gastar (porque a embalagem feita pelo computador é rapidamente degradável), não tem problema. O espertalhão sabe que lixo é fácil de achar, daqui a pouco aparece mais.&lt;br /&gt;E aparece o lixo. E começa tudo de novo. Por isso é que se chama reciclagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8424931412948378838?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8424931412948378838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8424931412948378838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8424931412948378838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8424931412948378838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2012/01/reciclagem-de-lixo-que-funciona.html' title='Reciclagem de lixo (a que funciona)'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2532929411918004562</id><published>2011-12-25T09:22:00.000-08:00</published><updated>2011-12-25T11:39:56.836-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><title type='text'>Por que os bichinhos me comovem?</title><content type='html'>Meus amigos e meus inimigos têm uma senha para me ganhar, dominar ou expor. Eles sabem que sou muuuuuito emotivo. E que choro fácil, fácil.&lt;br /&gt;Isso desde criança, e não exatamente porque seja um menino mimado (pelo menos não tanto quanto outros que tenho conhecido ultimamente), mas porque talvez esse seja um daqueles traços que são da pessoa, que vêm com a história de vida e as disposições de espírito de cada um, e que não podem, mesmo com toda a terapia do mundo, ser apagados sem prejuízo da integridade.&lt;br /&gt;O mais interessante - e talvez mais perigoso - dessa emotividade é que ela se associa a coisas curiosas, inusitadas e incomuns. O megaexemplo seria minha paixão pelos bichinhos: cães, gatos, coelhos, lagartixas, tigres, sapos, formigas etc. Observar os animais, para mim, é de certa forma ser absorvido por seus dramas de existência, suas lutas, suas dores, suas sortes e azares. E - perdoem-me a afirmação provavelmente exagerada - sinto-me mais humano vivenciando essa experiência do que me sentiria em certas situações cotidianas entre humanos. Talvez porque os animais são o que são, sempre; e os humanos esforçam-se, muitas vezes, em ser alguma coisa que não são, e não chegarão de fato a ser. &lt;br /&gt;Eu não posso ver filmes como "Marley e eu". Eles me fazem chorar, eu fico automaticamente apaixonado pela personagem principal. Não precisam nem ser grandes filmes, como de fato esse não é, mas basta que tenham a sensibilidade de mostrar a natureza sem disfarces nem meias verdades dos bichos para que eu me entregue por inteiro. Esses dias o filme passou de novo. Consegui ver até as cenas em que ele começa a envelhecer. Depois, fui fazer outra coisa, porque sabia que desabaria no final.&lt;br /&gt;A série "No reino dos Suricatos" é outro exemplo. Como me comove! Como torço por aqueles animaizinhos simpáticos, gregários e expostos à toda aridez e inospitalidade do deserto! Certos episódios são mesmo impossíveis de ver, para mim, sem chorar, ou pelo menos ficar perto de derrubar algumas lágrimas. &lt;br /&gt;Um amigo meu de profissão me disse que uma das melhores sensações de sua vida era observar, por horas e horas, caracóis, formigas, caramujos percorrendo o campo aberto das terras do interior. Isso é realmente uma experiência única. Só consegui fazer isso na infância, mas reconheço-me inteiramente nesse prazer que ele me descreveu.&lt;br /&gt;E eu poderia ficar aqui enumerando muitas outras situações, com gatos abandonados, cachorros de rua, pombos e pássaros caídos, e outros. Há algo em mim que se mobiliza em prol dessas criaturas.&lt;br /&gt;Evidentemente, amo os seres humanos também, tanto que mergulho na cultura historicamente produzida como quem salta em uma piscina de mel. A questão é que, por alguma razão que não sei dizer, os bichinhos muitas vezes parecem mais indefesos diante do mundo, e ao mesmo tempo mais fortes e resilientes em sua batalha pela continuidade da espécie. Enfim, é inútil explicar.&lt;br /&gt;Como todas as coisas da minha vida, essa facilidade de comoção está eivada de contradições. Perguntariam, com razão, vários de meus amigos: mas, se você compreende a dignidade e a integridade dos animais, por que não se torna vegano, ou vegetariano? Olha... eu tentei. Não consegui. Mas não descarto tentar de novo. Na verdade, tenho enorme admiração pela minha prima Estela e meu amigo Cesar, que levam esses princípios muito a sério em suas vidas. Talvez eu precise de mais tempo; talvez seja esse um dos meus desafios a vencer. Evidentemente, se minha saúde ficasse comprometida, ou se houvesse necessidade de consumo, para alguma carência do organismo, de elementos de origem animal, eu os consumiria, mas evitando ao máximo ampliar essa necessidade ao ponto de transformar em hábitos descuidados. &lt;br /&gt;Mas essa é uma outra questão. O que quero deixar claro nesta postagem é que meu coração é dos cães, gatos e suricatos, mesmo quando não os compreendo ou tenho medo de suas reações. Ou posso até dizer: justamente porque eles guardam certo mistério da vida, que é divino em sua manifestação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2532929411918004562?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2532929411918004562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2532929411918004562' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2532929411918004562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2532929411918004562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/12/por-que-os-bichinhos-me-comovem.html' title='Por que os bichinhos me comovem?'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2537495256817483040</id><published>2011-11-16T20:15:00.001-08:00</published><updated>2011-11-16T20:16:32.241-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Deus</title><content type='html'>Se você colocasse uma câmera em um lugar qualquer do mundo não imediatamente acessível ao ser humano, provavelmente conseguiria filmar algum tipo de vida formando-se e protegendo-se em grupos e sistemas. Que tipo de vida seria esse? Poderiam ser criaturas como pequenos insetos, peixes circulando em cardumes, plantas parasitando outras plantas, mamíferos em semivigília para antecipar o ataque dos predadores. Seja qual for o formato desse ser, seja qual for a enformação dessa vida, o fato é que ela estará, sempre, fragilmente, equilibrando-se sobre uma corda bamba. Para esses notáveis batalhadores, conviver com a iminência do desaparecimento, da morte, da destruição, é parte de uma experiência evolutiva instintiva da qual, mesmo não tendo consciência, eles são os legítimos atualizadores e mantenedores em sua singularidade individual. &lt;br /&gt;Quando um bando de roedores atravessa desavisadamente um caminho cheio de sinuosidades e esconderijos, onde uma serpente silenciosa posiciona-se para obter sua presa do dia, não há garantias, nem seguros, nem leis, nem justiça, nem nada. Daqueles vinte ou trinta que passarão, um ficará, e não é possível dizer qual seja. Aos outros, restará a fuga, a reorganização do grupo, a triste percepção da perda de um membro, e a continuidade da jornada. E a inteligência do instinto, a avisar: deve-se estar atento, pois é preciso que continuemos no mundo.&lt;br /&gt;Por que aquele, e não outro? Por que x e y sobrevivem a uma inundação, e não a ou b? Por que, das tantas moscas que sobrevoam os restos nos matagais, justamente aquelas tinham de enredar numa teia de aranha, e outras prosseguiriam com sua rotina de alimentação e reprodução? Não sei se é possível responder a essas especulações, e talvez elas nem façam realmente sentido, uma vez que procuram encontrar padrões numa realidade ainda não suficientemente desvendada. O que considero, na verdade, mais intrigante nisso tudo é que, embora tenhamos muitas vezes a convicção de que, pelo menos no espaço de tempo em que realizamos nossas atividades cotidianas, nosso lugar no universo está garantido, estamos, provavelmente, na mesma situação dos roedores do parágrafo anterior. Vivemos num mundo em que, caminhando por dentre multidões, ou fechados em fantasias de segurança, somos absolutamente vulneráveis. Menos que as moscas, que os coelhos, que a plantas? Talvez. Mas quando um atirador anônimo invade um espaço em que você está, num momento de delírio psicótico, caberá uma mesma indagação aplicável ao reino animal: por que fiquei, e outro se foi? Por que alguns são pegos de surpresa por coisas tão absurdas quanto uma bala perdida ou uma queda aparentemente trivial, enquanto outros escapam de guerras sanguinárias e condições completamente desfavoráveis? &lt;br /&gt;Creio que somos animais, antes de tudo, e que tenhamos essa bela e sábia condição de seguir em frente, sobrevivendo, dando continuidade à espécie. Mas nossa relativa segurança física para o prosseguimento da experiência da vida, construída pelo engenho de inúmeras gerações de nossos antepassados, talvez tenha nos dado uma percepção arrogante do mundo, camuflando a irmandade que temos com todos os seres subsistentes que nos rodeiam, que é baseada, justamente, na quase insignificância perante o todo, aliada à extrema singularidade de permanecer uno e respirando apesar de todas as possibilidades em contrário. É um milagre estar aqui blogando e dividindo a sensação da própria finitude com outros da mesma espécie, num planeta tão rico de vidas e experiências do existir. Se somos animais antes de tudo, somos homens, acima de tudo, e espíritos, em meio a tudo, e expressões de uma inteligência superior, a despeito de tudo.&lt;br /&gt;Nisso se fundamenta meu amor por Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2537495256817483040?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2537495256817483040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2537495256817483040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2537495256817483040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2537495256817483040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/11/deus.html' title='Deus'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-6974479551188248376</id><published>2011-11-05T21:32:00.000-07:00</published><updated>2011-11-05T21:36:13.581-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='USP'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='polícia'/><title type='text'>Pontos a esclarecer</title><content type='html'>Esses dias, indignado com a confusão e a loucura que se estabeleceram no prédio da faculdade responsável pela minha formação, desabafei em forma de piada no Facebook. Escrevi que a PM da USP tinha achado o assassino de Salomão Hayala (o vilão da novela das 11), com a intenção de dizer que tinha cometido exagero na atuação contra os estudantes pegos com maconha. Não sei se houve ou não exagero na abordagem, mas tenho certeza de que houve na condução. &lt;br /&gt;Enfim, isso pouco importa. O que importa é que alguns leram a piada que fiz, que evidentemente implicava a incorporação de uma voz social conservadora atacando os uspianos, sem compreender a ironia das palavras, ou seja, o fato de que eu me solidarizava com os estudantes. Esse mal entendido gerou desconforto para mim, e tive de tirar a piada do ar, porque os comentários levavam a crer que eu tinha dito uma outra coisa. &lt;br /&gt;Em função disso, quero esclarecer alguns pontos do meu pensamento, para que nada fique por interpretar, e as pessoas tenham clareza de algumas posições.&lt;br /&gt;Primeiro, não sou a favor nem contra a PM no campus da USP. Não tenho nada, a princípio, contra a PM (talvez contra alguns PMs, mas que não creio representarem a insituição como um todo). Só que ainda não me convenci da efetiva necessidade dela, se por tantos anos tivemos uma guarda universitária que, bem ou mal, dava conta do recado. Não era mais simples equipar, preparar e reorganizar a guarda universitária? Mas, enfim, não é, no meu caso, nem questão de rancor, nem de medo, nem de nada. Apenas de entendimento.&lt;br /&gt;Segundo, sou a favor da descriminalização do uso da maconha. Se o policial, na USP ou em qualquer outro lugar, ficar preocupado em prender quem está fumando um baseado, não tem polícia para tanta gente. E acredito que um sujeito enchendo a cara num barzinho e depois saindo com seu carro na madrugada é muito mais pernicioso que alguém que fuma maconha. A polícia precisa se focar em coisas mais importantes e perigosas para a sociedade.&lt;br /&gt;Terceiro, não julgo o caráter das pessoas pelo uso ou não uso de nenhum tipo de droga, ou remédio, ou estimulante. Há canalhas abstêmios e pessoas indescritivelmente lindas que fumam, ou bebem, ou cheiram, ou injetam anabolizantes, ou abusam de remédios. O verdadeiro problema é o tráfico de drogas, não o usuário. &lt;br /&gt;Quarto, acredito que as pessoas acabam criando, pelos padrões de comportamento socialmente observáveis dos estudantes, um estereótipo geral de quem frequenta cada faculdade. O perfil da FFLCH, para a maioria das pessoas, é de um frequentador mais desencanado, questionador, e zeloso da liberdade individual. O do Mackenzie, será outro, o da PUC, outro; e, mesmo dentro da USP, o da Medicina ou do Direito, outro e outro. Quando aconteceram as confusões dentro do campus, vi, li e ouvi pessoas querendo preconceituosamente desqualificar, com base em interpretações pobres e distorcidas derivadas desses estereótipos, tanto o aluno da FFLCH quanto o da USP como um todo. Não acho que podemos coadunar com esse tipo de pensamento. Não somos "vagabundos maconheiros", como algumas pessoas deixaram entender. Somos estudantes. Trabalhamos, lutamos por ideais, produzimos conhecimento, atuamos em vários setores da sociedade. E se alguns ou muitos de nós fumam maconha, não creio que a porcentagem seria diferente se pegássemos festas de elite nos bairros chiques de São Paulo ou pancadões na periferia, ou escolas de luxo e caríssimas e escolas públicas, como parâmetros de comparação. Fuma-se tanto na USP quanto em qualquer outra instituição de ensino, ou de qualquer outra coisa, no Brasil. Se a droga é um problema, é um problema da sociedade como um todo e não de uma suposta impertinência de um grupo social específico.&lt;br /&gt;Quinta e última coisa, só para que fique claro o lugar de onde falo, e não porque eu sinta necessidade de me defender da hipocrisia alheia: eu nunca fumei maconha, eu não bebo, eu nunca utilizei drogas ilícitas. E não acho que seja melhor que ninguém por causa disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-6974479551188248376?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/6974479551188248376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=6974479551188248376' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6974479551188248376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6974479551188248376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/11/pontos-esclarecer.html' title='Pontos a esclarecer'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5004914040382274652</id><published>2011-09-11T11:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T11:02:24.786-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='compras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='povo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>O entregador</title><content type='html'>Dia desses fui com a patroa fazer compras em mercado próximo de casa, mas não tão próximo que possibilitasse trazermos os produtos no braço. Perguntamos, então, a um dos caixas, se havia serviço de entrega; isso definiria o tamanho de nossa compra. O rapaz nos mandou falar com outro empregado, que estava ali perto. Esse era o entregador. Ele garantiu que conseguiria levar os produtos se fizéssemos a compra até as 19h00.&lt;br /&gt;Como bom capricorniano, disciplinado e chatíssimo, fiquei calculando o tempo até que, perto de 15 minutos antes do prazo, encostávamos nosso carrinho em um dos caixas do mercado, para passar as mercadorias. Esse processo demorou um pouco, e, enquanto esperávamos, notei que o entregador me olhava com certa constância, tentando ler algum comportamento ou sacar algum traço que lhe seria importante. Pagos todos os itens, o rapaz sinalizou o funcionário do caixa alguma coisa e me chamou. Disse-me que a entrega implicava acréscimo de 6 reais na compra (disso eu já sabia) e pediu para que eu não pagasse esse dinheiro com a conta no caixa, e sim para ele, depois. Como para mim era exatamente a mesma coisa, aceitei, e na verdade nem estava ligando muito para isso. Estava preocupado com o fato de que iríamos a pé para casa, e as compras, indo de carro, chegariam primeiro.&lt;br /&gt;Foi então que descobri algo que até então não supunha: as compras não iriam de carro. O rapaz colocaria as caixas em um carrinho de entregas, desses que se usam para carregar mercadorias que abastecem o estoque. Ele carregaria as três caixas de coisas que compramos naquele carrinho até chegar em nossa casa. Portanto, caminharíamos juntos até lá. &lt;br /&gt;Confesso que fiquei mais tranquilo de saber que as compras não chegariam primeiro, mas pareceu-me esforço demais para alguém andar sete a oito quarteirões movimentados e de calçadas acidentadas empurrando um carrinho rústico como aquele com tanto peso em cima. Fiquei pensando que, se eu trabalhasse nisso e fizesse vinte entregas por dia, ficaria tão cansado que dormiria umas dez horas seguidas. &lt;br /&gt;No caminho, vim conversando com o rapaz. Descobri muitas coisas. Ele era paraibano, com pouco tempo de São Paulo. Ele ganhava 550 reais por mês para fazer entregas para o mercado, sem direito a vale-transporte nem vale-alimentação. Os seis reais que eu pagaria no caixa ficariam todos para a empresa, pois não importava o número de entregas realizadas para o cômputo do salário final. Ele explicou que, pagando a ele, poderia ter um troco a mais para o transporte e outras necessidades. Disse que era torcedor do Treze, na Paraíba, do Flamengo, no Brasil, e do Corinthians, em São Paulo. Disse-me também muitas outras coisas de que não lembro, pois estava andando mais rápido que o meu normal para acompanhá-lo, e estava um pouco cansado.&lt;br /&gt;Chegamos em casa, e ele levou as caixas até a porta do meu apartamento, enquanto fiquei no térreo, para vigiar o carrinho, que não cabia no elevador. Quando desceu, perguntei se tudo estava entregue, e ele me disse, um tanto desconfiado, que sim, e que minha mulher lhe havia dito que eu pagaria os seis reais na saída. Não fiquei ofendido; sei quanto esse dinheiro era importante para ele.&lt;br /&gt;Dei uma nota dez e não quis troco. Ele saiu contente e agradeceu, desejando-me um bom fim de semana. Mas eu não me senti nada bem. Fiquei pensando no valor das coisas, para mim e para ele. O valor econômico do serviço realizado. O valor moral de pagá-lo "por fora". O valor social de colaborar com alguém que trabalha em condições tão aviltantes. O valor político de conhecer as condições em que um trabalho é realizado, e não apenas o resultado que ele produz em meu benefício. Fiquei pensando em tudo isso, e não cheguei a nenhuma conclusão, mas solidifiquei a certeza de que ainda há muito a se fazer para que se possa promover justiça social de fato no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5004914040382274652?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5004914040382274652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5004914040382274652' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5004914040382274652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5004914040382274652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/09/o-entregador.html' title='O entregador'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-6394298707569014215</id><published>2011-09-09T21:21:00.000-07:00</published><updated>2011-09-09T21:25:15.855-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brasil'/><title type='text'>Meu país</title><content type='html'>Dia 7 de setembro é data em que pessoas de todo o Brasil comemoram ou protestam, projetando e desejando um país melhor. Um anseio dessa ordem é sempre justo e benéfico. Mas não fico contente quando pessoas se utilizam desse anseio como guarda-chuva ideológico para falar mal do Brasil, como se não vivessem aqui ou não tivessem nenhuma relação com a nação e sua cultura.&lt;br /&gt;Li recentemente alguma coisa sobre a Jante Law, conjunto de princípios que regem as relações humanas em países nórdicos europeus - aqueles que são considerados os mais felizes e tranquilos do mundo. Entre as muitas ideias interessantes que considero válidas para qualquer sociedade, tomei como aforismo uma em especial: "Não pense que você é melhor do que nós". Um pouco de bom senso e de atenção a essa constatação quase elementar sobre a natureza humana seria o suficiente para que muitos brasileiros nos poupassem das coisas estúpidas que dizem sobre meu país.&lt;br /&gt;Eu não consigo mais levar a sério quando as pessoas dizem: no Brasil, nada funciona; os americanos é que são isso; os japoneses ou alemães ou italianos é que são aquilo; e coisas do gênero. Eu não consigo conceber que as pessoas ainda acreditem que corrupção, violência, tráfico ou incivilidade sejam problemas inexistentes nas sociedades que consideram melhores que a nossa. Eu não engulo quem sai do Brasil, fica lá fora um tempão, ganha dinheiro, e fica dizendo que o país não vai pra frente, que não tem vínculo com sua pátria, e coisas do tipo.&lt;br /&gt;Eu nasci neste país, eu cresci nesta cultura, eu falo esta língua, eu aprendi a ser o que sou com estas pessoas. Sou louco pela música brasileira, pela culinária brasileira, pela natureza brasileira. As mulheres do Brasil são lindas, as pessoas do Brasil são acolhedoras, o ritmo do Brasil é cativante. Desejo um dia visitar Nova York, Paris, Cairo, sei lá, tantos lugares!, mas eu ainda serei filho desta experiência aqui, destes valores, desta forma de ver e viver o mundo, com muito orgulho.&lt;br /&gt;Eu não tenho vergonha do meu país. Tem gente que considera o máximo tornar-se europeu ou americano ou construir a vida em outro lugar. Respeito as decisões de cada um, mas tenho convicção de que viver aqui ou em outras bandas implica as mesmas etapas de toda a experiência humana: trabalhar, criar relações, cuidar da família etc. E essas coisas podem dar certo ou não no Brasil ou em qualquer outro canto do planeta. Mas muitas pessoas não entendem assim, e acham que quem conseguiu sair do Brasil tem maior valor ou competência que quem ficou.&lt;br /&gt;Por favor, se você não gosta do Brasil, não fale mal dele. É ridículo. Bem ou mal, foram estas águas e estes ares, e estes pratos de arroz com feijão e farinha, que puseram você em pé antes que sequer sonhasse em alçar outros voos. O Brasil não é o que passa no jornal de televisão, e nem o que a elite pensa do povo que trabalha para ela. Meu país é Minas, Rio, Bahia, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pará, Ceará, Pernambuco. É gente demais para generalizar de forma tão redutora e mal-intencionada. É mediocridade demais achar que toda essa gente é má, ou inferior, ou ingênua.&lt;br /&gt;O Brasil não deveria ser, para as pessoas, essa concepção vazia, fabricada pela superficialidade e pelo descompromisso ético de parte da sua elite, que dá margem a todo tipo de preenchimento ideológico pejorativo. Conhecer o Brasil deveria significar, para quem insiste em falar mal de nós e de si mesmo, uma forma de conhecer o sangue que corre nas próprias veias e a sustância que orienta o próprio estar no mundo. &lt;br /&gt;Eu não fui a nenhum desfile no 7 de setembro. Mas, ao pensar com carinho e profundidade no Brasil, eu fui fundo no que sou, e o orgulho que senti de me saber parte desta nação vale a empunhadura de uma bandeira, em qualquer parte do mundo, em qualquer momento da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-6394298707569014215?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/6394298707569014215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=6394298707569014215' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6394298707569014215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6394298707569014215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/09/meu-pais.html' title='Meu país'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-425440931041655468</id><published>2011-08-06T20:23:00.000-07:00</published><updated>2011-08-06T21:05:56.988-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros didáticos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><title type='text'>Desserviço</title><content type='html'>Ganhei de presente o livro do jornalista Leandro Narloch, &lt;em&gt;Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil&lt;/em&gt;, e só vou seguir adiante nesta postagem porque sei que quem me presenteou não lê meu blogue.&lt;br /&gt;Sei que é um presente, e foi dado com carinho, porque a pessoa julgava que poderia ser interessante para um professor de História (agora lidando apenas com Português e Filosofia) descobrir novidades e curiosidades relacionadas às novas pesquisas realizadas nos últimos anos.&lt;br /&gt;Li o livro. É um pastiche engraçadinho de trabalhos acadêmicos, contestando certas posições mais consagradas dos historiadores. Lido nessa chave, não fede nem cheira; é uma provocação, nada mais.&lt;br /&gt;O problema é que mais de uma pessoa em mais de uma situação já me deu informações elencadas nesse livro como se fossem o suprassumo da fidedignidade. As pessoas dizem para mim: - Viu, Vinicius, a História dos livros está toda errada. Eu li um livro que conta a verdade sobre blá, blá, blá... e lá vem pérolas do tipo "o Aleijadinho não existiu" ou "Santos Dumont era um palhaço" ou "o Acre deveria ser jogado no lixo", ou "os índios não foram massacrados".&lt;br /&gt;Quando uma provocação, ou pastiche, ou piadinha besta desse nível começa a receber esse status de "coisa séria", passa a ser necessário reagir, antes que as pessoas comecem a acreditar que há mais nesse pastel do que massa e vento.&lt;br /&gt;Então, aviso aos leitores, com toda convicção: existe uma característica inerente a todo o texto cientítico, argumentativo ou dissertativo que sempre deve ser levada em conta na leitura do mesmo. Essa característica é o viés. Se o texto defende uma ideia, não a defende a partir de um lugar neutro, incolor e inodoro de enunciação. Ele a defende a partir de uma formação discursiva dada, de um conjunto de pressupostos e referências que lhe fornece algum corpo de fundamentação. Leandro Narloch não é "politicamente incorreto", como simula em sua descrição do "guia". Ele é conservador e direitista. Seu viés é direitista. Ele está alinhado a Marco Antonio Villa e outros historiadores que fundamentam sua argumentação em uma percepção reacionária e conservadora do mundo. Isso é muito importante esclarecer: o livro de Narloch não é uma mera provocação a alguns, ele é uma provocação à vertente mais progressista e esquerdista do estudo de História.&lt;br /&gt;Até aí, estamos elas por elas, não é verdade? Cada um puxando brasas para sua sardinha, e ficamos na mesma em termos de saber o que realmente ocorreu, não é isso? Seria isso se lidássemos com um historiador de direita. O que eu chamo de historiador nesse caso? Um especialista que é capaz de coligir fatos e documentos a partir de pesquisas realizadas com método, a partir de uma determinada concepção de história e de filosofia da história que pudesse pautar seu trabalho. Narloch não é um historiador, é um jornalista, e isso se revela claramente em seu "guia": não há método nenhum na escolha dos fatos elencados para provar a tese x ou y. O método é a mera retirada de trechos ou frases de obras de autores que, de alguma forma, pudessem validar a lógica dos raciocínios. Narloch não pesquisa fontes, não acrescenta nada às pesquisas já realizadas, nem mesmo se dá ao trabalho saudável e mínimo de redigir um estado da questão ou um levantamento bibliográfico sobre os temas, avaliando a validade e a fidedignidade das fontes utilizadas e justificando as que não foram aproveitadas. O livrinho de Narloch, do ponto de vista da História enquanto ciência, é absolutamente irrelevante. Entretanto, quando apresentado editorialmente sem essas ressalvas fundamentais, passa a ser perigoso. E quando lido descuidadamente, por um público que não tem recursos para avaliar a cientificidade da argumentação que contém, ele se torna, infelizmente, pernicioso.&lt;br /&gt;Se você leu o livro e ficou com a pulga atrás da orelha em certos trechos e em função de certas afirmações, ele terá servido para alguma coisa: para provocar em você a vontade de se aprofundar na temática que suscitou dúvidas. Mas se você estava procurando informação qualificada e julga que a encontrou nessa obra, recomendo a leitura de muitas outras obras de história do Brasil antes de usar qualquer das "descobertas" brilhantes de Narloch numa conversa entre amigos, ou para impressionar incautos. Sem isso, você pode acabar passando vergonha. Por fim, se você não leu o livro e procura novas abordagens e pesquisas sobre a história de seu país, há trocentas obras muito bem fundamentadas, redigidas por pesquisadores qualificados e respeitados no meio acadêmico, e há inúmeras revistas científicas de História que trazem pesquisas em andamento, devidamente respaldadas por uma metodologia e uma orientação científica. Leia esse material, e você entenderá por que escrevi esta postagem sobre uma obra que nem isso merecia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-425440931041655468?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/425440931041655468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=425440931041655468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/425440931041655468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/425440931041655468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/08/desservico.html' title='Desserviço'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8145905997870912256</id><published>2011-06-04T23:44:00.002-07:00</published><updated>2011-06-05T06:46:28.586-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Relacionamentos amorosos</title><content type='html'>Se isso ocorre pelo fato de ser eu capricorniano, não sei. Sei que tenho muito forte essa característica do signo de ser reservado no tocante à vida pessoal. Mesmo em rodas de amigos ou com familiares, não falo de conquistas amorosas, nem de perdas. Não falo das pessoas com quem me relaciono. Não falo das minhas preferências. Não toco em assuntos de foro íntimo, a não ser que meus problemas exijam, num grau desesperador de estado físico ou financeiro, ajuda alheia. Não gosto de expor ninguém. E ainda mais: acho que uma das armadilhas da sociedade do espetáculo é que você deixa de poder amar livremente quando passa a ser seguido, vigiado, julgado por sua visibilidade. Para mim, é sempre melhor amar em segredo, viver relacionamentos sem o julgamento apressado, parcial, recalcado e conservador da maioria das pessoas. &lt;br /&gt;Nunca escrevi aqui sobre meus relacionamentos. Tenho o máximo respeito pelas pessoas que, algum dia por algum motivo, entenderam gostar de mim a ponto de compartilhar seu tempo, sua história, sua intimidade. Não tenho o direito de expor suas vidas e aquilo que elas dividiram comigo. Portanto, em que pese o título do texto, continuarei não falando de meus relacionamentos, no que tange à sua concretude histórica, digamos assim. Nas próximas linhas, apenas tentarei desenhar percepções mais abstratas sobre relacionamentos em geral, considerando, evidentemente, minha interiorização das experiências que tive. Alerto que as colocações que farei podem ser chocantes e surpreendentes, e que as pessoas que prezam uma determinada imagem minha de bom moço ou criatura ponderada podem se sentir imensamente frustradas com o que venham a ler. &lt;br /&gt;A primeira colocação que farei parece ter fundo moral, ético, paradigmático, proverbial, mas não é nada disso. É algo que é ridiculamente óbvio, mas que só pode ser verdadeiramente apreendido com o tempo. É o seguinte: ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Implicação primeira disso é que ninguém é obrigado a gostar de mim. Evidente, elementar? Creio que sim, mas levei muito tempo para sentir que podia lidar com isso. Sempre foi difícil para um jovem inseguro como eu compreender que as paixões são voláteis, são passageiras, são instáveis, e que as pessoas mudam, como muda a orientação de seus corações. E que isso nada tinha a ver com meu valor enquanto ser humano. Talvez por isso as separações tenham sido, na minha vida, momentos absolutamente devastadores, em que me senti imobilizado e diminuído diante de todos à minha volta. O tempo me ensinou a não procurar justificações, embora de vez em sempre eu me pegue tentando racionalizar, justificar, estabelecer causas e efeitos para acontecimentos que são refratários a essas apreensões tão mentais. Mas creio que a segunda implicação seja a mais difícil de lidar: a de que não sou obrigado a gostar de ninguém. Ou seja: os sentimentos que tenho, em determinados momentos e em determinadas configurações da marcha da vida, por determinadas pessoas, costumam ser muito mais voláteis e indeterminados e surpreendentes que os vínculos que estabeleço a partir desses sentimentos. Isso é terrível para quem tem preocupação com o outro, porque é um espaço em que a ética e a dignidade não comandam. Repare o leitor que não me refiro às ações, mas aos sentimentos propriamente ditos. Acredito que as pessoas devem, sim, honrar seus compromissos. Apenas não acredito que os compromissos, verbais ou legais, possam controlar, abafar ou modificar certos sentimentos, como os que se relacionam ao amor e à paixão amorosa. O resultado interior disso sempre foi um só, no meu caso: culpa. Sensação de pequenez moral. Autopunição. Aceitação passiva das invasões e agressões alheias. Até que foi chegando um tempo em que percebi que não havia nada de exatamente errado com as coisas do coração. Que nada havia de imoral em sentir atração por uma pessoa quando ela, ou eu, vivíamos outra relação. Que nada havia de antiético em amar ou estar apaixonado por pessoas diferentes num mesmo momento da vida. Que nada havia de surpreendente em viver fases numa relação em que não havia amor nem paixão pela pessoa com quem me relacionava, embora ainda houvesse uma respeitável história a dois e uma forte expectativa de superação desse momento. Foi nesse tempo que comecei a entender que o ciúme, a possessividade, as exigências mil de demonstrações de afeto ou consideração, as obrigações "contratuais" dos namoros e casamentos, eram brinquedinhos bobos diante da magnanimidade da vida amorosa de um ser humano.&lt;br /&gt;E isso me levou a mais algumas percepções. &lt;br /&gt;Passei a entender, por exemplo, que não é possível saber tudo sobre uma pessoa. Mais que isso: não é saudável nem inteligente querer saber tudo sobre uma pessoa. As pessoas precisam ter um espaço insondável, surpreendente, permitido, ainda que isso nos custe uma certa insegurança e a sensação de que não podemos controlá-las. Mas a verdade é que não podemos mesmo ter esse controle, e se os sentimentos de uma pessoa apontam numa direção que não queremos, o melhor que podemos fazer é manter uma atitude de respeito e de amizade, e aprender a conviver com isso.&lt;br /&gt;Passei a entender, também, que essa ideia de alma gêmea é uma analogia poética para relacionamentos que são bons e estáveis por muito tempo, mas não é condição obrigatória da felicidade amorosa. Porque tem muita gente boa no mundo. Tem muita gente interessante. Tem muita gente inteligente, brilhante, atraente por muitos motivos. Tem muita gente que nos desperta tesão. Tem muita gente que nos desperta admiração. Pode ser que encontremos, vida afora, alguém com quem nos sentimos tão bem que esse comércio de contatos e sondagens acaba inibido por uma satisfação mais ou menos constante. Mas essa não é a regra. Simplesmente porque essas coisas do coração não têm regra. Então, é possível ser feliz encontrando uma alma gêmea, assim como também é possível ser feliz vivendo diferentes relacionamentos em diferentes períodos da vida, com diferentes graus de satisfação. &lt;br /&gt;Passei a entender, também, que a única coisa que realmente importa nos relacionamentos é o perdão. Se a gente levar a ferro e fogo tudo o que o outro faz, não tem relacionamento. Tem contrato, compromisso, mas ninguém vive contratualmente, as pessoas precisam de liberdade para deixar seus sentimentos fluírem. Então (pense o que quiser, querido leitor, neste ponto, mas é o que sinto, e o que verdadeiramente decidi assumir para mim), não creio mais que faça sentido ter grandes demonstrações de raiva ou frustração ou desespero quando percebo que minha companheira teve alguma atitude menos louvável na sua conduta. As pessoas guardam sentimentos contraditórios que as levam a fazer coisas que não esperávamos. Temos de perdoar isso, se quisermos ter contato com a integridade delas, se é isso que nos apaixona. Temos de perdoar pequenas mentiras. Temos de perdoar certos desequilíbrios emocionais. Temos de tolerar a possibilidade de não sermos únicos no coração de quem amamos. Temos de passar por cima de certas mancadas. Não podemos nos desesperar com as fases em que não estamos sendo atraentes para a pessoa que nos atrai. Tudo isso é parte do jogo da vida, é parte dos relacionamentos. Evidentemente, não dá para viver uma vida baseada na agressão, na mentira e no desrespeito, mas também não podemos achar que não haverá nenhum momento em que isso não venha a acontecer, em alguma medida, no nosso namoro ou no nosso casamento. E, quando isso acontece, temos de ter o preparo e a decência de não julgar o todo pela parte, de não resumir a grandeza que todo ser humano tem a sua condição de falibilidade. Se colocássemos uma lupa no coração de cada um dos mortais, qual deles restaria sem nódoa, sem maldade, sem nenhum resquício de despudor ou oportunismo? Amamos seres humanos, ou idealizações que fazemos deles? É isso: ou se aprende a perdoar, ou o amor e o relacionamento estarão fadados ao descompasso.&lt;br /&gt;É até contraditório falar em perdoar quem não tem, na verdade, culpa, mas fica entendido que se trata de desenvolver uma capacidade de relevar situações, das mais contornáveis às mais delicadas.&lt;br /&gt;Isso tudo implica no seguinte: respeitar as decisões do outro, e respeitar o outro independentemente das decisões. Entender que as obrigações éticas são umas, que as obrigações contratuais são outras, e que as obrigações amorosas não existem, senão não haveria amor. Entender que a única razão legítima para uma pessoa ficar com você é que ela tenha vontade, em seu íntimo, de ficar com você. Entender que ninguém é de ninguém, ainda que tenhamos a vaidade e a presunção de julgar que controlamos os sentimentos alheios. Entender que o casamento é uma escolha, o namoro é uma opção, e o amor não costuma perguntar-nos sobre nossas escolhas e opções: ele invade e fim, como diz Djavan. E que é justamente por causa dessa não-obrigatoriedade, dessa imprevisibilidade do amor, que devemos nos sentir bem com os momentos em que ele está presente, sejam eles poucos ou muitos, permanentes ou impermanentes, longos ou curtos, dentro ou fora dos casamentos e namoros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8145905997870912256?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8145905997870912256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8145905997870912256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8145905997870912256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8145905997870912256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/06/relacionamentos-amorosos_2197.html' title='Relacionamentos amorosos'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8173633493772905007</id><published>2011-05-14T15:39:00.000-07:00</published><updated>2011-05-14T15:50:03.247-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metrô'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Viva a gente diferenciada!</title><content type='html'>Eu tenho um blogue semi-inativo chamado Ação Direta Inteligente. Nele, posto, de quando em quando, informações sobre protestos e mobilizações que utilizam recursos simbólicos, artísticos e estéticos para expressar as ideias defendidas. Acredito piamente que esse deveria ser o futuro de todas as manifestações políticas na era da informação. Quando aluno da Letras, nossa greve estudantil, usando desses expedientes, alcançou a mídia e a população, foi um sucesso total; quando partimos para o enfrentamento físico tradicional, perdemos força, e a paralisação teve de acabar. Eu vivenciei isso, eu vi, eu testemunhei; não restam dúvidas para mim de que o caminho é a sensibilidade, a inteligência, a criatividade.&lt;br /&gt;Por essa razão, eu não poderia deixar de mencionar aqui neste blogue a imensa alegria que senti ao ver um protesto tão inteligente, sacado e irônico quanto o que aconteceu hoje, bem perto da minha casa. Eu estava totalmente por fora da discussão sobre o metrô, mas hoje, aqui na região, todos só falavam sobre isso. O "Churrascão da Gente Diferenciada" foi genial! Chamou a atenção para a violência simbólica e econômica por meio da ironia e da ocupação pacífica de um dos símbolos da elite não-diferenciada paulistana. Lamento ter sido hoje, justo hoje, que tenho de estudar para uma prova de seleção para pós-graduação na segunda-feira.&lt;br /&gt;Minha posição é bastante simples, e divide-se em dois raciocínios. Primeiro: mais metrô, menos carros, mais acesso para quem trabalha na região. Segundo: administração pública de uma cidade ou de um Estado responde aos interesses da população como um todo, e, se esses interesses entram em conflito com interesses de setores, a decisão deve contemplar o bem público e o que for melhor para o maior número de pessoas possível.&lt;br /&gt;Quanto ao preconceito escancarado, ao favorecimento descarado dos interesses dos ricos, à presunção cínica de naturalizar diferenças sociais e processos de exclusão, tudo isso merece um churrascão mesmo: com ironia, com gozação, com carnaval, com todos os recursos desestabilizadores do conservadorismo que põe as asinhas para fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8173633493772905007?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8173633493772905007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8173633493772905007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8173633493772905007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8173633493772905007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/05/viva-gente-diferenciada.html' title='Viva a gente diferenciada!'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3341692752645025714</id><published>2011-05-01T18:14:00.000-07:00</published><updated>2011-05-01T18:18:42.418-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esporte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguística'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>Acerca de uma pergunta numa entrevista pós-jogo</title><content type='html'>Final do jogo SESI contra Cruzeiro, decisão da Superliga nacional de voleibol. Giovane é o técnico do SESI. &lt;br /&gt;O time do SESI é melhor que o do Cruzeiro, e, embora eu torça para o Cruzeiro, recebo sem maiores dramas a indiscutível conquista do título pelos paulistas, que, ademais, já haviam sido a equipe mais bem colocada na primeira fase. O quarto set é um verdadeiro massacre.&lt;br /&gt;Todos comemoram, se abraçam, repórteres entram em quadra, puxam o Murilo para entrevistar, puxam outros jogadores, puxam o técnico. O repórter se posiciona para as perguntas. Giovane também. O repórter capricha:&lt;br /&gt;- O que é mais emocionante, Giovane, ganhar a Superliga como técnico ou ganhar as Olimpíadas e o Mundial como jogador?&lt;br /&gt;Eu paro. Estupefato. Não é possível que o rapaz perguntou isso. Mas perguntou mesmo. Pela cara que fez o Giovane deu pra ver que ele se atreveu.&lt;br /&gt;E passam milhões de coisas pela minha cabeça.&lt;br /&gt;1) A não ser que eu esteja muito enganado, é preferível ser medalhista das Olimpíadas até como gandula que ganhar a Superliga nacional como jogador. Não há comparação possível. Aliás, comparar isso seria absolutamente ridículo em qualquer outra situação, quanto mais nessa!&lt;br /&gt;2) Se não estou imensamente equivocado, para muitos atletas, tornar-se técnico não é exatamente a primeira opção, mas sim a alternativa de manter-se em atividade quando a carreira declina. E a postura de técnico, inclusive em termos de envolvimento e distanciamento, é absolutamente outra, impossível de ser comparada com a de jogador em atividade.&lt;br /&gt;3) Ou eu estou ficando louco ou era óbvio que Giovane acabara de vencer um campeonato longo e disputado e estava no momento de saborear a conquista. Nessas condições, não seria polido, nem oportuno, nem sequer inteligente perguntar-lhe sobre outro assunto que não se relacionasse à conquista. Na verdade, a pergunta é um absoluto contraclímax do momento emocional vivenciado pelo entrevistado. É como pegar um adolescente dançando numa festa e perguntar o que a mãe dele acharia disso.&lt;br /&gt;4) Imagino que o repórter esperava uma declaração bombástica do tipo: "a emoção é a mesma" ou "a emoção é maior na Superliga". Se ele obtivesse essa resposta, ela seria evidentemente falsa e demagógica, servindo apenas para alimentar polêmica ou fazer uma manchetezinha sensacionalista. E, por outro lado, se ele obtivesse a resposta óbvia, a de que a Olimpíada e o Mundial são muito mais importantes, não teria acrescentado nada à sua entrevista. O que me leva a concluir: a pergunta ou era inútil, ou capciosa.&lt;br /&gt;5) Se a pergunta era inútil ou capciosa, cabe-me perguntar: por que foi feita? Se alguém me disser que fazer perguntas capciosas é importante para o jornalismo, para satisfazer a curiosidade do espectador ou surpreender o entrevistado em algum deslize, eu mudo o questionamento: afinal, para que é o jornalismo, então? Se ele serve só para isso, não é melhor não ter?&lt;br /&gt;6) O Giovane respondeu de uma maneira esperta, brilhante, sagaz. Ele disse que só não estava em quadra porque já não conseguia, caso contrário estaria também. Essa resposta matou a pau. Primeiro, porque mostrou que o repórter comparara situações profissionais incomparáveis (jogador e técnico). Segundo, porque evidenciou que os títulos como jogador são mais importantes (e assim afastou, por eliminação, a necessidade de se posicionar em relação à comparação Superliga versus Olimpíada). Terceiro, porque retomou o foco na comemoração daquele título, conquistado naquele dia. Quarto, porque, desmontou a estratégia capciosa do repórter. Quinto, porque, de certa forma, ao não recuperar os termos da pergunta, a resposta explicita que aquela foi mal feita, ou nem deveria ser feita.&lt;br /&gt;7) Eu estou estudando Linguística esses dias, e, ainda com essa cena impressionante na cabeça, deparei com dois trechos de textos teóricos que me ajudaram a compreender minha indignação. O primeiro é sobre a circulação do dizer na sociedade. É assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(..) em estudos recentes, tem havido a preocupação de mostrar que a comunicação rompe muitas vezes o caráter intimista de um diálogo entre o eu e o tu, aqui e agora. Nesses casos, rompe-se o dialogismo mais estreito e alarga-se a circulação do dizer na sociedade. (...)&lt;br /&gt;No caso das entrevistas, na televisão ou na imprensa escrita, estabelecem-se três relações de comunicação: entre o entrevistador e o entrevistado, entre o entrevistador e o público, entre o entrevistado e o público. Em outras palavras, a relação entre o entrevistador e o entrevistado, que é a única explicitada nessa comunicação 'alargada', dependerá (...) das relações dos interlocutores com o público. Na verdade, a comunicação com o público é o objetivo primeiro da comunicação entre entrevistador e entrevistado" (FIORIN, José Luiz (org.), Introdução à linguística. São Paulo: Contexto, 2010, p. 46).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, tudo ficou muito claro. O entrevistador, querendo empatia do público ou aprovação por uma atuação mais incisiva, fez a pergunta com objetivo de colocar Giovane nas cordas. Giovane, que sabe que é pessoa pública, que tem um público específico de aficcionados por ele, pelo vôlei ou pelo SESI, saiu das cordas com destreza e deixou claro, não para o repórter, mas para a audiência, que entendeu a armadilha e que não cairia nela.&lt;br /&gt;Mas o público não é uma entidade passível de ser completamente conhecida. Na verdade, é uma entidade um tanto quanto abstrata. O público não é o índice do IBOPE, é algo complexo, variado, de difícil definição e apreensão. Quem lida com essa entidade tão complicada de conceituar tem de ter um norte, uma base, um fundamento. Na falta deste, vem à tona uma espécie de generalização, meio simplificadora, meio redutora, do que seriam os interesses da audiência. Essa imagem (considerada em sua complexidade ou simplicadora e generalizante) é o que, em Greimas, define-se como simulacro, ou seja, "representações das competências respectivas que se atribuem reciprocamente os participantes da comunicação e que intervêm como algo prévio, necessário a qualquer relação intersubjetiva" (FIORIN, José Luiz (org.), Introdução à linguística. São Paulo: Contexto, 2010, p. 46). O repórter forma mentalmente um simulacro do espectador, e isso guia a formulação de sua pergunta. O simulacro, nesse caso, é uma imagem negativa, aética, de mediocridade, como se o público estivesse ali para cutucar Giovane, e não para compartilhar a alegria da conquista. O entrevistado também trabalha com um simulacro de seu público, bem mais positivo. Ele entende que não é oportuno fazer comparações com outras conquistas, e, ao mesmo tempo, que é necessário ser polido e reencaminhar a entrevista que está sendo realizada, em respeito a quem o acompanha pela televisão.&lt;br /&gt;Eu não trabalharia com uma imagem negativa de público, se fosse o entrevistador. Ou seja: eu não teria feito aquela pergunta. Por outro lado, se há orientação explícita ou implícita dentro do jornalismo para uma atuação tão desrespeitosa em relação ao espectador, quase o chamando de idiota, eu fico achando que algo no jornalismo se perdeu. E se essa orientação estiver correta em sua construção do simulacro da audiência, só me resta rezar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3341692752645025714?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3341692752645025714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3341692752645025714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3341692752645025714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3341692752645025714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/05/acerca-de-uma-pergunta-numa-entrevista.html' title='Acerca de uma pergunta numa entrevista pós-jogo'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4304403759235605709</id><published>2011-03-08T07:41:00.001-08:00</published><updated>2011-03-08T07:59:22.336-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>As perguntas certas</title><content type='html'>Às vezes eu aparecia em casa com uma novidade amorosa, e as pessoas, como bem se sabe, logo espalhavam aos quatro ventos. Eu era tímido e sensível, e, por consequência, muito recatado em relação aos meus relacionamentos. Meus amigos não eram nada disso. Fazia parte da masculinidade falar e falar e falar, e contar vantagens tanto quanto possível. Então, pode-se imaginar o rol de perguntas que eram constantes nessas situações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E aí, já comeu?&lt;br /&gt;- Ela é gostosa?&lt;br /&gt;- Ela tem um bundão? Ela tem peitão?&lt;br /&gt;- Ela faz de tudo?&lt;br /&gt;- Ela tem ciúme de você?&lt;br /&gt;- Ela se veste bem? &lt;br /&gt;- A família dela aceitou normalmente? A família dela é liberal?&lt;br /&gt;- Ela tem grana?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E outras afins, que durante algum tempo acreditei serem uma forma razoável de medir as aspirações em relação a uma garota. &lt;br /&gt;Acreditei, mas no fundo nunca aceitei. Algum anjo torto me fez diferente, e a verdade é que nunca me fizeram as perguntas certas, que não eram essas. As perguntas certas, que ninguém me faria, eram as que eu, no fundo, me fazia todas as vezes, porque nunca gostei realmente de "garotas", e sim de mulheres. Eu queria que me perguntassem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Como ela trata você? Como um namorado, um bibelô, ou um ser humano, digno de elogios e broncas?&lt;br /&gt;- Ela se dispõe a dividir coisas, opiniões, a conceder, a ser razoável?&lt;br /&gt;- Ela trabalha em algo admirável, construtivo, bacana? Ela defende causas nobres, luta por pessoas indefesas, protege seus familiares e dependentes?&lt;br /&gt;- Ela acredita em seu próprio potencial como pessoa, e em sua personalidade, mais que em sua imagem pública, para ser atraente?&lt;br /&gt;- Ela é carinhosa? Ela aceita que você seja carinhoso?&lt;br /&gt;- Ela compreende quando você chora, e sabe acalmar quando você se enerva?&lt;br /&gt;- Quando ela quer alguma coisa, ela vai atrás, ou fica esperando você descobrir que ela quer?&lt;br /&gt;- Quando ela gostou de você, ela teve a firmeza de assumir isso sem joguinhos?&lt;br /&gt;- O que ela faria se você não manifestasse interesse a princípio? Desisitiria, ou insistiria?&lt;br /&gt;- O que ela faria se não tivesse interesse em princípio? Esnobaria, ou seria clara, sincera e, ainda assim, delicada?&lt;br /&gt;- Você sente que poderia perdoá-la por qualquer coisa que ela fizesse, sem ressentimentos?&lt;br /&gt;- Você deixaria de fazer algo muito estimulante para não magoá-la, não porque sinta que ela descobriria, mas porque sente que ela não merece?&lt;br /&gt;- Ela é capaz de encarar fases ruins? De manter um laço de ternura e respeito com você mesmo quando o sexo, o stress cotidiano e a rotina tornaram-se problemas?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por fim, a maior perguntas de todas:&lt;/em&gt; - Você teria vontade de ter filhos com essa mulher?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ninguém entenderia isso. E ninguém entenderia que essas perguntas não implicavam, em nenhum momento, um vínculo institucional, como o casamento, ou sequer a busca disso. Porque o amor, a admiração, a percepção de que alguém é especial, independe da sorte de ter essa pessoa a seu lado. Uma grande mulher não precisa gostar de você, ela só precisa ser o que é, com integridade. Se eu tivesse levado a sério as perguntas certas; ou melhor, se eu simplesmente tivesse conseguido formulá-las conciente e explicitamente, teria sido muito mais homem, e muito mais digno das mulheres que me amaram e que eu amei no decorrer da minha vida. Hoje, arrogo-me a intenção de transformar esse "se" em "sim", manter-me amando apesar de meus erros, e ser digno do amor de quem sempre esteve ao meu lado.&lt;br /&gt;Hoje é o Dia Internacional da Mulher, e eu gostaria de deixar claro, nesta postagem, o quanto admiro, amo e respeito as mulheres de minha vida (minha esposa, minha mãe, minha irmã, minha sobrinha), as mulheres que conviveram comigo e as mulheres em sua generalidade, para além dos meus interesses imediatos ou da função que o mundo - ainda machista - lhes atribuiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homenagem mais bela e tocante é a do meu amigo Flávio Mello, &lt;a href="http://escritorflaviomello.blogspot.com/2011/03/que-queria-ser-mulher.html"&gt;nesta indefectível postagem&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Vale conferir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4304403759235605709?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4304403759235605709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4304403759235605709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4304403759235605709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4304403759235605709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/03/as-perguntas-certas.html' title='As perguntas certas'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3761230987717921814</id><published>2011-03-06T18:23:00.000-08:00</published><updated>2011-03-06T18:35:36.262-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saúde'/><title type='text'>Cuidar de mim</title><content type='html'>Venho cumprindo rigorosamente uma das decisões de ano novo que estariam, noutros tempos, fadadas ao esquecimento: cuidar da minha saúde.&lt;br /&gt;Em anos anteriores, minha insaciável necessidade de aprovação externa fez com que eu tentasse abraçar o mundo com as pernas, e todos sabem que o preço disso costuma ser dramaticamente alto.&lt;br /&gt;Resolvi, então, mudar de rumo. Venho me alimentando melhor, evitando &lt;em&gt;trash food&lt;/em&gt; e investindo em refeições no lugar de lanches.&lt;br /&gt;Venho frequentando com assiduidade a academia de musculação, sem pressa de resultados, porque não tenho mais 20 anos, e porque sei que minhas belezas vêm de fontes diversas, às vezes invisíveis. &lt;br /&gt;Tratei de fazer alguns exames preventivos de problemas que volta e meia reaparecem. O primeiro resultado foi animador: não tenho mais cálculos renais a eliminar, o que mostra que o novo hábito de beber líquidos constantemente deu resultado. O segundo foi engraçado: pensei que tinha um monte de verrugas novas, mas na verdade são erupções de pele que aparecem em pessoas que engordam muito (o médico precisava ser tão claro? ;-)). Nada que um tratamentozinho não resolva, ainda que implique em dez dias sem perder calorias na esteira, já que a área envolvida localiza-se entre as coxas. (Aproveito esse tempinho que sobrou para atualizar o blogue.)&lt;br /&gt;Decidi, também, não fazer nenhuma loucura profissional. Limitei as aulas noturnas a três dias por semana, vou fazer os estágios que devo na Uninove na medida do possível e vou me permitir cortar ou adiar tudo o que interferir diretamente em minha saúde.&lt;br /&gt;Esses dias, alguém me disse algo bacana. Disse que ter quarenta anos hoje equivale a ter vinte em outros tempos, porque as pessoas chegam mais inteiras a esse período da vida, e podem, com a estabilidade profissional, empreender iniciativas até então podadas pela falta de dinheiro ou por outras urgências. Gostei muito desse raciocínio. Caiu como uma luva neste que vos escreve, que vai publicar um tão sonhado livro nos próximos meses e planeja construir, finalmente, um trabalho musical consistentemente produzido. &lt;br /&gt;Eliminadas as pressões da busca do sucesso a qualquer preço, da insegurança em relação aos próprios potenciais, da necessidade de aprovação social explícita, da instabilidade emocional interior da juventude, parece que tudo começa a se encaixar na mente da gente, e os passos são menores, mas mais firmes e calculados. O saber acumulado, a saúde física, a confiança na capacidade profissional e o autoconhecimento somam-se, formando um todo maior que as partes. Tenho vontade de fazer muitas coisas boas, não somente porque sejam boas para mim, mas também porque são boas em si mesmas. Posso aturar fases mais difíceis e tarefas menos gloriosas, porque não preciso mais brigar com o que a vida me oferece. Enfim, quero estar melhor comigo mesmo, e romper em definitivo os contratos com as expectativas dos que não sabem quem realmente sou.&lt;br /&gt;Tenho o compromisso de terminar 2011 inteiro, por dentro e por fora. Já consegui a sexta parte disso. E foi muito bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3761230987717921814?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3761230987717921814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3761230987717921814' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3761230987717921814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3761230987717921814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/03/cuidar-de-mim.html' title='Cuidar de mim'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4635516772316963635</id><published>2011-02-20T13:33:00.000-08:00</published><updated>2011-02-20T13:46:56.785-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tempestade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Tempestades</title><content type='html'>Na minha religião, as tempestades são respeitadas. Quando os primeiros estrondos surgem depois do céu escurecido, preparo-me para um recolhimento espiritual. Desligo todos os aparelhos eletrônicos, todas as lâmpadas, todas as invenções humanas que utilizam eletricidade. Bem sei que a ousadia de mantê-las ligadas pode ser punida com a raiva divina, capaz de ceifar suas vidas úteis de forma definitiva. Dentro de mim, desligo também uma série de coisas. O choque constante e violento da água contra as janelas fechadas deve ser ouvido com atenção, em tudo o que tem a dizer. Os raios e os trovões merecem ser observados e ouvidos, mas sem que percebam. O medo de ser atingido deve levar a uma imobilidade física catártica. Só é possível sentir os arrepios de susto depois dos relâmpagos se nos mantivermos silenciosamente atentos, deitados ou sentados, desprovidos de qualquer intenção posterior (seja sair, lavar louça, ler, ver televisão) ou incômodo anterior (seja culpa, ansiedade, raiva, tédio). É preciso abandonar a mente ao temor primitivo de nossos ancentrais nas cavernas. É preciso pensar que nossos escudos de proteção (o teto, as paredes, os para-raios) poderiam, como todas as criações da espécie humana, falhar diante da perene demonstração de força dos elementos. Só quem compreende misticamente o sentido da tempestade é capaz de beber desse estranho e belo medo entranhado no inconsciente coletivo, poderoso como o que sentimos ao imaginar os piores vilões, os maiores heróis, e os deuses em fúria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4635516772316963635?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4635516772316963635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4635516772316963635' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4635516772316963635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4635516772316963635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/02/tempestades.html' title='Tempestades'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4033384430249354337</id><published>2011-02-14T15:38:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T16:22:32.192-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trote'/><title type='text'>Trote</title><content type='html'>Quando era criança e meus amigos me chamavam para jogar bola, bolinha de gude ou taco na rua, não foram raras as vezes em que preferi ficar em casa, isolado de todos, lendo. Para algumas coisas, acho que sempre fui uma alma velha; a idade madura, na verdade, não foi mais que o reconhecimento de uma identidade que, por vezes, neguei.&lt;br /&gt;Talvez seja essa falta de espírito de adolescente a grande razão de meus fracassos na juventude e minhas conquistas na maturidade. Mas isso é questão para uma postagem mais longa. O que me importa, aqui, é revelar como essa tendência`prematura à seriedade e ao comedimento sempre me impediu de dar aval a um dos ritos de passagem de nossa sociedade.&lt;br /&gt;Critiquem-me, discordem, vituperem, riam de mim, pouco importa. Serei sincero: sempre achei o trote uma babaquice. Nunca entendi, nunca vi graça, nunca quis fazer com os outros. Para mim, a única coisa que ele representava era a possibilidade de exercitar preponderância física e psicológica sobre um grupo de novatos, e, não raro, de descarregar instintos mais violentos. Talvez eu tenha me divertido com uma ou outra situação, mas aquilo nunca foi importante para mim. &lt;br /&gt;Fui "trotado" três vezes: quando entrei na escola técnica, quando entrei na Filosofia da USP e quando retornei à USP para fazer Letras. A terceira não conta, porque os veteranos praticamente nada fizeram comigo, visto que eu tinha mais tempo de Universidade que a maioria deles e aquilo não era exatamente um ingresso para mim. Mas eles pintaram meu braço, numa estúpida concessão que fiz, apenas para parecer menos antipático. A segunda foi estimulada por uma ex-namorada, que me levou aos veteranos de Filosofia e Sociais. Fui para casa todo pintado, para não ter de contrariá-la e parecer menos ranzinza do que sou; outra vez, fui bobo. O primeiro trote era bem mais violento e invasivo. Além de me pintarem, jogaram um creme(?) metálico no meu rosto, que causou irritação na pele por alguns dias. Dessas experiências, que vivi de forma submissa e passiva, não tirei nada, nem em termos de integração com os veteranos, nem em termos de satisfação pessoal por participar da brincadeira.&lt;br /&gt;Sou muito chato, admito. Não bebo, sou tímido e abomino atitudes invasivas e ameaças. Para mim, trote não serve para nada, só para encher o saco, e me deixar com raiva por não ter enfrentado com coragem a intimidação que sofri. Mas esta não é uma posição apenas em relação à minha vivência de trotes. Eu não vejo graça neles em absoluto. Hoje, vi trotes sendo aplicados na USP, no Mackenzie (em frente à minha casa) e no caminho do ônibus que tomei à tarde. A mesma coisa de sempre. Calouros intimidados, alguns poucos se divertindo, voltando para casa cobertos de tinta e sem descobrir nada de novo, produtivo ou interessante sobre a graduação em que acabavam de ingressar. Veteranos usando os mais novos como marionetes de espetáculos cretinos e constrangedores. Honestamente, fiquei chateado com aquilo. Vinte anos de universidade e as pessoas ainda não conseguiram criar uma recepção que não passe por essas brincadeiras surradas. &lt;br /&gt;Respeito as pessoas que gostam do trote e entendem que ele representa uma perspectiva de integração e uma forma de tornar marcante o primeiro contato de um estudante com sua nova casa. Sinceramente, acho que há muitas experiências que são positivas em relação a isso, e conheço gente que gostou de levar trote e gosta de aplicá-lo. Mas isso depende de uma certa disposição de espírito para a novidade e uma certa tolerância com a brincadeira que, definitivamente, não possuo e nunca possuí. E respeitar a posição alheia não significa concordar com ela. &lt;br /&gt;Eu passei pelos meninos hoje com vontade de ter em mãos um pano ou guardanapo qualquer e uma garrafa com água, para ajudá-los a limpar a sujeira que ficou sobre seus corpos. Pensei que, se fosse uma pessoa corajosa, sabotaria o trote da FFLCH oferecendo condições para os calouros se limparem e voltarem para casa com a aparência que quisessem voltar. Como não tenho essa coragem toda, limito-me a manifestar minhas discordâncias neste espaço protegido da internete. Mas, pelo menos, tenho coragem de admitir que sou um careta conservador em relação a recepções de calouros. E que, se nunca consegui relativizar essa opinião, foi simplesmente porque nunca quis, e nunca ninguém me convenceu a querer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4033384430249354337?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4033384430249354337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4033384430249354337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4033384430249354337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4033384430249354337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/02/trote.html' title='Trote'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-227354778137736086</id><published>2011-02-06T14:43:00.000-08:00</published><updated>2011-02-06T16:09:11.057-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esporte'/><title type='text'>Torcer, acompanhar, apreciar</title><content type='html'>Dividi algumas opiniões no Facebook com um amigo meu sobre o Australian Open. O mais bacana desse nosso diálogo internético foi que ninguém ficou agitado, defendendo um ou outro atleta, fazendo bravata ou exagerando observações. Parece-me que ambos queríamos ver bom tênis, esporte bem praticado, jogadas disputadas, enfim, algo que valesse a pena curtir na madrugada.&lt;br /&gt;Eu fiquei pensando comigo mesmo, depois, se não seria esse o jeito certo de torcer. Então concluí que não se trata de certo e de errado, não se pode predeterminar como as pessoas devem "sentir" um espetáculo esportivo. Trata-se, na verdade, de entender as formas de envolvimento do espectador.&lt;br /&gt;Acho que a própria palavra "espectador" no lugar de "torcedor" já antecipa um pouco meu raciocínio. É que eu acredito que algumas pessoas, quando estão vendo futebol, vôlei, F1, basquete, hóquei, etc., torcem, ou seja, escolhem um lado e vibram com jogadas que beneficiam o lado escolhido e com jogadas que prejudicam o adversário. Esse comportamento é característico do torcedor fanático, das torcidas organizadas, do sujeito que "veste a camisa", simbolicamente ou literalmente. Há gradações, evidentemente, que vão do cara que não usa uma camiseta verde por ser corintiano até o sujeito que nem torce tanto assim e quando vê que seu time está perdendo, já se desinteressa. Mas acho que é possível identificar o comportamento geral do torcedor como de um espectador que tem alterações emocionais mais fortes conforme seu time/atleta de coração aproxime-se ou distancie-se da vitória.&lt;br /&gt;Nem todo mundo é assim. Existem também pessoas que gostam de um clube, de um atleta, de uma equipe ou seleção, mas não consideram importante nem prazeroso ter reações emocionais fortes. Torcem para o Corinthians, o São Paulo, o Flamengo, o Santos, o Cruzeiro, mas não vestem camisetas do clube, não compram chaveirinhos, não sabem quais são as chances de título, não se inscrevem no tuíter, nem nada. Essas pessoas não se enquadram no comportamento anterior. Elas acompanham um jogo de futebol ou vôlei ou basquete até onde têm paciência e consideram produtivo, mas podem perfeitamente ser interrompidas por telefonemas e chamados, ou simplesmente ir fazer outra coisa. &lt;br /&gt;No mesmo balaio desses "torcedores mornos", eu incluiria aquelas pessoas que não têm uma equipe de coração específica, ou um atleta que admirem em especial. Comportam-se como o gremista assistindo a um jogo da terceira divisão de Pernambuco: apenas observam o que está acontecendo, gostam de uma ou outra jogada, pegam no sono quando a coisa está muito feia. Não assistem ao espetáculo esportivo para torcer para um lado, mas sim para acompanhar alguma narrativa que faz algum sentido no meio do vazio do não-fazer-nada (mais ou menos como os que veem os capítulos intermediários e sem peripécias de novelas e seriados). Esse comportamento geral eu classificaria como o do "acompanhador": ele segue a narrativa do jogo, do desempenho da equipe, das conquistas/derrotas de um atleta, mas isso não o mobiliza emocionalmente a ponto de colocá-lo em estado de tensão, ou de fazê-lo vibrar emocionalmente fora do que lhe é comum.&lt;br /&gt;Por fim, acho que há um terceiro comportamento geral em relação a espetáculos esportivos. Esse comportamento pode aparecer tanto no torcedor como no "acompanhador", mas precisa de uma brecha: no caso do primeiro, precisa de menos fanatismo e envolvimento emocional; no caso do segundo, precisa de mais investimento de atenção e maior atribuição de importância ao espetáculo. Trata-se da apreciação (apreciar é, etimologicamente, "colocar preço em", ou seja, atribuir valor a), forma de se relacionar com o acontecimento esportivo que implica reconhecimento de aspectos estéticos e poéticos no desenvolvimento do mesmo. &lt;br /&gt;Apreciar um jogo de futebol é diferente de torcer. Quando simplesmente torcemos, podemos odiar Zidane, porque seus gols nos derrubaram numa final de Copa do Mundo. Quando apreciamos um jogo de futebol, somos obrigados a reconhecer a beleza e o talento de Zidane, mesmo que ele vista a camisa adversária. Assim também ocorre em outros esportes. Podemos torcer para a Rússia, mas temos de aplaudir o Dream Team. Podemos torcer para Ben Johnson, mas não é possível aplaudi-lo por vencer dopado. Quando apreciamos um espetáculo esportivo (e é por isso que gosto de usar a noção de "espetáculo"), é porque valorizamos a história daquele esporte, a competição dentro das regras, a inteligência de procurar estratégias, o empenho de se dedicar até o último momento, a decência de proporcionar a quem pagou ingresso ou faz parte da plateia eletrônica civilidade e respeito em relação ao adversário. &lt;br /&gt;Apreciar também é diferente de meramente acompanhar. Quem meramente acompanha, cria uma certa distância do espetáculo, perde determinadas concentração e capacidade de observação que são próprias de quem está envolvido com o que vê. Podemos acompanhar o Brasil na Copa do Mundo por n razões, mas, se realmente apreciamos o futebol como espetáculo, não nos desinteressamos imediatamente após a eliminação. Ainda persistimos como espectadores para ver gols bonitos, jogadas empolgantes, nós táticos. E principalmente para ver talento, venha de onde vier (Messi, Cristiano Ronaldo, Zidane, Maradona..). &lt;br /&gt;Creio que a apreciação, como é menos irracional que a torcida, não seja tão conveniente à forma como o esporte, em geral, é vendido na sociedade do espetáculo. A apreciação não fideliza o cliente em relação à marca. O cliente torna-se questionador: "sou corintiano, mas o futebol que meu time joga não vale pagar 500 reais num ingresso"; "gosto do tênis do Murray, mas Djoko mereceu vencer"; "o nado de Ian Thorpe é mais bonito que o de Phelps, mesmo que este último seja realmente invencível"; "ganhamos a Copa do Mundo em 94, mas o futebol da seleção de 82 era mais vistoso". E o cliente questionador quer qualidade, não preenchimento de suas angústias emocionais. Talvez seja por isso que nunca me dei bem com o estilo Galvão Bueno de narrar, nem com a obrigação de entregar-se de corpo e alma a um time só (comprei, por achar bonitas e coloridas, camisas de vários times diferentes de futebol), nem com a falta de educação de algumas hordas estúpidas que agridem verbalmente ou fisicamente os atletas, e muito menos com a transformação do esporte em palco alegórico de disputas políticas e babaquices nacionalistas. Talvez seja por isso que eu e meu amigo pudemos comentar, com equilíbrio e bom humor, tantos jogos bonitos, que vimos por serem bonitos, acima de tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-227354778137736086?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/227354778137736086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=227354778137736086' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/227354778137736086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/227354778137736086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/02/torcer-acompanhar-apreciar.html' title='Torcer, acompanhar, apreciar'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5845473164772147220</id><published>2011-01-14T13:32:00.000-08:00</published><updated>2011-01-14T13:49:59.239-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tragédias'/><title type='text'>É preciso ler racionalmente as tragédias</title><content type='html'>Venho acompanhando pela televisão e pela internete a terrível situação das cidades serranas do Rio de Janeiro, de vários bairros da minha cidade, e de várias localidades pelo Brasil afora que sofreram com as chuvas de janeiro. O que tenho visto e ouvido é sempre muito triste, porque as perdas humanas e materiais foram muito grandes.&lt;br /&gt;Nesses momentos em que vemos pessoas perderem seus entes queridos, suas casas, seus pertences, ficamos com um sentimento de injustiça, de comiseração, pensando que as coisas poderiam e deveriam ser diferentes. Isso é natural do ser humano de bom coração, que desenvolve uma das emoções mais fundamentais para a sobrevivência social de nossa espécie, que é a compaixão.&lt;br /&gt;Mas este momento é muito delicado, e a compaixão precisa se transformar em ação efetiva. E quando as emoções precisam se transformar em ações efetivas, entra o elemento racional, para organizar e tornar produtivos os investimentos de energia que estamos dispostos a empregar para minimizar esse tipo de tragédia.&lt;br /&gt;Nesse momento de racionalidade, de tentativa de entendimento, de utilização da inteligência do homem para o bem do próximo, não podemos deixar que as emoções travem a lucidez, porque isso só pioraria a situação. É preciso que a compreensão dos fenômenos que causaram essas tragédias seja lúcida, transparente, minimamente desapaixonada. E o que me preocupa é que não tem havido discussão lúcida na mídia, que é a principal fonte de informação e orientação sobre os acontecimentos que se sucederam.&lt;br /&gt;O que tenho visto na mídia é a substituição da lucidez por uma indignação seletiva, quando não pela simples histeria de procurar culpados pelas desgraças. Qualquer pessoa de bom senso entende que apontar culpados não contribui. Apontar culpados pode funcionar como um fator de alívio para as pessoas indignadas e chateadas com o que aconteceu; os bodes expiatórios sempre têm uma função de catalisadores da raiva e agressividade coletivas. Entretanto, obviamente acaba se tornando uma forma de compreender menos, de entender mal. Canalisar agressividade nada tem a ver com analisar racionalmente um problema e procurar paliativos, soluções e medidas eficientes.&lt;br /&gt;Uma tragédia não começa no dia em que cai sobre tudo a sua volta. Ela é resultado de anos e anos de erros, de imperfeições, de problemas, que criam uma situação perigosa. Essa iminência do perigo alia-se a circunstâncias desfavoráveis em determinados momentos, e aí é que explodem os problemas graves. Mas é preciso que fique claro que uma destruição de tal extensão NÃO PODE SER OBRA DE UM ÚNICO FATOR ISOLADO. Ou são considerados os diversos fatores que levaram ao problema, ou o problema nunca será sanado nem minimizado. Quando as pessoas insistem em apontar para um fator isolado, por questões morais, políticas, ideológicas, elas estão, na verdade, atrapalhando a busca de soluções.&lt;br /&gt;Vejo e ouço pessoas falarem  das responsabilidades dos governos federal, estadual, municipal. Ok. É um fator a se observar. MAS NÃO É O ÚNICO. Não se resolvem problemas de infraestrutura das cidades apenas com investimentos em prevenção de tragédias, e isso por vários motivos. Em primeiro lugar, porque não é uma questão de quantidade de dinheiro investido em um período específico, mas de projeto a longo prazo, focando exatamente o problema a ser solucionado. Em segundo lugar, porque não é possível prever com toda essa exatidão qual seria exatamente o problema a ser solucionado; há certa imprevisibilidade nas tragédias naturais, que podemos minimizar com a tecnologia, mas ainda não conseguimos, nem nos países mais avançados do mundo, eliminar por completo. Em terceiro lugar, porque mesmo os investimentos em prevenção de tragédias são paliativos num contexto mundial de mudança climática constante e grandes alterações regionais. Em quarto lugar, porque há problemas estruturais que são mais profundos. São Paulo, minha cidade, é um exemplo disso. As enchentes continuarão infelizmente acontecendo por muito tempo, seja qual for o investimento do Estado ou da Prefeitura, porque a cidade foi construída de forma desordenada, sem um plano que previsse situações como as que temos vivido. Não se pode dizer que uma ou outra administração específica, ou mesmo que o Estado apenas, sejam culpados de um fenômeno cultural complexo, a saber, a ocupação anárquica da área e o crescimento sem planejamento da metrópole. Por fim, algo que é óbvio, embora o óbvio pareça às vezes uma ofensa a certas inteligências: soa completamente absurdo pensar que qualquer governante queira que essas tragédias aconteçam, ou que não queira evitá-las. Há erros, há opções discutíveis, mas não dá para imaginar uma insensibilidade tão monstruosa por parte dos nossos representantes de, intencionalmente, deixarem acontecer as perdas que vêm acontecendo.&lt;br /&gt;Vejo e ouço pessoas falarem sobre a responsabilidade dos próprios habitantes que moram nas áreas alagadas. Ok. É outro fator a se observar. Ressalva-se, apenas, que é preciso verificar se foram somente residências em áreas consideradas de risco que foram atingidas, ou se os problemas foram tão graves que atingiram locais impensáveis. Mas, voltando às áreas perigosas, é certo que construir uma casa numa região de risco é, de certa forma, assumir esse risco para si e para a própria família. Mas a questão não se resolve assim, apontando as pessoas como algozes de si mesmas. Ao que me conste, ninguém quer morrer, nem perder suas pessoas amadas. É preciso saber por que as pessoas estavam nessa condição de risco. Será que todos têm alternativas? Será que todos têm informação, orientação? Será que as desocupações necessárias para salvar a vida de muitos foram barradas por serem inconvenientes politicamente? Será que os técnicos encarregados de liberar as autorizações para as construções foram profissionalmente corretos? Será que os projetos de tirar as famílias das áreas perigosas não feririam interesses econômicos de empresas, especuladores imobiliários, e até das próprias famílias? Todos esses são fatores a se considerar, antes que se aponte para a vítima como ÚNICO CULPADO de sua queda. E mesmo que se constate que houve imprudência por parte da vítima, isso nos impede, enquanto seres de mesma condição humana, de querer ajúdá-la, orientá-la, zelar por seu bem-estar? Isso nos desobriga de repensarmos as condições em que tudo aconteceu? Isso nos oferece justificativa para não nos comovermos com a situação em que as pessoas ficaram? (Sempre lembrando que é preciso saber se só pessoas em áreas consideradas de risco foram atingidas, ou se a extensão das perdas atingiu também quem estava em locais até então considerados seguros).&lt;br /&gt;E há muitas outras coisas a se considerar. Há que se considerar até que ponto as mudanças climáticas que vivenciamos não são responsabilidade da humanidade como um todo, por suas opções antiecológicas. Há que se considerar a ação individual ética de cada um, ou seja, até que ponto o lixo que o indivíduo joga no bueiro achando que nada vai acontecer não se transforma em uma parte do problema mais amplo, ainda que seja uma pequena parte. Há que se considerar se o estilo de vida das pessoas, que é suicida em vários aspectos, como no trato da própria saúde, não precisa se tornar mais respeitoso em relação aos riscos em que são colocadas as próprias pessoas e as que as rodeiam: até que ponto vale a pena economizar para ter celular, roupa bonita, carro, e colocar em risco a própria integridade física - seja por tragédias naturais, ou tiroteios, ou mesmo por desatenção em relação a outros aspectos práticos da vida? &lt;br /&gt;Sem considerar com muito cuidado, com muita lucidez, com muito carinho, todos esses fatores, e sem avaliar como cada um deles poderia ser minimizado para que novas tragédias não venham a acontecer, não chegaremos a nenhuma conclusão produtiva. O que teremos é demagogia, histeria, sensacionalismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5845473164772147220?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5845473164772147220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5845473164772147220' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5845473164772147220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5845473164772147220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/01/e-preciso-ler-racionalmente-as.html' title='É preciso ler racionalmente as tragédias'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2521739933294484119</id><published>2011-01-12T08:09:00.000-08:00</published><updated>2011-01-12T08:27:59.964-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='celebridades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tv'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>As subcelebridades e o nada</title><content type='html'>Numa &lt;a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4884786-EI6581,00.html"&gt;entrevista com o professor Maurício Tavares&lt;/a&gt;, da UFBA, vi cunhada a expressão subcelebridade.&lt;br /&gt;Adorei.&lt;br /&gt;Há tempos venho me perguntando qual o interesse que certas figuras despertam na mídia, e o porquê desse interesse. Lança-se um cantor ou uma cantora qualquer, e ele rapidamente é alçado ao estrelato, ganha manchetes, factóides, destaque, enfim, um enorme espaço nos veículos de comunicação. Um espaço que é caro, que é importante, que influencia cabeças e que tem um significado coletivo muito arraigado na população.&lt;br /&gt;Pois é, aí você vê o trabalho desse cantor ou cantora, e não consegue identificar nada de aproveitável. Você pesquisa sobre a vida desse cantor ou cantora, e não encontra nada: ou ele ainda nem viveu direito, ou sua experiência em nada difere dos milhares de outros na mesma profissão. Você lê entrevistas ou testemunha aparições televisivas desse cantor ou cantora e continua na mesma: nada acrescenta, nada traz de novo, nada traz de interessante, positivo, edificante ou mesmo contestador. Por fim, você fica como eu, se perguntando o que é que as pessoas viram nessa figura.&lt;br /&gt;E assim acontece com cantores, cantoras, atores, atrizes, apresentadores, apresentadoras, modelos, artistas de todo o tipo. &lt;br /&gt;E o que é pior é que isso começa a acontecer com pessoas que não têm nenhum trabalho, nada a apresentar, nenhum talento. Não cantam, não atuam, não sabem nada em profundidade, não apresentam ideias novas nem trabalhos artísticos consistentes. E ganham uma parcela do espaço midiático.&lt;br /&gt;E o que é pior ainda é que essas pessoas sem nenhum talento se metem a cantar, atuar, apresentar-se. E por quê? Porque a mídia apostou durante anos em cantores, atores, apresentadores sem talento nenhum. Então é possível nivelar-se a essas celebridades midiáticas atuais partindo do zero, porque elas praticamente nunca saíram do zero. É óbvio que ninguém aqui está falando de cantoras de verdade, como Maria Rita, por exemplo. Mas a Maria Rita não é o que é por ser celebridade, porque NÃO PRECISA SÊ-LO SE NÃO QUISER, porque não depende disso.&lt;br /&gt;Mas há uma situação ainda pior, ainda mais tosca e vergonhosa para nossa sociedade, que é quando algumas pessoas que não têm nenhum talento ganham espaço na mídia, esse espaço tão importante na formação dos jovens, para exibir exatamente seu vazio, sua falta de talento, seu "nada" pessoal. Ou seja, quando a pessoa vira celebridade porque é burra, porque é incapaz, porque é bizarra. Chegamos ao cúmulo de vibrar com a falta de talento, a estupidez e a incapacidade.&lt;br /&gt;Mas talvez haja algo ainda pior, que não merece muito comentário, que é quando uma pessoa que não representa nem acrescenta nada ganha esse espaço da mídia fazendo... nada. Os fotógrafos esmeram-se em tirar fotos da pessoa fazendo... nada. As revistas trazem manchetes sobre a pessoa fazendo... nada. Você lê uma chamada na internet, ou um anúncio numa coluna de revista de jornal sobre a pessoa fazendo... nada.&lt;br /&gt;É claro que surgem milhões de pessoas que decidem, de uma hora para outra, que, se não é preciso fazer nada para ganhar dinheiro e ser reconhecido, elas também podem. E essas pessoas aceitam qualquer coisa que se lhes dê, aceitam fazer qualquer papel, aceitam qualquer enrascada ou armadilha para conseguirem atingir esse nível ideal de inutilidade premiada. Isso só pode ter um nome, que o Maurício Tavares usa muito bem: subcelebridade.&lt;br /&gt;É claro, também, que figuras como essas dependem muito mais do investimento midiático, da compra de espaços de aparição pública, das mentiras criadas em torno de sua vida, que da produção de algo com qualquer valor social ou estético.&lt;br /&gt;Mas, voltando ao segundo parágrafo, eu me pergunto: esse espaço da mídia, que é caro, importante, influencia cabeças, tem um significado coletivo; esse espaço que guia, manipula e pauta a opinião pública; esse espaço que tem função educativa, política, ética; esse espaço pode ser ocupado pelo nada?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2521739933294484119?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2521739933294484119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2521739933294484119' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2521739933294484119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2521739933294484119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2011/01/as-subcelebridades-e-o-nada.html' title='As subcelebridades e o nada'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2308905572788048309</id><published>2010-12-31T15:26:00.001-08:00</published><updated>2010-12-31T15:51:13.002-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ano novo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mudanças'/><title type='text'>O ano que se vai</title><content type='html'>Em 2010, eu me mudei para uma casa minha e de minha mulher, no centro de São Paulo. Descobri alguns limites (físicos e psicológicos) importantes. Superei dois cálculos renais de 15mm, não sem muita luta, dor, e apoio de quem me ama. Ministrei o melhor curso de minha vida, Literatura Portuguesa 1, com foco em Camões. Descobri que posso cantar, e que tenho escritos publicáveis. Fiz uma disciplina sobre canção popular com Luiz Tatit que mudou tudo o que eu pensava sobre música popular. Divorciei-me oficialmente. Terminei todas as disciplinas EAD do curso de Pedagogia da Uninove, mas não consegui terminar todos os estágios, nem o TCC. Cuidei de seis disciplinas em plataforma EAD na FIP, e aprendi um pouco mais sobre essa modalidade de ensino.&lt;br /&gt;Algumas coisas também ficaram para trás. O ano de 2010 foi meu último ano de trabalho na EMEF Dona Chiquinha Rodrigues, e meu último ano de residência no Campo Belo, alojado pelo inesquecível Senhor Alberto. &lt;br /&gt;Algumas coisas que ainda não colhi em 2010 esperam-me em 2011. Continuarei meus estudos sobre canção, almejando doutorado. Esperarei algumas chamadas de concursos realizados. Resolverei minhas pendências com a Uninove e conseguirei minha terceira graduação. Tenho, ainda, muitas expectativas em relação a novas perspectivas profissionais, e em relação à pós graduação em CIEJA, que inicio em fevereiro. &lt;br /&gt;2010 foi um ano de muita sementeira, muita espera, e também muito sofrimento. Para um batalhador, como eu, teimoso, insistente, sempre apto a ir até o fim em todos os assuntos da vida, foi um ano de incomparável aprendizado. Mas eu quero mais e melhor. Dos frutos que sei que colherei em 2011, ainda extrairei sementes para novas sementeiras. &lt;br /&gt;A grande lição de 2010 foi: cuide bem de si mesmo, pois isso depende mais de você que de qualquer outra pessoa. Se eu não cuidar de mim, não posso cuidar de mais ninguém. &lt;br /&gt;Que venha 2011. Eu me sinto pronto. Não por ter todas as armas, mas por estar apto a aceitar todos os fados.&lt;br /&gt;Feliz ano novo a todos os meus leitores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2308905572788048309?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2308905572788048309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2308905572788048309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2308905572788048309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2308905572788048309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/o-ano-que-se-vai.html' title='O ano que se vai'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-942338018215164998</id><published>2010-12-31T15:17:00.002-08:00</published><updated>2010-12-31T15:18:01.649-08:00</updated><title type='text'>Feliz 2011</title><content type='html'>Feliz 2011 a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-942338018215164998?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/942338018215164998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=942338018215164998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/942338018215164998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/942338018215164998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/feliz-2011_31.html' title='Feliz 2011'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8992936003381334896</id><published>2010-12-29T18:37:00.000-08:00</published><updated>2010-12-29T18:44:07.172-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Índice da série "Balanço da eleição"</title><content type='html'>Acabo de finalizar a série de postagens "Balanço da eleição". Para que não seja lida de trás para frente, esquematizei a sequência correta, já linkada, para quem tiver a disposição de acompanhar o raciocínio até o fim. Sei que o assunto já deu, mas acho que o esgotamento possibilita, no fim das contas, uma análise mais lúcida, menos apaixonada do que ocorreu. Segue a lista das postagens, conforme o prometido no plano, há mais de mês. Para ler, basta clicar em cima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/11/balanco-da-eleicao-1-campanha-do-medo.html"&gt;a campanha do medo&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;2) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/11/balanco-da-eleicao-2-campanha-da-midia.html"&gt;a campanha da mídia&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;3) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-3-o-menosprezo-do.html"&gt;o menosprezo do adversário&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;4) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-4-ausencia-dos.html"&gt;a ausência geral de programas&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;5) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-5-questao-do-aborto.html"&gt;a questão do aborto&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;6) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-4-as-derrotas-da.html"&gt;as derrotas da democracia&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;7) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-7-as-pesquisas.html"&gt;as pesquisas&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;8) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-8-o-presidente-lula.html"&gt;o presidente Lula&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;9) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-9-religiao-e-o.html"&gt;a religião e o estado laico&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;10) &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-10-as-minhas.html"&gt;as escolhas que fiz e por que as fiz&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro blogue: &lt;a href="http://professordevalor.blogspot.com/2010/11/o-caso-da-bolinha-de-papel-ou-fita.html"&gt;o caso da bolinha de papel&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado a todos pelas leituras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8992936003381334896?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8992936003381334896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8992936003381334896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8992936003381334896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8992936003381334896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/indice-da-serie-balanco-da-eleicao.html' title='Índice da série &quot;Balanço da eleição&quot;'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-124119492533993308</id><published>2010-12-29T18:21:00.000-08:00</published><updated>2010-12-29T18:25:37.122-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição -10 - As minhas escolhas</title><content type='html'>Eu sempre voto, pois creio que, por mais defeitos e imperfeições que carregue, a democracia não é uma farsa. Ela pode ser insuficietne, excludente, cheia de problemas, mas ela é sempre um indicativo mais seguro e honesto que as outras formas de representação. Por isso, não voto nulo, e também tenho consciência de que faço uma escolha entre as possibilidades oferecidas, e não uma adesão cega a uma ideologia. Posso criticar quem ajudei a eleger, sem problemas. Faz parte do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para deputado estadual, votei em Eduardo Amaral, do PSOL, porque o conheço muito bem (fui seu colega na Faculdade de Filosofia) e sei de sua defesa apaixonada pela educação pública, gratuita e de qualidade. Sei também que ele faria oposição consciente e consistente à gestão Alckmin nessa área (eu já tinha bem claro que Alckmin seria eleito). Votei na pessoa, com ressalvas em relação ao partido, e ele não se elegeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para deputado federal, votei em Ivan Valente. Também um coerente defensor da educação, Ivan fez um bom papel na última legislatura, e achei que ele merecia um segundo mandato. Eu tinha dúvidas sobre a eleição de Dilma, então achei que um deputado do PSOL seria oposição em qualquer circunstância, e a causa da educação não estava bem representada em nenhuma das candidaturas com chance de vitória. As mesmas ressalvas ao partido que fiz no caso do Eduardo valem para o Ivan, que conseguiu se eleger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para governador, votei em Aloísio Mercadante, porque representava uma possibilidade de rompimento com a sequência de governos tucanos em São Paulo, que, para mim, já esgotou sua viabilidade. Não gosto do que Aloísio pensa em relação à educação, aprovo sua visão de segurança pública e tenho ressalvas ao PT paulista, que não se estendem ao PT nacional. As outras opções, considerei-as incógnitas políticas: Skaf e Russomano (este último, sem chance, por estar na legenda de Maluf). Aloísio não foi eleito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para senadores, votei em Marta Suplicy, por suas ideias sempre arrojadas e por ter gostado de sua atuação como prefeita, e em Marcelo Henrique, do PSOL, por exclusão e quase como um voto na legenda. Excluí da lista Aloysio, por ser tucano, Quércia (descanse em paz), pela administração questionável, Tuma (descanse em paz), por discordâncias fundamentais, e Netinho, embora fosse o segundo nome da coligação do PT, por considerá-lo fraco como artista, como figura pública e, principalmente, como vereador, sendo sua candidatura mero oportunismo eleitoral do PC do B. Sobrou votar na pequena esquerda, e entre PCO, PSTU, PV e PSOL, fiquei com o último. Ok, PV não é de esquerda, não nesse momento, concedo. Marta foi eleita, Marcelo Henrique, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para presidente da República, votei em Dilma Roussef, porque estava satisfeito com o governo Lula e não via perspectivas reais de continuidade com melhoria nem em Serra, nem em Marina. Admiro Marina como figura pública, mas considerava impossível que ela governasse com a configuração de Congresso que se desenhava, e tinha sérias dúvidas sobre a formação de sua equipe, que, no final, é quem governa. Não considerei a hipótese de votar em José Serra porque, a despeito de respeitá-lo como figura pública e político tarimbado, entendi que sua coligação abrigava o que havia de pior e mais atrasado no conservadorismo brasileiro. Dilma foi eleita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me arrependo de nenhum voto, porque papai dizia que só devemos nos arrepender do que não fizemos. Mas não estou seguro de nada, e entro em 2011 como um genuíno cidadão brasileiro, apto a cobrar resultados e exigir o cumprimento das plataformas dos nossos representantes. Espero poder continuar contribuindo com a democracia mesmo depois do final das eleições.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-124119492533993308?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/124119492533993308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=124119492533993308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/124119492533993308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/124119492533993308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-10-as-minhas.html' title='Balanço da eleição -10 - As minhas escolhas'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-6755394225266473292</id><published>2010-12-29T17:43:00.001-08:00</published><updated>2010-12-29T17:49:33.498-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 9 - A religião e o Estado</title><content type='html'>A dois dias da vitória de Dilma Roussef, quando a eleição encaminhava-se já sem grandes sobressaltos para a confirmação do que as pesquisas vinham apontando nas semanas anteriores, uma orientação do papa Bento XVI indicava ser legítimo à Igreja intervir em questões políticas, guiando o voto dos fiéis. Não sou Católico, embora tenha passado por quase todos os sacramentos, e considero legítimo, sim, que as Igrejas, enquanto instituições religiosas, se pronunciem sobre os assuntos que entenderem importantes do ponto de vista da fé. Mas uma coisa me incomodou muito, muito mesmo.&lt;br /&gt;O grande debate do início do segundo turno da eleição foi a já aqui analisada questão do aborto. E, dentro desse debate, víamos as instituições religiosas pronunciarem-se de forma taxativa e absoluta, por meio de seus líderes locais, dizendo que candidatos X ou Y não mereceriam o voto por se colocarem em posição não taxativa ou dúbia em relação a essa questão. Vejo desequilíbrio nesse caso. Isso não é orientação. Orientação seria pedir para que os devotos considerassem também essa questão na hora de votar. Definir para o devoto em quem ele deve votar é fazer propaganda política, é tomar partido explícito e justificar por razões de fé. &lt;br /&gt;Mas esse desequilíbrio do líder parece-me ter uma raiz no desequilíbrio psicológico da sociedade em geral. Não considero normal que uma pessoa, por mais fé e devoção que tenha, defina seu voto pela fala de um padre ou de um pastor. É claro que ninguém se considera em condições de debater com Deus, mas considerar os líderes religiosos como infalíveis e inquestionáveis representantes de Deus na Terra é assustador numa sociedade democrática e pluralista. Até porque, dentro das mesmas Igrejas, diferentes pastores e padres fazem diferentes pregações, abordam diferentes temas, têm diferentes visões de mundo.&lt;br /&gt;Parece-me, entretanto, que esta eleição revelou à sociedade civil seu inimigo ideológico mais nocivo: o fundamentalismo religioso. Enquanto ele foi utilizado para arrancar dinheiro de fiéis, ou garantir presença em grandes eventos, ou realizar grandes intervenções coletivas, ele não pesou politicamente, não incomodou, permaneceu como uma incógnita. Mas, convocado pela campanha de Serra, esse modo doentio de encarar a realidade revelou ser a visão de mundo de milhões de brasileiros, em várias partes do país. A relevância política do fundamentalismo religioso poderia ser encarada como mais uma das forças de mobilização da sociedade, mas existe algo nela que me incomoda em particular, que é o fato de que a palavra religiosa dos líderes não é alvo de crítica, especulação, debate, ou contestação possível. &lt;br /&gt;A intervenção do papa Bento XVI é, na verdade, correspondente às dos pastores evangélicos em suas áreas de influência, com a diferença de que o Catolicismo é mais centralizado. E ela se dá num contexto histórico específico: a Igreja Católica está se aproximando do fundamentalismo e está disposta a exercer maior influência política nos países em que predomina. Essa é uma equação tão perigosa quanto a associação de quadros dos partidos às igrejas evangélicas, resultando, como se sabe, em dúzias de concessões de rádios e emissoras de TV para as mesmas.&lt;br /&gt;Eu acredito em Deus e considero Jesus Cristo a figura mais fascinante da Humanidade. Posso discutir minhas crenças e meus valores relacionados ao que tenho de mais místico, sem nenhum problema. Mas entendo, perfeitamente, que a religião oferece-me uma visão alegórica, incompleta, necessariamente parcial da realidade. A religião não é o arbítrio, a religião não é a verdade. Podemos nos conduzir por ela, mas ainda seremos nós os condutores, e ela, o instrumento. O fundamentalismo religioso tira do indivíduo sua responsabilidade sobre o mundo e sobre si mesmo, porque lhe oferece escolhas prontas, e não elementos para que ele as realize.&lt;br /&gt;Nesse contexto, combato, em nome da democracia, todo e qualquer tipo de fundamentalismo religioso, e toda ação que se encaminhe para isso. Assim como considerei suja e inconsequente a campanha que demonizava Dilma como abortista e Temer como anticristo (o fundamentalismo tem muito de imbecil, como nesse caso), considerei inoportuna a intervenção de Bento XVI. Ele poderia ter dito isso depois da eleição, ou bem antes dela. Não foi coincidência, foi uma tentativa de medir poder. Eu posso criticar o papa porque não sou católico, e não sou candidato a nada neste Brasil majoritariamente católico, mas acho que as palavras do católico presidente Lula são perfeitas como resposta: "o Brasil é um Estado laico". E tem de ser um Estado laico. E num Estado laico, as Igrejas são respeitadas, têm liberdade para suas pregações e seus ensinamentos. O Estado respeita a religião.&lt;br /&gt;Por isso, a contrapartida precisa ser verdadeira: a Igreja precisa respeitar o Estado. Precisa respeitar os processos democráticos, que implicam divergências, debates, convivência de opiniões contrárias. Se a Igreja quer contribuir com o jogo democrático, e, em consequência, com o Estado, pode adentrar nesse campo para oferecer subsídios às divergências, aos debates, às opiniões que se contradizem. Se a Igreja, entretanto, entende que deve entrar no jogo com as cartas marcadas, aproveitando-se da liberdade que tem em relação ao Estado para diminuir o espaço do embate de ideias, creio que presta um desserviço à democracia, e desvia-se de sua função precípua, que é a condução da humanidade por um caminho mais digno e edificante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-6755394225266473292?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/6755394225266473292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=6755394225266473292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6755394225266473292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6755394225266473292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-9-religiao-e-o.html' title='Balanço da eleição - 9 - A religião e o Estado'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2144382453889348663</id><published>2010-12-29T16:56:00.000-08:00</published><updated>2010-12-29T17:01:53.730-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presidente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 8 - O presidente Lula</title><content type='html'>Escrever um texto sobre o peso do presidente Lula na eleição de 2010 seria chover no molhado. Lula foi a eleição. Mesmo considerando todos os méritos de Dilma Roussef, e não são poucos, sem o apoio e a participação do presidente na campanha ela não teria a mínima chance contra José Serra. Dilma não era conhecida, não era uma figura popular e, como Serra, não transparecia aquele carisma que é a marca inegável do atual presidente. &lt;br /&gt;A alguns dias do primeiro turno, Mônica Waldvogel (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=twsJstl15GU"&gt;vídeo editado aqui&lt;/a&gt;, o não editado é encontrável também) entrevistou dois cientistas políticos conceituados, perguntando a eles quais seriam as estratégias da candidatura Serra para evitar a derrota. Eles não sabiam dizer, e consideravam improvável um resultado que não fosse a vitória de Dilma. Mônica chegou a se irritar com o que afirmavam os especialistas, mas eles faziam, ali, seu papel de intelectuais: analisando os fatos, a verdade é que o apoio de Lula definiria a eleição. Mesmo nos momentos iniciais do segundo turno, quando o jogo parecia ter embolado, não houve nenhuma diferença entre Serra e Dilma que indicasse qualquer outro resultado que não a vitória da ministra. &lt;br /&gt;Quem deu a resposta que Mônica queria foi a equipe de campanha de Serra. Era preciso atacar Dilma, e tomar cuidado para não atacar Lula. A tática funcionou. A figura de Dilma, descolada da de Lula, passou a ser sistematicamente atacada no ethos, no caráter, na essência. O golpe foi forte e baixo, como sabemos, e, associado ao crescimento da não-atacada Marina, construiu as condições para o segundo turno. &lt;br /&gt;Mas no segundo turno, Lula engajou-se ainda mais, ganhando as ruas com sua candidata, atacando Serra no caso da bolinha de papel, mostrando-se o grande fiador de sua criação. Serra ficou de mãos atadas, pois não poderia apresentar-se como adversário de uma figura com tamanha aprovação popular. &lt;br /&gt;A associação de Dilma com a continuidade da gestão de Lula era tão evidente que a vitória da ex-ministra foi concomitante ao atingimento dos mais altos índices de aprovação por parte de Lula. Expondo-se publicamente, aparecendo na campanha, Lula se tornou ainda mais popular.&lt;br /&gt;É impossível não considerar Lula como o grande vitorioso da eleição. Fernando Henrique Cardoso conseguiu duas vitórias contra Lula, mas Serra fez de tudo para se desvincular de sua imagem quando disputou as eleições pelo PSDB. FHC não tinha condições políticas de fazer seu sucessor, e isso era decorrência dos problemas de administração no seu segundo mandato. Lula, pelo contrário, fez sua sucessora, e fez isso com alguém que não tinha, em 2010, nem um décimo da popularidade que Serra já tinha em 2002. &lt;br /&gt;Se quisesse, Lula conseguiria um terceiro mandato. FHC mudou a Constituição e fez uma série de desastrosas negociações para conseguir seu segundo mandato, que acabou manchado pelos compromissos políticos assumidos para obtê-lo. Lula, ao contrário, tinha o trabalho de negar que pensava em mudar a Constituição e candidatar-se mais uma vez para uma vitória certa, possibilidade que era aventada por pesquisas que indicavam que a maior parte da população tinha esse desejo. Inteligentemente, e com a preocupação de consolidar as instituições democráticas, Lula preferiu o caminho da construção paulatina de um sucessor. Os tucanos não acreditavam nessa aposta, e declararam, várias vezes, que Dilma não poderia vencer um político já tão conhecido e tarimbado como José Serra. Dilma não poderia, evidentemente, mas Lula pode. E venceu. &lt;br /&gt;Esta foi a primeira eleição direta, desde o fim do regime militar, em que o nome de Lula não aparecia na cédula. Mas, depois das derrotas para Collor e FHC, e das vitórias sobre Alckmin e Serra, parece que a candidatura Lula se tornou permanente, vitalícia, sendo apresentada como dele mesmo ou como de um representante de sua forma de governar. Em 2014, saberemos se essa perspectiva se consolida, ou se o povo esquecerá os 87% de aprovação de seu líder mais carismático.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2144382453889348663?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2144382453889348663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2144382453889348663' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2144382453889348663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2144382453889348663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-8-o-presidente-lula.html' title='Balanço da eleição - 8 - O presidente Lula'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4405436439769911869</id><published>2010-12-29T15:49:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T09:44:58.394-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presidente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pesquisas'/><title type='text'>Balanço da eleição - 7 - As pesquisas</title><content type='html'>Um dos temas mais comentados durante toda a eleição foram as discrepâncias de números entre as principais pesquisas de opinião, o IBOPE, o Datafolha, o Sensus, o Vox Populi. Muitos dilmistas achavam os números do Datafolha e do Ibope incoerentes com a ascensão da candidata petista, mostrando saltos bruscos e vertiginosos. Os serristas consideravam o instituto Sensus e o Vox Populi como sem credibilidade, especialmente o último, por ter sido o que mais distante ficou do resultado de urna do primeiro turno.&lt;br /&gt;Vamos aos fatos. O primeiro turno apresentou, em seu final, um quadro de queda da candidatura Dilma e de ascensão da candidatura Marina. Esse quadro se acentuou nos últimos dias, e os institutos mostram tendências, não resultados efetivos. Todos os institutos mostraram essa tendência, embora nenhum deles tenha conseguido prever onde ela acabaria. No resultado final das urnas, houve uma surpresa, mas nada que não estivesse sendo detectado, inclusive como possibilidade real, pelas pesquisas. &lt;br /&gt;Muitos aproveitaram esse momento para desqualificar e vilipendiar os institutos de pesquisa. Curiosamente, uma semana depois, estavam os dois lados da briga lá, em frente à telinha, esperando ansiosamente as novas informações advindas das fontes que desqualificaram.&lt;br /&gt;O segundo turno mostrou um índice de acerto muito maior das pesquisas. Umas acertaram em cheio, outras dentro da margem de erro. Institutos de pesquisa vendem credibilidade, e não podem errar de forma grosseira em hipótese nenhuma. Pode ser que uma ou outra pesquisa tenha tido um acerto aqui, ou um erro ali, mas os institutos não podem manipular tão descaradamente a informação, sob pena de perderem o cliente, que quer dados confiáveis.&lt;br /&gt;No geral, os institutos acertaram, como era de se esperar. Na maioria das vezes, eles acertam.&lt;br /&gt;O que me chamou a atenção, entretanto, foi a exagerada relevância dada pela mídia e pelas equipes e apoiadores dos candidatos às pesquisas de opinião. Os marqueteiros pautaram nelas a propaganda política, inclusive as guinadas ideológicas, o que eu considero absurdo. Pesquisas indicam tendências, mas candidatos não são meros produtos do mundo do espetáculo. Há muito mais em jogo que a adequação aos padrões psicológicos imediatos do inconsciente coletivo. Dois anos antes da eleição, a Folha publicava pesquisas com José Serra na frente. Que importância tem a posição de um candidato numa pesquisa realizada dois anos antes da eleição? A um mês da eleição, Dilma estava com o dobro dos votos de Serra nas pesquisas, e o PT considerava a eleição ganha. Quem pode vencer uma eleição um mês antes? E, acima de tudo isso, que raio de postura política é essa que não confia nos próprios valores, tentando reencapá-los cada vez que um sinal de derrota é evidenciado?&lt;br /&gt;A única pesquisa que tem valor definitivo é a da urna. As outras receberam mais atenção que essa, injustamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4405436439769911869?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4405436439769911869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4405436439769911869' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4405436439769911869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4405436439769911869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-7-as-pesquisas.html' title='Balanço da eleição - 7 - As pesquisas'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-7731633189676507731</id><published>2010-12-29T15:10:00.000-08:00</published><updated>2010-12-29T18:49:59.480-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='partidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='democracia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 6 - As derrotas da democracia</title><content type='html'>As postagens anteriores já apontaram alguns dos fatores que considerarei como problemáticos para as instituições democráticas, dentre eles a cobertura tendenciosa da mídia, a exploração fundamentalista de questões importantes, a ausência dos planos de governo, a agressividade desenfreada no lugar do debate de propostas. Quero ressaltar, entretanto, que o próprio fato de conseguirmos eleger, por decisão soberana, um presidente da República pela sexta vez seguida é notável, dada a nossa extensa lista histórica de ditaduras e eleições com cabresto. No saldo geral, é evidente que a democracia venceu. Mas creio terem havido algumas baixas nessa batalha.&lt;br /&gt;Além das questões que citei no parágrafo anterior, creio que saímos desta eleição com um vazio de pautas. Há duas tendências hegemônicas na política brasileira: o lulismo-petismo, e a tucanagem. Ambas amadureceram politicamente e construíram seus espaços, maiores ou menores conforme a oportunidade. Entretanto, ambas as tendências são muito mais estruturas de agrupamento ideológico para manutenção do poder que correntes de sensibilidade política, ou algo que valha. Elas digladiam-se entre si, mas não por ideias, propostas, busca de pontos em comum, convicções. Soninha saiu do PT e apoiou Serra para presidente; mudou radicalmente de lado sem maiores consequências, em menos de dois anos. Gabriel Chalita fez o caminho inverso: pulou do PSDB para a campanha de Dilma, chegando a ajudá-la na questão do aborto. Roberto Freire, uma das mentes mais lúcidas do comunismo brasileiro, descambou para um antilulismo estranho, tosco, infeliz. É perfeitamente possível que as pessoas mudem de opinião, mas é curioso notar como elas pulam livremente de um lado para o outro sem pudores ou tempo de maturação/adaptação. Para mim, isso é sinal de que qualquer um dos lados pode abrigar e acomodar o discurso de Soninha, de Chalita, de Freire, exatamente porque não há convicção programática, política ou ideológica nem no bloco lulista, nem no antilulista. Os blocos são grandes guarda-chuvas políticos, e não agrupamentos por valores e modos de compreender o mundo. Evidentemente, há diferenças, e elas não são poucas nem desprezíveis; mas há, também, muitas semelhanças, há consensos possíveis, há valores em comum. Há muita coisa que às vezes pode até ruir em função das rusgas e trincheiras pelo poder.&lt;br /&gt;Eu espero há tempos uma terceira via, uma uma via alternativa, um projeto novo de poder e de sociedade, que possa mostrar-se digno da confiança da população. Marina pareceu a muitos essa alternativa, mas ela ficou no meio termo, acenando ora para um lado, ora para o outro, e não chegou a apresentar algo efetivamente novo. Até porque, vencendo, ela teria de compor com essas tendências hegemônicas, e seria muita cara de pau negá-las completamente nessas condições. O PSOL tem quadros interessantes, mas seu programa ainda não me convenceu por completo.&lt;br /&gt;Enfim, torço para que os próximos anos vejam o surgimento de novas forças políticas e o crescimento de partidos com propostas inovadoras. Porque senão, a julgar por esta eleição, os debates serão ainda mais pobres em matéria de ideias. E democracia, para mim, é muito mais a possibilidade de existência de minorias que a garantia da vitória das maiorias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-7731633189676507731?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/7731633189676507731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=7731633189676507731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7731633189676507731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7731633189676507731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-4-as-derrotas-da.html' title='Balanço da eleição - 6 - As derrotas da democracia'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1282437528247998623</id><published>2010-12-27T16:20:00.000-08:00</published><updated>2010-12-27T16:35:54.762-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aborto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presidente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 5 - A questão do aborto</title><content type='html'>Aproveitando a (&lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-4-ausencia-dos.html"&gt;já comentada&lt;/a&gt;) ausência do programa partidário petista como projeto de governo, o final do primeiro turno assistiu a uma das mais bem montadas armadilhas políticas de que já tive conhecimento. Trata-se da questão do aborto.&lt;br /&gt;Para explicar o porquê de considerar essa questão uma armadilha política, tratarei do assunto com um pouco mais de abrangência, explicitando minha posição íntima, minha posição de cidadão, minha compreensão da profundidade da questão, a posição dessa discussão no debate político e as razões pelas quais considerei a forma como esse debate foi conduzido uma leviandade eleitoral.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, explicito minha posição particular. Não sou a favor do aborto por convicções religiosas e filosóficas, e por experiências que tive em minha vida, que sempre me indicaram que a interrupção da gravidez devesse ser a última opção. Acho que não preciso entrar em detalhes nesse caso.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, explicito minha posição como cidadão. Sou a favor da descriminalização do aborto até o quarto mês da gravidez. Explico. Minhas convicções particulares, exatamente por serem particulares, não podem ser estendidas para toda uma sociedade. As mulheres abortam por inúmeras razões, desde econômicas até físicas. Não é possível estabelecer, para cada caso, uma lei específica, que diga respeito à situação em questão. Além disso, é preciso ser razoável. O aborto já é ilegal e continua sendo praticado. Não é a permissão ou proibição da lei que mudará a prática do aborto na sociedade. Mas a proibição tem grandes desvantagens, como o despreparo dos hospitais para atender às mulheres que abortam, o estabelecimento de níveis diferenciados de assistência para mulheres pobres e ricas, a impossibilidade de atuar sobre o grande número de complicações pós-aborto que costumam ocorrer, a impraticabilidade de uma oferta de assistência educacional e financeira do estado para as mulheres que manifestassem dúvida em realizá-lo. Por tudo isso, e por entender que a descriminalização é, na verdade, uma forma de salvar vidas (de mães e filhos), porque permite maior atuação do Estado, creio que esta seja a melhor saída nos dias atuais.&lt;br /&gt;Devo deixar claro aqui, ou, no caso de já estar claro, devo explicitar com mais ênfase que não sou abortista por convicção, mas acredito que o aborto seja muito mais um problema de saúde e educação que de legislação criminal.&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, é preciso compreender que essa é uma questão muito profunda e delicada. Alguns pontos precisam ser discutidos quando se fala de aborto, e esses pontos tendem a ser pouco pacíficos. Alguns deles: o que é o direito à vida e até onde ele pode ser estendido? O que é o direito da mulher sobre seu próprio corpo? Qual a obrigação do Estado diante da iminência do nascimento de um novo cidadão? Por que o aborto é uma prática social tão disseminada? Quais são as ações educacionais que devem ser tomadas para garantir uma decisão esclarecida das mulheres? Quais são as ações que devem ser tomadas para garantir o aborto, caso seja legalizado, como direito para as mulheres que querem realizá-lo? Instituições vinculadas a grupos religiosos podem se recusar, por princípios éticos, a realizar abortos em hospitais que financiem? O Estado é laico mesmo quando a sociedade é religiosa? O código de ética dos médicos garantiria o direito dos mesmos a fazer ou não fazer a intervenção abortiva?&lt;br /&gt;E haveria mais uma penca de perguntas a se fazer, porque há muitos problemas envolvidos. Essa questão exigiria um amplo debate nacional, uma mobilização permanente de vários setores da sociedade, uma disposição de ouvir religiosos e laicos, esquerdistas e direitistas, engajados e alienados, e tentar encontrar soluções, se não consensuais, pelo menos mais abrangentes. Não seria possível reduzir uma discussão tão profunda e importante a uma questão legal, e muito menos querer encontrar uma solução definitiva levantando-a como bandeira no meio de um debate polarizado e programaticamente pobre como foi o do pleito presidencial.&lt;br /&gt;A última afirmação requer certo cuidado no texto. Alguém poderia contra-argumentar: "mas o aborto é uma questão social importante, e devemos saber o que os candidatos pensam a respeito". Não tenho dúvidas disso. O problema é que a questão do aborto não foi apresentada como um tópico de discussão entre outros, mas sim como uma questão resolvida, encerrada e evidente por si mesma, por meio da qual se distinguiriam as pessoas do bem (contrárias ao aborto) e as do mal (favoráveis). Foi uma questão usada pelas linhas auxiliares do candidato Serra para demonizar a candidata Dilma Roussef. &lt;br /&gt;Essa utilização de um tema como definidor dual do caráter dos seres humanos como alinhados ao bem ou ao mal pode ser tranquilamente associada ao grande câncer dos tempos modernos: o fundamentalismo. É notoriamente fundamentalista a abordagem utilizada para a questão do aborto. Só é do bem, só é bom, só tem caráter, coração, decência, quem for explicitamente contra. Tanto é que Dilma, percebendo a enrascada em que a haviam enfiado, declarou-se contra, assinou documentos mostrando que era contra, posicionou-se contra, e ainda foi cobrada... por ter mudado de ideia! O fundamentalismo é assim: ninguém pode mudar de ideia, ninguem pode titubear, ninguem pode dizer que não tem posição definida. Nenhuma posição é legítima se não for a que o fundamentalismo considera legítima.&lt;br /&gt;O leitor deve se lembrar do horror que eram os e-mails antiabortistas. Eram uma ramificação religiosa da campanha do medo, utilizando tons ameaçadores, fotos repugnantes, imprecações desmedidas. É assim que se deve discutir uma questão de saúde pública, que envolve vidas, posturas, opções?&lt;br /&gt;Dito isso, exponho o que coloco em quarto lugar na sequência do texto. Creio que o debate político deve tratar de questões como aborto, eutanásia, suicídio, depressão, síndrome do burnout, e outras, sim. Mas creio que deva tratá-las como questões de saúde pública, em princípio, e de interesse social, em um segundo momento. Esta não pode ser uma questão de sim e não, de certo e errado, de puros e impuros, ou de qualquer radicalização que a desfigure. As pessoas precisam conhecer argumentos, números, conjunturas, ideias diferenciadas, projetos de melhorias para a área da saúde. A razão precisa sobrepor-se ao medo nesse caso. Uma eleição presidencial não é um plesbiscito. Uma questão como a do aborto não seria resolvida, jamais, pela eleição de Serra, Dilma ou Marina, longe disso. Essa questão deve estar atrelada a uma política de saúde e assistência social, que oferece muito mais resultado que uma mudança na lei. &lt;br /&gt;Concluo, então, argumentando pela leviandade do que aconteceu na última eleição. A questão foi apresentada de forma leviana, como já resolvida, e como definidora do caráter moral dos candidatos. A questão foi discutida de forma leviana, porque causou estrago nas pesquisas, e porque proporcionou mais respostas vazias que indagações pertinentes. A questão atacou a democracia de forma leviana, ao invocar o fantasma do fundamentalismo religioso e dos radicalismos de direita, adormecidos no inconsciente coletivo do brasileiro. A questão saiu da mídia de forma leviana, quando a eleição acabou, como se sua importância dissesse respeito apenas à possibilidade de influenciar um resultado de urna.&lt;br /&gt;A presidenta Dilma Roussef conseguiu uma grande vitória nas urnas, apesar de ter sido colocada em xeque por essa armadilha eleitoral. Entretanto, sua vitória não apaga a tremenda derrota da sociedade civil ao ver uma questão como essa ser tratada de forma tão baixa e perigosa. O posicionamento cuidadoso e temeroso de Dilma durante a campanha é índice claro dessa derrota.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1282437528247998623?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1282437528247998623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1282437528247998623' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1282437528247998623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1282437528247998623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-5-questao-do-aborto.html' title='Balanço da eleição - 5 - A questão do aborto'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1732604460123589212</id><published>2010-12-27T13:44:00.000-08:00</published><updated>2010-12-27T13:49:05.716-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presidente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pauta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 4 - A ausência dos programas de governo</title><content type='html'>Outra das características fortes do pleito presidencial de 2010 foi o debate sem pauta. Nós não tivemos acesso aos planos de governo, mas sim às listas de intenções políticas de cada pleiteante. Talvez em função da polarização partidária, talvez em função do medo de fechar questão em pontos polêmicos, a verdade é que se se perguntasse a um petista, um tucano ou um verde, mesmo a poucos dias da eleição, quais eram as propostas efetivas para áreas como Educação, Saúde, Energia, Desenvolvimento Urbano, ninguém sabia dizer. &lt;br /&gt;Essa falta de programa oficial, ou de pauta clara de opções administrativas e políticas, foi marca de todas as candidaturas. Os eleitores sabiam mais ou menos de que lado estava cada um dos atores, mas quase ninguém poderia dizer que implicação isso teria em questões específicas, porque as propostas, quando haviam, eram tão gerais que abrigavam também seus contraditórios. Dizer que a educação é prioridade, todos disseram, por exemplo. José Serra prometeu um milhão de vagas nas Escolas Técnicas. Mas o eleitor não ligou para isso. Por quê? Por várias razões. Em primeiro lugar, por conhecer gestões tucanas anteriores e saber que o investimento em educação nunca foi tão vultoso (na gestão FHC, por exemplo, as técnicas estavam sucateadas). Em segundo lugar, por estar habituado a promessas que não se cumprem, ou se cumprem pela metade, ou são esquecidas, sem cobrança alguma nem por parte da sociedade nem por parte da mídia. Em terceiro lugar, porque a proposta é vazia: criar vagas como? Onde? Ampliando ou construindo novas unidades? Contratando mais professores pelo mesmo salário ou flexibilizando direitos para contratar mais por menos? Não é uma questão que se resolva simplesmente com uma declaração de intenções. É preciso explicitar caminhos. Ampliar as escolas técnicas é, sem dúvida, importante, mas seria prioridade em relação, por exemplo, à formação de professores em universidades públicas, ou à erradicação do analfabetismo funcional nas escolas fundamentais? Ou haveria verba para fazer as três coisas ao mesmo tempo? Decisões implicam ganhos e perdas, sempre, e é preciso que ambos estejam claros para o eleitor. Quando não estão, surge o contraditório: quem defende a Educação pode investir em escolas técnicas e não investir em ensino fundamental? Pode abrir um milhão de vagas e não valorizar profissionalmente o professor?&lt;br /&gt;Esses sinais dúbios foram captados pelo eleitor, que entendeu sagazmente que os candidatos tinham medo do compromisso político. Obama, quando candidato à Presidência dos Estados Unidos, defendeu aberta e publicamente reformas no sistema de saúde, que eram e são polêmicas, e que custaram ataques e ofensivas à sua credibilidade. Ele sempre deixou claro quais seriam essas reformas, o que visavam, a quem atingiriam e de que forma julgava que devessem ser feitas. Uma postura como essa custa alto politicamente, mas oferece ao cidadão a segurança de que se sabe com quem se está lidando. &lt;br /&gt;Creio que nem Dilma, nem Serra, nem Marina, nem Plínio conseguiram oferecer uma pauta mais detalhada, um programa de governo mais explícito em pontos fundamentais. Marina, na reta final, teve mais clareza de posicionamento que os outros, mas mesmo assim o eleitor tinha dúvidas, pois seu partido, o PV, por vezes sinalizava programaticamente ou politicamente na direção oposta à da ex-senadora. Plínio falou de operários, camponeses, tansformações políticas, mas a verdade é que não teve tempo para detalhar como seria um governo de classes populares no contexto atual do planeta. Dilma não tinha programa de governo detalhado, pronto ou definido até o segundo turno; se tivesse, não teria caído na armadilha eleitoral do aborto. Visão administrativa ela obviamente, como cabeça do governo Lula, tinha e tem, mas uma coisa é saber governar, outra é saber convencer a população disso. O PT, embora tenha vencido a eleição, não deu a importância devida a esse contrato programático do governante com o governado, que é um lastro de confiança republicano, e que deveria pautar definitivamente as escolhas políticas que fazemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1732604460123589212?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1732604460123589212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1732604460123589212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1732604460123589212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1732604460123589212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-4-ausencia-dos.html' title='Balanço da eleição - 4 - A ausência dos programas de governo'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8376191724340731299</id><published>2010-12-26T16:25:00.000-08:00</published><updated>2010-12-26T16:35:18.202-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estratégia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presidente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 3 - O menosprezo do adversário</title><content type='html'>Na comunidade "Brasil" do orkut, em dezembro de 2009, um gaiato resolveu comemorar a imensa dianteira que o candidato José Serra tinha nas pesquisas. A essa altura, o tucano pontuava 44%, adjetivados como "inacreditáveis" pelo membro que abrira o tópico.&lt;br /&gt;Quando a eleição se definiu, no segundo turno, em novembro de 2010, Dilma cravara 56% nos votos válidos, contra 44% de Serra. Um petista sacana ou espirituoso deu um "up" no tópico de quase um ano antes, brincando com os números que apareciam nas pesquisas. Gozador, ele encarnava no internauta que saudara os percentuais de Serra, chamando-o de profeta e elogiando a capacidade de acertar índices com tanta antecedência.&lt;br /&gt;O episódio citado serve para mostrar uma das características que fizeram desta uma eleição singular. A verdade é que Serra não acreditou em Dilma, o PSDB não levou a candidatura dela a sério e os gurus políticos do partido erraram monstruosamente ao pensar (e por vezes declarar sem nenhum pudor) que a boa avaliação do presidente Lula não transferiria votos. Faltou aquele bom senso básico de entender que uma eleição só "esquenta" quando os candidatos se definem e passam a ser conhecidos dos eleitores. E mais: faltou respeitar Dilma e o PT. Em certo momento, parecia que os marqueteiros tucanos tinham nos bolsos e nas mangas as fórmulas mágicas que pulverizariam, com denúncias e comparações, toda a possibilidade de Lula fazer seu sucessor. Não se pode tratar assim uma força política da dimensão do PT. Goste-se ou não, o adversário tem força, tem peso, tem armas. Minimizar o potencial eleitoral do outro é um passo para a própria destruição.&lt;br /&gt;E não é que isso aconteceu também com a própria candidatura vencedora? A um mês da eleição, pesquisas indicavam uma diferença gigantesca de Dilma em relação a Serra, advinda de um crescimento assombrosamente rápido. Muitos acharam que o jogo tinha acabado. Eu conversava com petistas de carteirinha e outros menos exaltados, e a sensação geral era de que a rejeição de Serra e a percepção popular de Dilma como continuidade de Lula haviam estabelecido um quadro praticamente irreversível. E foi então que Serra reagiu. Mudou seu programa na TV, parou de tentar associar-se a Lula, partiu para ataques mais inflamados e, principalmente, arquitetou uma subcampanha de bastidores das mais baixas já presenciadas, mas das mais eficientes, sem dúvida. Os marqueteiros de Dilma não deram bola; li recentemente uma entrevista com João Santana, inteligência maior da campanha, em que ele revelava que acreditou na vitória em primeiro turno até o dia da apuração*. O PT tomou um susto com o resultado das urnas, e quase que não reage a tempo diante da chacoalhada. Serra tinha muitos problemas como figura pública de presidenciável, mas menosprezá-lo, duvidar de seu potencial e, sobretudo, não se preparar para um desespero-vale-tudo na reta final por parte dele foi ingênuo demais por parte da campanha de Dilma. &lt;br /&gt;Menosprezar o adversário nunca é bom negócio, porque as forças políticas que se apresentam numa campanha têm história, têm ideias, têm simpatizantes, têm espaço conquistado na democracia. Como diria Luxemburgo: "não tem time bobo mais, não!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Justiça seja feita. Rodrigo Vianna e Renato Rovai, blogueiros pró-Dilma, tinham visões sensatas e sabiam dos perigos do otimismo desenfreado de antes do primeiro turno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8376191724340731299?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8376191724340731299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8376191724340731299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8376191724340731299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8376191724340731299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/12/balanco-da-eleicao-3-o-menosprezo-do.html' title='Balanço da eleição - 3 - O menosprezo do adversário'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3427668742196370502</id><published>2010-11-14T21:01:00.000-08:00</published><updated>2010-11-15T18:06:01.430-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presidente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 2 - A campanha da mídia</title><content type='html'>Já se passaram alguns dias do final do processo eleitoral brasileiro de 2010, e parece-me que muitas das ondas de excitação e inquietação já se abrandam. Entretanto, guardo como incômodo permanente e não sanado pelos resultados de outubro e novembro a percepção de que algo precisa mudar em relação à chamada grande imprensa.&lt;br /&gt;Creio que esta talvez tenha sido a última eleição presidencial que ainda poderia ser decidida pelos grandes veículos (&lt;em&gt;Globo&lt;/em&gt;, jornalões, &lt;em&gt;Record&lt;/em&gt;, megaportais de internete). Em 2012, nas eleições municipais, o perfil já será outro. Em 2014, acredito que a internete já terá criado estruturas muito mais sólidas de manejo de informação, e que estará acessível a muitos mais brasileiros. Em 2010, entretanto, o quadro não era tão descentralizado. As conversas com as pessoas no trabalho, nos encontros e nas ruas evidenciavam que ainda são poucos os que leem os blogues de política, ou espaços alternativos de discussão de ideias, e que, quando leem, dificilmente trazem para o debate face a face as argumentações lidas, porque não reconhecem nessas fontes a mesma credibilidade de outros veículos mais tradicionais. Ou seja: é socialmente conveniente comentar numa roda algo que passou no &lt;em&gt;Jornal Nacional&lt;/em&gt; ou no &lt;em&gt;Globo Repórter&lt;/em&gt;, mas uma informação de um blogue terá menos impacto, porque a audiência na rede é mais dispersa.&lt;br /&gt;Curiosamente, em setembro, eu participara de um fórum de debates de blogueiros e percebera otimismo a respeito das possibilidades para uma nova imprensa jornalística a partir das revoluções digitais da última década. Havia confiança geral de que a movimentação dos blogues na internete poderia fazer contrapeso às distorções propositadas e tendenciosas que a grande mídia veiculava, e de que isso já estaria acontecendo neste ano.&lt;br /&gt;Creio que houve empolgação demais, e pouca cautela. Rodrigo Vianna, do blogue &lt;em&gt;O escrevinhador&lt;/em&gt;, e Luiz Carlos Azenha, do blogue &lt;em&gt;Vi o mundo&lt;/em&gt;, ambos ex-jornalistas da &lt;em&gt;Globo&lt;/em&gt;, não estavam tão otimistas, e tinham toda a razão. O que se viu no segundo turno foi exatamente o contrário do que se dizia entre os blogueiros: as distorções, as calúnias e a falsa informação se disseminaram justamente pela rede, em apoio ao que repercutia a grande mídia, ou até mesmo sem lastro lógico com ela. A grande dose de contaminação negativa e de má fé da informação eleitoral foi ministrada por usuários das facilidades mais banais do mundo virtual, como listas de e-mails, multiplicadores de mensagens para redes sociais, blogues anônimos e afins. As campanhas mostraram-se despreparadas para lidar com esse material difamatório e, mesmo com todas as possibilidades de acesso à informação qualificada que se tem nos dias de hoje, muitas pessoas repercutiram esse lixo pseudojornalístico.&lt;br /&gt;Mas talvez o grande fator complicador deste processo eleitoral tenha sido mesmo o comportamento francamente tendencioso de uma parcela considerável de nossa mídia. Não é segredo para ninguém que o &lt;em&gt;Estadão&lt;/em&gt; declarou apoio a José Serra ainda antes do final do primeiro turno, numa atitude correta e esclarecedora. Esse foi um apoio explícito de um meio de comunicação. Houve também apoios não-explícitos, como os da &lt;em&gt;Folha&lt;/em&gt;, da &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, das &lt;em&gt;Organizações Globo&lt;/em&gt;. Qualquer dos leitores ou espectadores desses veículos concordará com a constatação de que eles estiveram, embora não declaradamente, muito mais próximos da candidatura Serra que da candidatura Dilma. Não chego a ver grande problema nisso, embora considere que não declarar apoio quando se apoia tão evidentemente é uma cautela inútil. Para mim o problema consiste na distorção de fatos e no desequilíbrio das coberturas. Que um órgão de imprensa declare, ou deixe quase declarado, apoio a X ou Y, vá lá. Mas que deturpe fatos, crie montagens fictícias, apresente dados sem verificação, enfim, que DESINFORME o cliente em função da linha editorial, isso é inadmissível. E foi justamente isso o que mais aconteceu, chegando às raias da insanidade, como no caso que gerou o #Dilmafactsbyfolha do Twitter, ou a ficha falsa do DOPS, ou os sete minutos no Jornal Nacional para provar que um objeto maior que uma bolinha de papel havia sido atirado na cabeça do candidato Serra. Se, nas lidas da perscrutação jornalística, se encontrava um problema de extensão real e investigação indispensável, como o das quebras de sigilo, a atuação dos jornalistas limitava-se a estender a repercussão até o ponto em que se pudesse prejudicar a candidatura não preferida; depois, quando se percebia que a coisa poderia ficar feia para os dois lados, simplesmente não se investigava mais. Jornalistas podem e devem ter opinião, ter ideias, ter posicionamentos. Mas não podem fazer campanha dentro do espaço jornalístico, sob pena de perda de credibilidade.&lt;br /&gt;Haveria, entretanto, uma saída honrosa para que se pudesse revelar posicionamentos a partir da informação, ao invés de revelar informações a partir de posicionamentos. A saída seria a explicitação de uma agenda editorial, de uma pauta de valores e princípios que fundamentasse certa lógica de raciocínio e argumentação de produtores de conteúdo. Mas não temos isso na imprensa brasileira em geral. Temos adesões e repúdios, mas não discussão de ideias, de propostas, de projetos. As linhas editoriais são simpatias partidárias, o que coloca a discussão num nível emocional, sentimental, de afecções. Nesse nível, o debate racional fica prejudicado, inclusive a necessária presença da antítese para a produção dialética do conhecimento. A demissão de Maria Rita Kehl do Estadão, por publicar artigo discordante da linha editorial do jornal, mostra o quanto essa postura irracionalista pode ser perigosa para o pluralismo de ideias. Com uma agenda explícita e bem concatenada no lugar de uma postura maniqueísta, o jornal poderia abrigar posicionamentos discordantes em suas páginas sem percebê-los como uma ameaça aos valores que defende ou sustenta.&lt;br /&gt;Mas é o viés irracionalmente tendencioso de nossa mídia que vem predominando, e isso não se relaciona exclusivamente com o período eleitoral. A campanha começou antes da campanha, creio eu. Não há outra forma de explicar a enorme abertura dada a jornalistas e articulistas tão francamente engajados quanto os que vimos encontrando em rádios, TVs, revistas e jornais. Há posições governistas e antigovernistas, há simpatias e antipatias, concordâncias e discordâncias, que se revelam nas intervenções, nas análises, nas reportagens. Mas há posturas inacreditáveis, que redundam em situações que beiram a insustentabilidade. É possível entender o que motiva um jornalista de economia a criticar sistematicamente o governo Lula durante oito anos, mesmo com todos os indicadores apontando para bons resultados? Ou um jornalista de política colocar todas as suas fichas na desarticulação e esfacelamento da candidatura governista num contexto de aprovação recorde do presidente da República? Má fé ou incompetência? Seja o que for, isso tem feito mal à imprensa. As coberturas são desequilibradas, as análises são desequilibradas, e qualquer um que releia revistas e jornais de um ano atrás perceberá que há mais expectativas e apostas sem nenhum lastro de lógica que prognósticos sensatos e conscienciosos. Dar espaço jornalístico de comentários políticos a uma figura esquizofrenicamente antipetista como Reinaldo Azevedo, para ficar apenas com um exemplo, é como dar ao torcedor fanático de um clube a prerrogativa de comentar, como se fosse especialista, aspectos técnicos de uma partida de futebol. Pode-se conseguir uma linguagem mais próxima do leitor/ouvinte/espectador, mas a análise será, invariavelmente, medíocre. Talvez seja interessante, nesse sentido, uma pesquisa séria e bem dirigida sobre o que foi dito na imprensa por esses pseudoespecialistas no decorrer dos últimos dez anos e o que aconteceu de fato: quais análises conseguiram detectar problemas e tendências verdadeiramente relevantes, quais fizeram água nas muitas ondas que quebraram na praia.&lt;br /&gt;O resultado desse mau jornalismo crônico foi a criação de uma subagenda, oculta, mas onipresente, no decorrer dos anos. Nessa subpauta, surgiram itens que beiram a aberração. No esforço de crítica a todo custo, certas manobras, de tão irracionais, criaram espaços vazios de reflexão, e impossíveis de serem preenchidos com uma pauta positiva, real, que servisse a uma eventual candidatura a ser posteriormente referendada pela mídia e seus interesses. Exemplifico: houve, todos se lembrarão, um esforço dramático e quase paranóico de se culpabilizar Lula pelos acidentes aéreos da TAM e da GOL. A verdade é que a responsabilidade federal nesse caso fica completamente diluída no emaranhado de falhas, problemas e infelizes coincidências que resultaram nessas tragédias. Mas ainda que se possa atingir a imagem de um presidente ou de uma administração com essa proposta, a contraproposta, que faria o papel de pauta positiva, a ser assumida por uma oposição, não funciona. Porque, ainda que haja falhas na esfera federal no setor aéreo, sanar essas falhas não garante que acidentes não mais acontecerão. Nenhum candidato de oposição poderia propor isso, ou afirmar que sua eleição evitaria que aviões caíssem. Isso, obviamente, pulveriza qualquer tentativa de culpabilização exclusiva, porque não é possível excluir os outros fatores que não estão ao alcance do governo. Portanto, não há agenda positiva viável para essa pauta, que é, por sua natureza, deletéria e ideologicamente ineficiente. Mas é curioso notar que, mesmo em relação a temas relevantes, a produção de antipauta não conseguiu promover o estabelecimento de uma pauta positiva. Exemplo: houve também grande esforço de divulgação de escândalos pessoais e financeiros envolvendo figurões que apoiaram o governo, como Sarney e Renan Calheiros. É, sem dúvida, papel da mídia fiscalizar o Legislativo e denunciar todo o tipo de falcatrua que acontece por lá. Mas seria ingênuo crer que essa investida contra as lideranças governistas não tivesse também motivações outras (quem não se lembra do frenesi da imprensa com a eleição do inepto oposicionista Severino Cavalcanti para presidir a Câmara dos deputados e de sua decepcionante queda por falcatruas do mesmo naipe?). Do ponto de vista de uma pauta positiva, isso deveria ressoar no leitor/ouvinte/espectador como um "não a esses velhos medalhões da corrupção", bordão saudável e valoroso. Entretanto, como pode um candidato oposicionista defender essa ideia sem comprometer apoios de campanha e até aportes financeiros? Como saber se uma dessas figuras, saindo do barco dos governistas, não poderia passar para a oposição? Nesse caso, como lidar com as críticas veiculadas? Como lidar com os palanques? O candidato teria de assumir uma postura de "corrupção zero" ou "zero escândalos", ou que é praticamente impossível, pois não tem poder sobre o arbítrio dos homens, nem certeza absoluta sobre suas personalidades, nem conhecimento pleno sobre suas histórias pregressas, nem independência de fato em relação a suas esferas de influência. Uma postura desse tipo se esfacelaria diante da primeira denúncia minimamente fundamentada. E os veículos de comunicação não têm como criticar apenas um dos lados, ignorando completamente o outro, sem incorrer no perigo de atingir futuros aliados ou poupar perniciosos homens-bomba, além, é claro, de perder a credibilidade. A luta contra corrupção é um item de agenda positiva; a luta contra a corrupção praticada por aliados do governo seria um subitem. Mas o subitem sozinho não se viabiliza, se o silêncio de condescendência o contradiz.&lt;br /&gt;Há que se ressaltar, ainda, que essa postura tendenciosa da imprensa tradicional teve efeitos na nova mídia, com o crescimento do número de blogues de campanha, tanto de um lado quanto de outro. Parece-me, entretanto, que o debate na internete foi muito mais democrático, embora igualmente radicalizado e muitas vezes tão passional quanto o dos grandes veículos. É que a internete é descentralizada por natureza, e a audiência depende em muitos casos mais da relevância dos textos que do peso do veículo que os divulga. Mas mesmo na velha mídia houve uma reação à postura de "torcida organizada". &lt;em&gt;Carta Capital&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Isto é&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Record&lt;/em&gt; claramente se contrapuseram a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Época&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Globo&lt;/em&gt;. Capas atrás de capas respondiam-se mutuamente. Matérias atrás de matérias sacudiam redações e estúdios. Em certa medida, isso pode parecer positivo, como um indicativo de que os espaços podiam tender ao equilíbrio. No entanto, o que se viu foi, muitas vezes, um acirramento da postura partidária, gerando caldo ainda maior de desinformação e passionalidade. Se isso era necessário em nome do debate, para compensar uma investida completamente afinada com a candidatura da oposição, é algo a se considerar. Mas o que ficou foi um recrudescimento da sensação de desequilíbrio, de apego partidário, de excitação desarrazoada.&lt;br /&gt;Não acredito que os próximos anos verão cobertura midiática similar de eleições presidenciais. A tendência é uma mudança radical, embora não tão imediata, das formas de circulação da informação jornalística, associada ao aumento dos usuários das tecnologias digitais. Os grandes jornais não vão morrer, a TV provavelmente ainda centralizará a maior parte das atenções, mas haverá mais e melhores canais de expressão de ideias para mais pessoas, dentro e fora da política. Os veículos de comunicação têm a obrigação ética de fazer melhor do que fizeram neste processo eleitoral, com mais equilíbrio, ponderação e integridade, e têm o compromisso de dar um salto de qualidade em seus projetos editoriais, sob pena de perderem espaço para os milhões de pequenos formadores de opinião que estão chegando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3427668742196370502?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3427668742196370502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3427668742196370502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3427668742196370502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3427668742196370502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/11/balanco-da-eleicao-2-campanha-da-midia.html' title='Balanço da eleição - 2 - A campanha da mídia'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8453841263638478336</id><published>2010-11-06T19:43:00.000-07:00</published><updated>2010-11-06T19:52:44.571-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - 1 - A campanha do medo</title><content type='html'>Talvez seja inútil reproduzir neste espaço o que já foi escrito sobre o baixo nível geral desta campanha presidencial e a transformação dos candidatos em entidades ameaçadoras e potencialmente monstruosas. As análises dos diversos cientistas políticos podem dar conta dessa lástima com muito mais recursos de argumentação. Apenas ilustrarei essa constatação deplorável com relatos de experiências pessoais relacionadas ao pré-eleição.&lt;br /&gt;Quando apareceram os primeiros escândalos midiáticos, relacionados a quebras de sigilo e coisas afins, percebi que o debate político, que até então vinha pontuando as discussões dos candidatos, estaria em breve abandonado. Percebi isso não em função dos escândalos em si, mas da forma como foram veiculados, como se fossem os pontos cruciais para a decisão definitiva do eleitor. Resolvi abster-me desse debate, porque não levaria a nada. Eu estava, então, com receio de que essas picuinhas administrativas tomassem o lugar das necessárias exposições de propostas sobre educação, habitação, saúde, transporte, recursos energéticos, agricultura.&lt;br /&gt;Foi uma intuição, mas que me deu apenas o aviso de "caia fora". O que vinha depois disso era muito, muito, muito mais tenso, grave e absurdo do que eu pudera captar. O que vinha não era simplesmente a colocação das pautas em segundo plano, mas a destruição absoluta de tudo o que pudesse ser programático na campanha. Uma catástrofe do ponto de vista das ideias. Uma vergonha. &lt;br /&gt;A cada dia, eu, que já sabia em quem ia votar desde julho, sentia-me mais intensamente derrotado, achacado, agredido. Não foi só não ter escrito no blogue durante esse período: eu deixei de falar com as pessoas, eu deixei de discutir política, eu deixei de acompanhar os programas eleitorais e a internete. Eu não conseguia ler absolutamente nada. Cada vez que lia alguma matéria, ficava arrepiado, depois tenso, depois desesperado. Os fantasmas do machismo, do fascismo, da calúnia, da antipropaganda dominavam meus sentidos e meu coração. A campanha me fazia mal, posso afirmar com segurança. Conhecendo meus limites, me afastei tanto quanto pude.&lt;br /&gt;Foi um enorme sofrimento. Eu queria discutir questões relevantes, eu queria conversar a respeito dos programas, eu queria participar do processo com alguma contribuição conscientizadora. Simplesmente não consegui. Sentia-me impotente, sem forças, sem ânimo. Cada sentença ameaçadora ou irracional proferida por alguém me colocava em estado de alerta, me corroía interiormente. Lamento muito constatar, mas passei o fim da campanha em absoluto silêncio, e sei que isso não é meu normal. Eu estava com medo, muito medo. Ao meu redor, uma verdadeira guerra, e eu incapaz de levantar as mãos para pedir que o tiroteio cessasse.&lt;br /&gt;Há pessoas que, em situações semelhantes, dão o melhor de si, porque são justamente guerreiras, aguerridas, beligerantes. Elas dão a cara para bater porque conseguem devolver e restabelecer o equilíbrio de forças. Não é o meu caso. Eu apanho e sofro, tenho dificuldade em agredir. &lt;br /&gt;Meu caminho foi esconder-me e bolar um mantra mental, aquecido por uma voz interior: está tudo bem. Se meu candidato ganhar, não acontecerá nada do que está sendo previsto. Se o outro candidato ganhar, não haverá alterações tão drásticas. Está tudo bem, eu me dizia. Nenhuma catástrofe à vista. Nenhum monstro. Nenhum demônio. Nenhuma desgraça. Apenas seres humanos, com seus erros e acertos, e suas crenças e descrenças, disputando a condução do meu país. Seres que, por mais que fizessem, não conseguiriam destruir aquilo que os últimos anos haviam trazido de bom. Está tudo bem, eu ouvia lá do fundo do coração.&lt;br /&gt;Embalado por essa fé cega e irracionalista, atravessei todo o período de anticampanha evitando ao máximo contagiar-me pelo clima que me cercava. Não posso dizer que consegui, apenas que sobrevivi psicologicamente. Mas estou cheio de sequelas, como se tivesse saído de um massacre. Em 31 de outubro, saí menor que quando entrei.&lt;br /&gt;Mas saí, enfim.&lt;br /&gt;E pude, então, relembrar fatos que me indicavam o quanto esse clima estava realmente no ar, e as outras pessoas também o captaram.&lt;br /&gt;Pude lembrar da imagem que eu tinha de Dilma Roussef, a da resposta brilhante à maliciosa intervenção de Agripino Maia, defendendo os que, como ela (e Serra também, que fique claro), lutaram pela democracia que justamente permitiu a eleição da qual participava. E o momento da campanha foi o de esconder essa Dilma, em função da pejorativa associação sustentada pela mídia entre esses combatentes da ditadura e tudo o que de mais nefasto se poderia afirmar deles. A Dilma de que eu lembrava ficou guardada no bolso ou no cofre da Dilma que eu via nos debates e na propaganda eleitoral. O medo de perder diminuiu Dilma.&lt;br /&gt;Pude lembrar também do José Serra de anos atrás, homem duro, obstinado, teimoso, mas com o discurso calcado em valores democráticos e história política marcada pela competência de administrador, bem entendido, naquilo que se propunha a fazer. Um homem que eu não temia. Um homem que lamentei não ter disputado com Lula a eleição anterior, pois considerava mais apto à disputa que Alckmin. Um homem que, se me dissessem em 2002 que um dia chegaria à presidência, não me causaria estranheza nem repugnância. O momento da campanha foi o de esconder esse homem, e mostrar um Serra destemperado nas agressões, desastrado nas teatralizações, e associado ao que havia de pior no conservadorismo brasileiro, inclusive o fundamentalismo religioso e as estratégias mais rasteiras de subcampanha. Tenho certeza de que o Serra presidente não poderia ser assim, mas esse estava guardado no bolso ou no cofre do Serra orientado por marqueteiros e desorientado pelo comportamento obsessivo. O medo de perder diminuiu Serra também.&lt;br /&gt;E então saquei que os que as pessoas discutiam nas ruas, nas casas, nos ambientes de trabalho, era irreal. As pessoas discutiam dois candidatos diminuídos, reduzidos a estereótipos e frases feitas, que não podiam encarnar, dessa forma, os valores que sempre defenderam em suas trajetórias políticas. Sem nada a perder, e portanto não diminuída pelo medo de perder, só Marina cresceu nesse mar de lama.&lt;br /&gt;E percebi também que os diálogos refletiam esse desentendimento geral das pessoas. Quando conversavam os meus colegas professores, entre os intervalos de aulas, justificavam suas escolha sempre na base do medo. Quem ia votar em Dilma, era por medo do Serra. Quem ia votar em Serra, era por medo da Dilma. Eu mesmo estava percebendo que, se tivesse entrado nesse clima, teria definido meu voto pelo medo. Eu, que sempre fora tão racional nessas escolhas. &lt;br /&gt;E esse desentendimento geral tomou formas várias. Não houve espaços de análise desapaixonada nem na internete (nos blogues que eu vinha lendo) nem na mídia tradicionalzona, nem em lugar nenhum. As mentiras, calúnias, estereótipos e fantasmas eram repetidos por quem já tinha decisão tomada, e eram quase só o que era oferecido aos indecisos, mais os confundindo. &lt;br /&gt;E todo mundo bebeu desse medo de uma forma que quase esquecemos de que o desemprego diminuíra, o Brasil crescera, passáramos muito bem pela crise e as perspectivas eram e continuariam sendo as melhores.&lt;br /&gt;E o saldo dessa cruel descampanha eu pude perceber, em forma de síntese, num diálogo coletivo que travei com meus alunos da faculdade, depois do segundo turno. Eles me perguntaram se eu estava feliz com o resultado da eleição. Eu disse que sim, mas que estaria bem se o resultado fosse outro também. E então eles ficaram, percebi, um pouco desnorteados na discussão, porque esperavam uma intervenção apaixonadamente positiva ou negativa, como as que eles estavam preparados para fazer. E efetivamente fizeram. Diziam que tudo iria para o buraco com Dilma, que o país estaria muito mal. E os que votaram em Dilma diziam que estava tudo ruim, mas ficaria muito pior com Serra. Percebi aquela sombra e fiz uma fala estranha, mas necessária. Eu disse &lt;strong&gt;que estava tudo bem&lt;/strong&gt;. Que não havia &lt;strong&gt;catástrofes à vista&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Nenhum demônio&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Nenhuma desgraça&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Nenhum monstro&lt;/strong&gt;. Todos eles tinham morrido com a campanha. Restava-nos a civilidade e cidadania de respeitar a decisão de milhões de brasileiros e torcer para que as coisas dessem certo, no país, no Estado, na cidade, independente de nossas torcidas políticas. E que tudo indicava que isso iria acontecer.&lt;br /&gt;Esse momento foi o da minha regeneração. Numa campanha em que a emoção esmagou a racionalidade, só mesmo a minha voz intuitiva interior para tentar redirecionar o pensamento político dos meus alunos para caminhos sadios. Veja só: talvez essa vivência do medo tenha servido para algum aprendizado útil a longo prazo. Pelo menos, passada a tempestade ideológica, tenho alguma reserva intelectual para cuidar dos feridos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8453841263638478336?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8453841263638478336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8453841263638478336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8453841263638478336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8453841263638478336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/11/balanco-da-eleicao-1-campanha-do-medo.html' title='Balanço da eleição - 1 - A campanha do medo'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5386359807262918382</id><published>2010-11-01T21:27:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T21:39:16.391-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Balanço da eleição - plano de postagens</title><content type='html'>Estou de volta de um período de hibernação, cumprindo a promessa de não tocar em assuntos de política durante os processos eleitorais. Acabei, na verdade, não tocando em assunto quase nenhum, porque foi um período cansativo, tenso e extremamente ocupado. Mas creio ter recolhido alguns cacos de compreensão a respeito do que aconteceu, e sinto poder poli-los nos próximos textos. Escreverei sobre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) a campanha do medo;&lt;br /&gt;2) a campanha da mídia;&lt;br /&gt;3) o menosprezo ao adversário;&lt;br /&gt;4) a ausência geral de programas;&lt;br /&gt;5) a questão do aborto;&lt;br /&gt;6) as derrotas da democracia;&lt;br /&gt;7) as pesquisas;&lt;br /&gt;8) o presidente Lula;&lt;br /&gt;9) a religião e o estado laico;&lt;br /&gt;10) as escolhas que fiz e por que as fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o caso da bolinha de papel/fita crepe, escreverei em outro blogue, porque penso analisá-lo em comparação com casos similares que observei na escola pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo amanhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5386359807262918382?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5386359807262918382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5386359807262918382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5386359807262918382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5386359807262918382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/11/balanco-da-eleicao-plano-de-postagens.html' title='Balanço da eleição - plano de postagens'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5960415400824321432</id><published>2010-09-19T20:14:00.000-07:00</published><updated>2010-09-19T20:16:14.489-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>A queda - Mário de Sá-Carneiro</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A queda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mário de Sá-Carneiro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que sou o rei de toda esta incoerência,&lt;br /&gt;Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la&lt;br /&gt;E giro até partir... Mas tudo me resvala&lt;br /&gt;Em bruma e sonolência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de oiro,&lt;br /&gt;Volve-se logo falso... ao longe o arremesso...&lt;br /&gt;Eu morro de desdém em frente dum tesoiro,&lt;br /&gt;Morro à míngua, de excesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alteio-me na cor à força de quebranto,&lt;br /&gt;Estendo os braços de alma - e nem um espasmo venço!...&lt;br /&gt;Peneiro-me na sombra - em nada me condenso...&lt;br /&gt;Agonias de luz eu vibro ainda entanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,&lt;br /&gt;- Vencer às vezes é o mesmo que tombar - &lt;br /&gt;E como inda sou luz, num grande retrocesso,&lt;br /&gt;Em raivas ideais ascendo até ao fim:&lt;br /&gt;Olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;............................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tombei...&lt;br /&gt;         E fico só esmagado sobre mim!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÁ-CARNEIRO, Mário de. &lt;strong&gt;Todos os poemas&lt;/strong&gt;. Organização: Alphonsus de Guimaraens Filho. Rio de Janeiro, J. Aguilar; Brasília, INL, 1974, pp. 62-63.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5960415400824321432?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5960415400824321432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5960415400824321432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5960415400824321432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5960415400824321432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/09/queda-mario-de-sa-carneiro.html' title='A queda - Mário de Sá-Carneiro'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5024863361806413845</id><published>2010-09-18T19:02:00.000-07:00</published><updated>2010-09-18T19:24:57.907-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='listinhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='brincadeira'/><title type='text'>Meus quinze filmes marcantes</title><content type='html'>Participando de uma brincadeira no Facebook, fui instado a escrever sobre 15 filmes marcantes. Era para ser rápido, os 15 primeiros que viessem à cabeça, ou algo assim, sem pensar muito. Mas essas coisas muito espontâneas me travam; ou então, quando consigo escrever tudo assim, de sopetão, automático, fico com vontade de me justificar sobre o que escrevi. É por isso que, depois de escrever a lista e mandar para 15 amigos da minha rede (que era a brincadeira), resolvi colocar no meu blogue uma postagem sobre o assunto (que é a justificação da participação na brincadeira - eita cara chato que sou para essas coisas!). Aí está ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O poderoso Chefão - parte 2 - Copolla&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perfeito. Al Pacino apaixonante. Casamento sem reparos entre duas estórias de grande impacto e beleza. Violência e corrupção no limite da indignidade, mas abordadas de forma a tornarem-se antítese da defesa da família, até o ponto de transformar essa contradição em algo de impossível superação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fanny &amp; Alexander - Ingmar Bergman&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi uma vez quando era adolescente. Fiquei impressionado com cada cena, a força das personagens, os cenários, os diálogos, mas não entendi nada de nada. Vi uma segunda vez mais velho, depois da faculdade. Fiquei novamente impressionado com tudo, quase da mesma forma que na vez anterior, e até consegui entender um pouquinho. Bergman realiza esse milagre incomum: nossa compreensão dos mistérios da obra parece em nada afetar a força com que ela nos pega. Tenho a impressão de que sempre verei esse filme pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vidas amargas - Elia Kazan&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi várias vezes, nas madrugadas de insônia. É um filme perfeito, doloroso, melancólico, com forte carga emocional. James Dean faz miséria, mas o elenco todo é muito bom. Genial intertexto com o mito bíblico de Caim e Abel. Talvez um dos grandes filmes para se refletir sobre relações humanas e a precariedade da estrutura emocional dos indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2001 - Stanley Kubrick&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um filme espetáculo por excelência. Feito para impactar, para embasbacar, para enlevar. Arte pura. O enredo é detalhe, o entendimento é desnecessário; mas isso só é possível porque a obra é do porte que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Barry Lindon - Stanley Kubrick&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulho na Europa pré-iluminista, este é o mais injustiçado filme de Kubrick. Eu o coloco como uma obra-prima inquestionável, perfeita, impressionante. Para além da reconstrução histórica, ele propõe a indagação a respeito dos valores que guiam uma história de vida. Dentro desse contexto, nada falta: questionam-se o casamento, as amizades, o amor, a violência, o interesse, a ganância, a paternidade, a decrepitude. Recomendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cinema, urubus e aspirinas - Marcelo Gomes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor filme brasileiro que vi nos últimos anos, fundamental para se pensar os diálogos entre culturas e a realidade de um país como o nosso. A estória é conduzida de maneira humana, sensível e sagaz. Pequenas malandragens e grandes gestos compõem personagens profundas e fortemente relacionadas aos povos que simbolizam. Lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Beleza americana - Sam Mendes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filme que mereceria dois Oscar, o do ano em que foi lançado e o de qualquer outro ano da década de 90 ou de 00 em que concorresse com qualquer outro filme. Creio que já virou um clássico, mas ainda não perdeu seu charme e sua capacidade de inquietar. Kevin Spacey impecável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A dama de Shangai - Orson Welles&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aluguei esse há tempos atrás, e concordo com minha mulher: Welles é tremendamente charmoso. Até mais que Rita Hayworth (embora ela seja, obviamente, muito mais bonita). E sua concepção de cinema é apaixonante. Eu poderia colocar &lt;em&gt;Cidadão Kane&lt;/em&gt; no lugar deste aqui, mas a lista é dos que mais marcaram, não dos que mais impressionaram. E a cena dos espelhos não sai da minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O falcão maltês - John Huston&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei esse naquela coleção da Folha de História do Cinema. Que trama, que peripécias! Você não consegue tirar o olho da tela. É daqueles filmes que, com poucos recursos técnicos, sobram em matéria de recursos estéticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era uma vez no oeste - Sergio Leone&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mistura de música de primeira, protagonista feminina belíssima, mocinho e vilão cativantes, cenas tensas e coadjuvantes dramaticamente bem construídos, é o melhor filme western dos que pude ver. O clima é a grande sacada, penso eu. O resto, vem como consequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O touro indomável - Martin Scorcese&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Scorcese transformou a biografia de um lutador num amargo questionamento sobre os sucessos e infortúnios da vida, e fez isso com a força das imagens. Um dos filmes que mais me fez sofrer, e pensar. A citação bíblica do final é, na minha opinião, o mais intenso arremate escrito de um filme, à exceção de &lt;em&gt;Barry Lindon&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os esquecidos - Luis Buñuel&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra antológica, é um grito de desespero de personagens excluídas, e um tapa na cara no espectador acomodado. Tanto é que nunca consegui revê-lo, embora o tenha comprado em DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os idiotas - Lars von Trier&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se entendi esse filme em sua essência, mas, se não entendi, pelo menos contruí para ele uma função na minha consciência, que foi a de remexer minhas inquietações a respeito da responsabilidade individual diante das outras pessoas e da sociedade. Nesse sentido, é o mais perturbador de todos os que vi. (correção tardia: não é não, tem o &lt;em&gt;Elefante&lt;/em&gt; do Gus van Sant, que não coloquei na lista por puro esquecimento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O feitiço do tempo - Harold Ramis&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma graça, perspicaz, inteligente, leve, comovente. Um pouco injustiçado pelas premiações da vida afora, um pouco marcado pela carinha de filme B. Mas é daquelas produções que souberam tirar leite de pedra em relação às suas limitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quiz show - Robert Redford&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, jogo entre os dois protagonistas é tudo, e sustenta todo o resto da trama. Sem explicitar a mútua admiração de herói e vilão, humanizando e desumanizando sutilmente cada um deles, esta película ganhou uma aura toda especial, graças à inteligente direção de Redford. Fica melhor a cada revisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de terminar de escrever, já me vieram à cabeça pelo menos outros quinze que eu poderia colocar aqui. Deixo-os para outra brincadeira. Ou postagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5024863361806413845?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5024863361806413845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5024863361806413845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5024863361806413845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5024863361806413845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/09/meus-quinze-filmes-marcantes.html' title='Meus quinze filmes marcantes'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5580727112872336849</id><published>2010-09-09T19:57:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T20:01:24.685-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='compras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='compulsão'/><title type='text'>Caçador de promoções</title><content type='html'>Não seria justo definir-me como um rato de livraria. Um rato de livraria é uma pessoa que passa longo tempo folheando livros, lendo capas, contracapas, capítulos, orelhas, tudo o que possa qualificar aquele material como importante ou desimportante. Um rato de livraria tem tempo, disposição e dinheiro para garimpar coisas boas e que valham a pena.&lt;br /&gt;Eu não sou assim. Eu sou, na verdade, compulsivo para comprar livros. Eu não espero muito para decidir o que vou levar. Meu paladar não é apurado, quero experimentar de tudo um pouco, e acabo comprando mais do que posso ler, quase sempre, projetando que algum dia eu vá ter tempo de usufruir daquilo que adquiri.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, sendo professor, sou um assalariado brasileiro comum, com um salário bem distante dos mais altos do mercado. Isso me impede de comprar tudo o que vejo na frente: limito-me pelo bolso, não pelo exame atento da necessidade ou utilidade dos livros que quero. Sempre coloco na minha cabeça máximos a pagar por um livro, e dificilmente extrapolo essas determinações.&lt;br /&gt;Mas como a compulsão não vai embora, a mente sempre encontra um subterfúgio para deixá-la aflorar. Esse subterfúgio no meu caso chama-se PROMOÇÃO. Sou um caçador de promoções de livraria. Entro na Nobel, na Saraiva, na Martins Fontes, e já vou direto farejando o que está abaixo do preço normal. E aí, perco a cabeça.&lt;br /&gt;A última foi na Livraria Nobel do Shopping Frei Caneca. Tinha alguns minutos para perambular por lá, andei um corredor, andei outro, e de repente, pimba! Estante da promoção: todos os livros por dois reais. Aquela vozinha da consciência espetou minha orelha para dizer "controle-se, Vinicius, não vá fazer nenhum abuso, há contas a pagar e você está quase sem tempo de ler até mesmo o que você usa nas aulas". Era verdade. Decidi ser racional, dar vez ao meu bom senso. Prometi que não me excederia de maneira alguma. Combinei comigo mesmo que só levaria o imprescindível, o que estivesse tão inacreditavelmente barato e fosse tão relevante que não poderia ser deixado ali sem arrependimento. &lt;br /&gt;O resultado? Treze livros comprados, com promessa e tudo. Total de R$ 27,00 (tinha um de três reais). Excelente aquisição, sem dúvida (João Cabral de Mello Neto, Cartas do Carlos Lacerda, livros sobre autonomia na escola, coisas bem legais). Mas a pergunta que não quis calar quando cheguei com tudo aquilo em casa era: você vai ler todos? Vai ter tempo de pelo menos sapear cada um deles? Ou vai deixar tudo na estante esperando o dia do juízo?&lt;br /&gt;Sinceramente, é improvável que eu os leia todos de capa a capa. E creio que alguns deles eu nunca compraria se não estivessem em promoção. Foi mais um ato impulsivo de um leitor omnívoro, um desejo irrefreável de, como diz a canção de Caetano, "guardar o mundo em mim". Penitencio-me nesta postagem. Tenho de mudar. &lt;br /&gt;Mas ainda não consigo me arrepender. Duro, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5580727112872336849?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5580727112872336849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5580727112872336849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5580727112872336849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5580727112872336849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/09/cacador-de-promocoes.html' title='Caçador de promoções'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-7604330298170774116</id><published>2010-09-02T20:09:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T20:12:42.523-07:00</updated><title type='text'>Até outubro</title><content type='html'>Não escreverei sobre política neste blogue até o final de outubro. Os últimos acontecimentos veiculados pela mídia fizeram-me muito mal. Já decidi em quem votar, e considero o cúmulo da estupidez ficar discutindo quem é o vilão ou o mocinho, quem cumpre as regras ou trapaceia, quem é algoz ou vítima. Cadê os planos de governo? Cadê as pautas? Cadê a postura civilizada?&lt;br /&gt;Para mim, acabou. Voto e espero o resultado. Depois, me pronuncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-7604330298170774116?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/7604330298170774116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=7604330298170774116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7604330298170774116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7604330298170774116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/09/ate-outubro.html' title='Até outubro'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3665518011895052766</id><published>2010-08-31T20:01:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T20:05:05.525-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><title type='text'>Parabéns, Corinthians</title><content type='html'>Estava indo trabalhar, descendo a rua da Consolação, e percebi uma movimentação estranha, comum em dias de jogo mas não muito frequente em dias sem futebol. Não havia me dado conta de que era aniversário do Corinthians.&lt;br /&gt;Fiquei impressionado com a circulação de pessoas no Anhangabaú. Não apenas pela quantidade, mas também pela intensidade. Mesmo quem não é corintiano, como eu, contagia-se dessa alegria explosiva em algum momento. Gente cantando, pulando, comemorando, como se fosse um título. &lt;br /&gt;E na verdade, é mais que um título. Chegar aos 100 anos é uma grande vitória para qualquer instituição em qualquer área. O Corinthians centenário é parte da história da cidade. São gerações e gerações que, em tempos diferentes, por diferentes razões e com diferentes expectativas, alimentaram essa paixão.&lt;br /&gt;Não estão em questão as conquistas, os números, os troféus. Torcer é saber ganhar e saber perder (embora eu não esteja convencido de que as pessoas venham tendo essa compreensão ultimamente). O que está em questão é a paixão, a parte mais bonita do espetáculo cultural do futebol, da cultura do futebol. Quero esquecer, hoje, que essa paixão tem sido manipulada por interesses escusos, e que, mal trabalhada, transforma-se em violência, a morte do esporte enquanto experiência social. Quero lembrar apenas do lado bonito, vibrante e envolvente, da identificação mútua desses milhares de jovens e senhores que hoje colocaram suas camisas para homenagear seu clube do coração.&lt;br /&gt;Parabéns, Corinthians!&lt;br /&gt;Nesse parabéns, entenda-se "Corinthians" no sentido amplo, ou seja, a imensa torcida, a história de gerações de torcedores, a fidelidade e o amor pelo time, a instituição propriamente dita, o mito que se formou em torno dessas cores e desse distintivo, tudo isso formando algo maior que a soma das partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a paixão e a bela história do clube continuem prevalecendo!&lt;br /&gt;Que esses sejam os primeiros 100 anos de sua história!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3665518011895052766?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3665518011895052766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3665518011895052766' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3665518011895052766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3665518011895052766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/08/parabens-corinthians.html' title='Parabéns, Corinthians'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-9013180214339678684</id><published>2010-08-28T20:35:00.001-07:00</published><updated>2010-08-28T20:40:49.134-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orkut'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Lá vem porrada</title><content type='html'>Eu sou do tempo da internete discada com computador lento e família toda querendo usar. Talvez por isso tenha desenvolvido alguns ranços ou preconceitos que provavelmente já não fazem sentido para usuários mais familiarizados com a eficiência hodierna da tecnologia. &lt;br /&gt;Uma coisa que ainda não aprendi a tolerar é o que chamo de "mensagem bonitinha" no &lt;em&gt;orkut&lt;/em&gt;. Trata-se daqueles recados que vêm cheios de desenhinhos saltitantes e engraçadinhos, com mensagens de alegria ou saudações triviais. Quantas vezes não tive problemas de travar tudo por causa de mensagens assim! Quantas vezes não acordei meus parentes porque as mensagens traziam "musiquinhas" que explodiam na caixa de som antes que eu desse conta da altura do volume! Peguei birra, e adotei um critério radical: elimino todas. É um posicionamento certamente lamentável em relação às pessoas que as enviam de muito boa vontade, com a melhor das intenções, porque têm sensibilidade para essas artes gráficas de internete e querem agradar de alguma forma compartilhando-as. Lamento. Não é pessoal. É quase um ato reflexo de quem cansou de perder tempo com carregamento de imagens pesadas enquanto tentava responder a um recado importante o mais rapidamente possível.&lt;br /&gt;No e-mail, também criei bronca de uma coisa: daquelas mensagens enviadas para toda a lista da pessoa, geralmente recebidas de outro internauta que também as enviou para toda sua lista. Há uma marca distintiva dessas mensagens, que é a primeira que meu cérebro procura localizar. Trata-se do &lt;em&gt;FW:&lt;/em&gt;. Quando aparece uma mensagem com &lt;em&gt;FW:&lt;/em&gt; na minha caixa postal, eu penso: lá vem porrada. E quase automaticamente olho para a seguinte. Essas são as últimas mensagens que vejo, quando vejo; sim, porque se é algo do tipo "FW: Jesus te ama" ou "FW: a verdade sobre Dilma", eu nem abro. Esse comportamento é resultado de centenas de imbecilidades lidas com a maior atenção em meu tempo de internauta inexperiente, que provocavam a sensação de que, ou quem enviou queria tirar sarro da minha cara, ou não tinha lido com atenção o que enviara. Quase 99% do que recebo com &lt;em&gt;FW:&lt;/em&gt; não tem nada a ver comigo, não foi solicitado, já foi lido em outra oportunidade ou é vírus. Automatizei, então, o desprezo por esse tipo de mensagem. Também lamento por esse procedimento. Deixei de ler muita coisa importante em função disso, bem sei. Mas a relação tempo/benefício precisa ser positiva no meu caso, e isso implica, necessariamente, algum critério de seleção.&lt;br /&gt;Se você, leitor, reenviou para mim alguma mensagem dessas que se espalham na internete ou deixou um recado doce, delicado e cheio de pixels na minha página do &lt;em&gt;orkut&lt;/em&gt;, e fez isso com a melhor das intenções, eu peço desculpas por ser tão bicho do mato com essas coisas. Mas tenha a certeza de que, se foi algo relevante e isso estava explícito no assunto da mensagem, há grandes chances de que eu tenha pelo menos dado uma olhada. Estou me vigiando para ser menos radical nessa seara cibernética.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-9013180214339678684?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/9013180214339678684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=9013180214339678684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/9013180214339678684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/9013180214339678684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/08/la-vem-porrada.html' title='Lá vem porrada'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-415583642548260929</id><published>2010-08-25T20:47:00.000-07:00</published><updated>2010-08-25T20:50:45.474-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='limitação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogues'/><title type='text'>O Encontro de Blogueiros e minhas limitações</title><content type='html'>No grupo em que eu estava, no Encontro dos Blogueiros, estavam Rodrigo Vianna e Lola, do Escreva, Lola, Escreva: gente de peso. A discussão foi muito produtiva, com cada um apresentando seu blogue e a temática a que se dedica. &lt;br /&gt;A certa altura, uma moça, cujo nome me falha, fez uma cobrança interessante. Ela apontou para o fato de haver poucos blogues ligados a movimentos sociais, a lutas de comunidades, a demandas da população carente. Ela disse que se ressentia disso, e achava que, sem esses blogues, acabaríamos sendo uma elite escrevendo para a elite. &lt;br /&gt;Não tenho certeza de que sejamos exatamente assim, pois conheci, no encontro, muitas pessoas  simples que blogam e leem com frequência, e estão preocupadas com vários assuntos da comunidade, da política e das lutas locais. Mas, concedendo que isso seja parcialmente verdadeiro, porque a blogosfera de fato não tem tanta variedade desse cardápio politizado e atuante, pensei comigo mesmo se isso não aconteceria por terem sido os blogues, a princípio, criados para funcionarem como diários pessoais, com postagens mais intimistas e opinativas. &lt;br /&gt;Depois, retomei criticamente esse pensamento, admitindo que é possível fazer zilhões de coisas com as plataformas dos blogues atualmente, e me perguntei se, ao pensar assim, eu não estaria me defendendo de ter um blogue pessoal, intimista, opinativo e totalmente individual, em que nada ou quase nada até hoje foi dito sobre lutas sociais ou movimentos de comunidade.&lt;br /&gt;Sim, eu estava me defendendo, porque a carapuça servira perfeitamente. Mas, por outro lado, eu estava aprendendo a reconhecer quem sou por um processo de espelhamento no outro. Todas essas virtudes de engajamento, que tanto admiro em tantos blogueiros, parecem ser carências no meu caso, por mais que eu tantas vezes explicite minhas posições políticas. Devo admitir que uso este espaço e o dos outros blogues que escrevo de maneira autocentrada, individualista, egocêntrica. Uma vez, meu primo me pediu para escrever comigo um blogue de poemas (na verdade, para dividirmos um blogue que eu já escrevia). Eu não aceitei, embora a proposta fosse de fato bacana e rica. Não aceitei porque queria ter controle total, e queria que o blogue expressasse as minhas ideias poéticas e de mais ninguém. Eu queria ver o blogue assim, nem que isso implicasse empobrecê-lo. Eu queria que o blogue fosse meu mundo e nada mais, como na canção de Guilherme Arantes. &lt;br /&gt;Numa outra oportunidade, meu irmão de criação criou um blogue com excelentes ideias de protesto e política e pediu que eu o levasse adiante. Simplesmente não consegui. Não pude criar nada nesse contexto, porque a linha de redação não havia sido definida por mim. E olha que eu concordava com ela quase absolutamente! Mas a questão era outra: não era um espaço só meu, no qual eu estabelecesse as perspectivas de análise, a frequências das postagens, a relevância dos temas. Só isso bastou para que a excelente iniciativa dele ficasse atolada na minha inércia mental.&lt;br /&gt;E por que isso? Não sei bem. Talvez seja a gigantesca necessidade confessional que tenho, num fluxo que não admite interrupções. Talvez seja uma dificuldade de dialogar e trocar ideias, o medo de ser suplantado, de ser questionado, de perceber-se irrelevante diante das preocupações e sacadas dos outros. Talvez eu seja mesmo uma pessoa egoísta, sei lá! A verdade é que alguém por certo oferecerá essa perspectiva militante, atuante e engajada em seu blogue, com espaços de escrita coletiva e abertura para postagens de informação e denúncia. Mas não serei eu. Não sei fazer assim. É uma limitação, sim. E devo aprender a enfrentá-la, a confrontá-la com a realidade de blogueiros como os que conheci no encontro, ao invés de defendê-la com racionalizações justificadoras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-415583642548260929?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/415583642548260929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=415583642548260929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/415583642548260929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/415583642548260929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/08/o-encontro-de-blogueiros-e-minhas.html' title='O &lt;em&gt;Encontro de Blogueiros&lt;/em&gt; e minhas limitações'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-12914869600015983</id><published>2010-08-22T22:04:00.000-07:00</published><updated>2010-08-22T22:17:11.111-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogues'/><title type='text'>Impressões do Encontro de Blogueiros - 2010</title><content type='html'>Participei ontem e hoje do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Verdadeiramente enriquecedor.&lt;br /&gt;Conheci blogueiros de alto nível, como &lt;a href="http://www.rodrigovianna.com.br/"&gt;Rodrigo Vianna&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/"&gt;Lola&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cloacanews.blogspot.com/"&gt;Cloaca&lt;/a&gt;. Conversei com pessoas de vários lugares do Brasil. Descobri gente bacana, como a &lt;a href="http://umoutrojornalismoepossivel.blogspot.com/"&gt;Gilmara&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://stelles.blogspot.com/"&gt;Sérgio&lt;/a&gt;, a &lt;a href="http://www.entreversoes.net/"&gt;Serena&lt;/a&gt;. Encontrei até figuras que fizeram parte da minha adolescência, como meu ex-professor Laerte, da Escola Técnica Federal de São Paulo, atual Instituto Federal de Educação.&lt;br /&gt;Destaco dois momentos muito fortes nesse encontro.&lt;br /&gt;O primeiro foi a leitura de uma carta do blogueiro Lucio Flávio Pinto, por seu filho, no sábado. Muito tocante. Percebi o quanto a coragem de denunciar, de enfrentar, mesmo de dizer a verdade pode ter um preço alto no Brasil. A leitura fluiu pesada, comovida, angustiada, e eu passei uns quinze minutos sentindo o efeito daquele texto profundamente revelador. Doeu, mas doeu para o bem, para ampliar a percepção sobre o significado de estar ali.&lt;br /&gt;O segundo foi quando, no domingo, o Rildo, um dos organizadores do nosso grupo de discussão, foi às lágrimas ao falar de sua opção pela formação em Pedagogia, curso que concluirá este ano. Fiquei com vergonha. Não só porque sou um professor já lutando contra o desestímulo e o ceticismo em relação às propostas dos governos. Corei de vergonha porque criei um blogue para falar da valorização dessa profissão tão fundamental e digna, e não consigo fazer isso. Meus textos, já há algum tempo, expressam muito mais indignação e decepção que paixão pelo que faço. Não que a última me falte, mas sinto que tenho tido uma postura muito menos otimista do que julgava poder ter. A fala do Rildo, por algum motivo, trouxe-me luz sobre o porquê de continuar, de seguir adiante, de acreditar apesar de tudo. Foi uma fala que conseguiu fazer o que meus muitos textos não conseguiram, pelo menos em meu coração.&lt;br /&gt;Houve muito mais, sem dúvida. Lembrarei no momento devido. Por ora, quero apenas saudar a vida por mais essa oportunidade de crescimento. Como lição de casa, fica visitar os blogues das belas e inspiradoras pessoas com quem pude conviver por esses dois dias. Trarei novidades sobre isso em breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-12914869600015983?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/12914869600015983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=12914869600015983' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/12914869600015983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/12914869600015983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/08/impressoes-do-encontro-de-blogueiros.html' title='Impressões do Encontro de Blogueiros - 2010'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1845918021394761028</id><published>2010-08-14T19:55:00.000-07:00</published><updated>2010-08-14T20:07:06.053-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ética'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tv'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Criança Esperança'/><title type='text'>Criança Esperança: o que é benemerência, afinal?</title><content type='html'>Eu não sei nada sobre o evento &lt;em&gt;Criança Esperança&lt;/em&gt; da Globo. Mas como é uma festa que arrecada dinheiro para pessoas necessitadas, conta com minha simpatia de cara. &lt;br /&gt;Eu não vejo o programa, não gosto dessa coisa de amontoados de atrações musicais cantando uma música só, e isso é problema de bom ou mau gosto meu, e ponto. Mas este ano minha esposa me falou de um problema que não é de gosto ou opinião, e sim de conceito, sobre o qual resolvi escrever nesta postagem.&lt;br /&gt;Vou começar propondo a seguinte situação hipotética: haverá uma festa na escola em que leciono. Essa festa será de benemerência, e contará com a participação de várias pessoas da comunidade. O diretor da escola me convida para participar da organização da festa. Eu disponho de horas livres, e quero ajudar. Vou à festa no horário que disponibilizei. Ele então diz que é necessário colocar uma pessoa na organização interna, para montar as salas em que haverá eventos mais tarde, e que eu poderia fazer isso. Eu digo que não farei essa tarefa, porque ela implicaria que eu ficasse nos bastidores e que as pessoas não me vissem trabalhando. Em decorrência, as pessoas não saberiam que estive presente e não congratulariam meu esforço.&lt;br /&gt;Nessa situação que descrevi, na minha humilde opinião, eu estaria sendo absolutamente grosso e antiético. Por quê? Porque minha atitude caracterizaria tudo, menos benemerência, no sentido de entrega ao próximo, de disposição de ajudar, de altruísmo. Se agisse dessa forma, não estaria demonstrando gostar de ajudar pessoas, ou entender a importância de contribuir com a vida de necessitados. Estaria, sim, vendendo minha participação, e o valor seria minha exposição pública. Ou seja, quando ajo assim, só ajudo enquanto recebo algo em troca. Então, no meu entender, não participo da festa nem por bons sentimentos, nem por apelo de consciência; participo para que os outros pensem coisas boas de mim. Em outras palavras, para me promover.&lt;br /&gt;Ao fazer uma analogia dessa situação hipotética com o &lt;em&gt;Criança Esperança&lt;/em&gt;, vejo-me obrigado a reprovar a atitude absolutamente mal educada de artistas como Xuxa e Zezé di Camargo de criticarem o formato do programa. Pelo que entendi, não se trata de um superfestival ou de um evento com fins meramente lucrativos. Se um artista concorda em participar é porque aceita doar uma parte de seu tempo e emprestar por alguns minutos sua imagem para que a festa funcione. É ridículo fazer qualquer exigência, porque qualquer exigência caracteriza, nesse caso, que a participação não é altruísta, na medida em que se exige algo em troca, seja mais exposição, seja mais controle sobre o evento. É muito feio &lt;a href="http://www.clickpb.com.br/artigo.php?id=20100814071147&amp;cat=cotidiano&amp;keys=zeze-di-camargo-detona-crianca-esperanca"&gt;dar uma declaração de que um esforço midiático com essas características será um fracasso&lt;/a&gt; apenas porque não será feito da forma como o declarante considera que seja a melhor. É como torcer contra. É inacreditável, ainda, que alguém diga que "participou contrariado" do programa. Como assim? Que disposição de ajudar é essa? Que empenho altruísta há nisso? É melhor não ir, simples assim.&lt;br /&gt;Aceitaria sem problemas que alguém dissesse: "não vou". Opção de cada um. Mas querer &lt;a href="http://televisao.uol.com.br/ultimas-noticias/2010/08/14/wolf-maia-confirma-que-xuxa-esta-fora-do-crianca-esperanca-e-nega-atrito.jhtm"&gt;condicionar a colaboração "espontânea" e "de boa vontade" a prerrogativas de condução do evento é muito contraditório&lt;/a&gt;. Uma razão coerente e aceitável para uma recusa seria discordar da idoneidade da distribuição do dinheiro arrecado, ou do uso da imagem dos artistas para fins outros que não a filantropia. Mas não é nada disso. Do jeito que foi divulgado, fica parecendo que alguns artistas veem a benemerência como oportunidade de autoexposição. Para evitar essa má impressão, bastaria o silêncio, ou o bom senso, ou a correção da declaração inconsequente. Uma imagem de postura íntegra exige certo controle da vaidade, e um maior cuidado com os rompantes de estrelismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1845918021394761028?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1845918021394761028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1845918021394761028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1845918021394761028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1845918021394761028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/08/crianca-esperanca-o-que-e-benemerencia.html' title='&lt;em&gt;Criança Esperança&lt;/em&gt;: o que é benemerência, afinal?'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4939377780986641007</id><published>2010-08-07T22:00:00.000-07:00</published><updated>2010-08-08T05:18:07.279-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presidente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>O fenômeno Lula</title><content type='html'>Eu fico imaginando. &lt;br /&gt;Fico pensando o que aconteceria a alguém que disputasse três eleições seguidas para o mesmo cargo, sofrendo três derrotas consecutivas. E que assumisse esse cargo marcado por uma grande desconfiança em relação aos rumos que tomaria.&lt;br /&gt;Fico pensando o que aconteceria a essa pessoa se, desde o momento em que assumisse esse cargo, sofresse oposição violenta dos quatro maiores jornais do país e da maior revista em circulação. Fico pensando como essa pessoa lidaria com uma sucessão de escândalos e manchetes negativas na imprensa.&lt;br /&gt;Fico pensando como alguém poderia se segurar no governo nesse contexto, se ainda colaborassem para seu azar as trapalhadas de membros de sua administração e práticas antiéticas de pessoas de seu partido.&lt;br /&gt;Fico pensando como uma pessoa, com todos esses fatores contrários, poderia sobreviver a um bombardeio midiático pré e pós-eleição que a associasse a corrupção e desvios de conduta.&lt;br /&gt;Como uma pessoa pode suportar a ação legitimada e bem paga de colunistas de revista e blogueiros que a ofendem sistematicamente, acusando-a de desonesta, chamando-a por apelidos indecorosos, comparando-a a sapos, antas, mulas e afins? Como uma pessoa pode manter sua popularidade se sofre ataques constantes à sua reputação, que se estendem a membros de sua família, amigos próximos e homens de confiança? Como, se são levantados todos os aspectos que possam afastá-la da imagem de sucesso construída pela ideologia da elite e culturalmente aceita por grande parcela da população? Como, se aplicam contra ela preconceitos de classe, de procedência geográfica, de formação escolar e muitos outros? &lt;br /&gt;Como as pessoas olhariam para mim se eu fosse descrito como um alcoólatra? Se eu fosse acusado de pedir que minha ex-companheira abortasse uma filha? Se eu fosse tachado de estuprador de meninos? Se ventilassem que me aproveitei financeiramente do fato de ter sido cassado pela ditadura, ou da desgraça de ter perdido um membro do corpo? Se minha forma de falar fosse impiedosamente ridicularizada dia após dia em vídeos postados na internete e distribuídos em listas a milhões de pessoas? Se eu fosse, sem nenhum respeito ou consideração por minha posição institucional, chamado de analfabeto, ignorante, mentiroso e despreparado?&lt;br /&gt;Como eu poderia ser querido do povo se os jornais associassem minha imagem a acidentes aéreos com centenas de mortos? Se associassem a imagem de minha administração a apagões e surtos de febre amarela e questões de segurança nos estados e a vazamentos de provas do ENEM e dossiês fabricados contra adversários e a problemas tantos que nem fosse possível um só governante por eles se responsabilizar? Se associassem minhas aparições públicas a manifestações de repúdio? Como ficaria minha imagem se eu fosse vaiado na abertura de um evento esportivo internacional, transmitido ao vivo e a cores para toda uma nação?&lt;br /&gt;Fico imaginando.&lt;br /&gt;Fico imaginando alguém que passasse por todos esses problemas e ainda outros. Uma crise mundial que abalasse mercados em todo o planeta. A necessidade de se posicionar em relação a blocos de poder em atrito evidente. A urgência de reverter um quadro de miséria de uma enorme população desamparada. A cobrança de resultados em diferentes áreas sociais destruídas pelos mandos e desmandos de pessoas desqualificadas para administrá-las. &lt;br /&gt;Fico imaginando a cabeça de alguém que tem seu principal projeto social criticado impiedosamente e que, depois de vê-lo vingar, tem de ouvir os mesmos críticos dizerem que outros governantes deveriam receber os méritos desse sucesso, por terem sido pioneiros nas iniciativas.&lt;br /&gt;Fico imaginando como se sente alguém criticado em seu próprio país por conduzir uma política externa considerada desastrosa enquanto recebe prêmios tanto dos fóruns dos países capitalistas quanto dos fóruns alternativos com inspirações socialistas.&lt;br /&gt;Fico pensando que todas essas condições, somadas, inviabilizariam a eleição, ou a reeleição, ou a carreira política, ou mesmo a imagem de integridade de uma pessoa.&lt;br /&gt;E é por isso que considero a popularidade do presidente Lula um fenônemo extraordinário, que dificilmente se repetirá. Nunca houve oposição tão feroz, agressiva e sem limites a uma figura pública quanto a que vi ser praticada contra o presidente nos últimos oito anos  - e não estou discutindo as razões dessa oposição, se fundadas ou infundadas, estou apenas constatando sua obstinação. Não foi apenas crítica a um estilo governo; foram ofensas que beiraram o inaceitável, como a alusão ao dedo perdido da mão ou à condição de nordestino. E ainda assim Lula se manteve, sobreviveu no imaginário da população, tornando-se, ao fim de seus dois mandatos, não apenas o presidente mais popular de nossa história, mas a figura pública de maior credibilidade do Brasil, como atestam pesquisas realizadas nos últimos tempos, com possibilidade clara de fazer seu sucessor e até mesmo, se quisesse, de conseguir um terceiro mandato, com aval dos brasileiros. Mais de 80% da população apoia o presidente no fim desse longo e tortuoso percurso, mesmo com o desgaste que seria natural para uma personagem com tão ampla exposição. Isso não é normal, definitivamente. Ampliando o raciocínio da manchete da revista CULT sobre a gestão Lula, diria que não tivemos um presidente apenas improvável, mas em grande medida também impensável.&lt;br /&gt;Gostemos ou não de Lula, seremos sempre obrigados a admitir que desenvolveu-se uma química entre ele e o povo que não acontece todo dia. Quando nos afastarmos no tempo dessa época histórica, teremos condições de avaliar com menos parcialidade ou paixão o seu legado, entre os muitos erros e os muitos acertos. Mas será muito difícil explicar às gerações vindouras uma popularidade tão gigantesca e consolidada num contexto tão traiçoeiro e complicado de governabilidade. Estou certo de que se trata de um fenômeno singular, e que deve ser analisado e compreendido como tal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4939377780986641007?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4939377780986641007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4939377780986641007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4939377780986641007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4939377780986641007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/08/o-fenomeno-lula.html' title='O fenômeno Lula'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4008345514970868985</id><published>2010-07-26T17:16:00.000-07:00</published><updated>2010-07-26T17:20:07.751-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='academia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distração'/><title type='text'>Agruras na academia</title><content type='html'>Entre as promessas que se tornaram obrigações em 2010, inclui-se a de fazer exercícios físicos com constância, visto que minha saúde abrira o bico no início do ano citado. Lá fui eu fazer matrícula na ACM, num plano sem musculação, mas com direito à piscina - o que basta para minha alegria. &lt;br /&gt;Fazia muito tempo que eu não nadava nem praticava hidroginástica. Mas fazia mais tempo ainda que eu não usava um vestiário masculino. Parece que desabituei.&lt;br /&gt;Semana passada, esqueci de levar toalha e chinelo. Emprestaram-me o chinelo, mas tive de alugar uma toalha na rouparia, preço simbólico. Era uma toalha branca. Fiz a aula de hidro, relaxei, flutuei, desencanei de tudo. Voltei para o vestiário, abri o armário, peguei a malfadada toalha branca, fui aos chuveiros, pendurei-a num gancho, e aproveitei o prazer indescritível da ducha quente no corpo cansado. Mas na volta...&lt;br /&gt;Na volta reparei que havia uma toalha branca ao lado da minha toalha branca - ou melhor, da toalha branca que eu tinha de devolver na rouparia. Fiquei olhando para elas uns 30 segundos, hesitando, e as pessoas devem ter pensado quão grande, profunda e enigmática reflexão estava eu fazendo sobre a natureza e a filosofia das toalhas. Finalmente, cheguei ao ápice do enlevo com uma conclusão estarrecedora: eu não sabia qual das duas era a minha. Situação incômoda, mas que não poderia conduzir à imobilidade; afinal, eu teria de devolver alguma coisa para a instituição. &lt;br /&gt;Com uma vergonha imensa, perguntei aos que ainda estavam no chuveiro quem trouxera uma toalha branca. Manifestou-se um senhor, que gentilmente saiu do quente da água para desfazer o nó perceptivo em que eu me enredara. Mas a questão era mais complicada do que parecia, muito mais, porque rapidamente ele caiu no mesmo estado contemplativo diante das toalhas penduradas, sustentando a concentração por um tempo igualmente longo, até admitir que também não conseguia identificar qual era a minha e qual era a dele. &lt;br /&gt;Naquele momento eu fiquei aliviado em saber que não sou o único distraído do mundo. Escolhi uma delas, e disse ao senhor que a utilizaria e devolveria ao roupeiro, esse sim, com instrumental intelectual suficiente para desfazer o engano em que nos embananáramos. Disse ainda que retornaria para avisar. &lt;br /&gt;Não sou uma pessoa melindrosa, mas confesso ter torcido para acertar dessa vez, porque não me parecia das melhores e mais recomendadas atitudes do mundo usar coisas de pessoas que não conheço. Dei sorte, deu tudo certo. Quando estava indo embora, o roupeiro mostrou a marquinha da ACM perto da etiqueta, suficiente para esclarecer qualquer dúvida a respeito da propriedade daquele item. Voltei ao vestiário, avisei o senhor, e fui para casa.&lt;br /&gt;Dei boas risadas pensando no caso. Coisa de quem tem cabeça na Lua. Só eu mesmo.&lt;br /&gt;Mas, se eu achava que tomaria a linha depois dessa, muito me enganava a meu respeito. Pois não é que aprontei outra? Voltei da aula da hidroginástica e fui direto ao armário onde deixara as minhas coisas, o 183. Peguei a chavezinha e fui abrir o cadeado, mas não consegui. Então pensei: - Bobão, é o 182. Mas ele estava vazio. Fui ao 184, e o cadeado era de outra marca. Pensei então: - Acho que guardei minhas coisas na outra fila de armários. Mas fiquei constrangido de testar a chave em todos eles, porque havia pessoas se trocando. Nesse momento, caí naquele mesmo estado de profunda reflexão filosófica, desta vez a respeito de armários e cadeados, e disse para mim mesmo, com toda a franqueza e dignidade do mundo: - Não lembro onde coloquei minhas coisas. &lt;br /&gt;Isso deve ter ficado tão explícito na minha cara de paisagem que um dos senhores perguntou-me se eu precisva de ajuda. Contei meu drama, e ele riu, como mais tarde eu mesmo faria ao pensar naquela embaraçosa situação. As pessoas me olhavam com ar engraçado. Eu não sabia o que fazer no meio daquele monte de gente; estava realmente envergonhado.&lt;br /&gt;E então, surgiu a personagem que poderia me tirar daquela crise, o rapaz que cuida do vestiário, e que devia estar acostumado com coisas do tipo. Ele me pediu a chave e foi testando armário por armário, coisa que não pdoeria ser feita por mim sem irritar os outros usuários. Eu achava que o meu era um armário perto da porta, de numeração menor, o que o obrigou a passar por três fileiras diferentes com a chavezinha testando a compatibilidade dos cadeados sem sucesso. Mas eu estava absurdamente enganado, o meu era lá do outro lado. Qual não foi meu alívio ao vê-lo abrindo o cadeado do 202, beeeeeem longe de onde eu pensava estarem minhas coisas. Agradeci meio sem jeito, peguei o que ali guardara, me vesti e voltei para casas com mais uma piada sobre minha cabeça de vento. E não duvido de que ainda venham outras. Fazer o quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4008345514970868985?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4008345514970868985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4008345514970868985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4008345514970868985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4008345514970868985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/07/agruras-na-academia.html' title='Agruras na academia'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4730221971716785877</id><published>2010-07-25T13:20:00.000-07:00</published><updated>2010-07-25T13:50:06.967-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogues'/><title type='text'>Poema e mais</title><content type='html'>A partir de agora, quando escrever algo de interessante nos outros blogues, vou postar o link neste. &lt;br /&gt;Assim, fica mais fácil comentar a produção e até entender melhor o que estou sentindo em determinados momentos.&lt;br /&gt;Esta semana, escrevi &lt;a href="http://vinivini74.blogspot.com/2010/07/o-acaso-nao-vai-me-proteger.html"&gt;este poema&lt;/a&gt;. Curtinho, mas honesto.&lt;br /&gt;Escrevi também &lt;a href="http://superotimista.blogspot.com/2010/07/sexo.html"&gt;algo sobre o maior dos prazeres da vida&lt;/a&gt;. Curtinho também, e mais honesto ainda!&lt;br /&gt;Até!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4730221971716785877?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4730221971716785877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4730221971716785877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4730221971716785877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4730221971716785877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/07/poema.html' title='Poema e mais'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-42712928706811720</id><published>2010-07-11T22:18:00.000-07:00</published><updated>2010-07-11T22:27:18.374-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Copa do Mundo'/><title type='text'>Balanço da Copa do Mundo da África do Sul - 2010</title><content type='html'>1 - A Alemanha fez as partidas mais brilhantes da Copa do Mundo, mas não foi brilhante em todas as suas partidas. A Espanha, em todos os seus jogos, foi melhor que seus adversários (inclusive na derrota contra a Suíça). Portanto, não há como não dizer que não tenha sido a melhor seleção. Isso nos leva a uma boa constatação, do ponto de vista do esporte: venceu o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - A Holanda também merecia o título, não só pelo que apresentou em 2010, mas pela bela história em Mundiais. Admitamos: um pouco mais de sorte e pontaria e poderia ter levado desta vez. Mas haverá muitas outras. Se isso serve de consolo, lembremos que o Brasil também tem sua pendência com a História, que é a medalha de ouro olímpica no futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - A arbitragem nesta Copa foi simplesmente horrorosa, e a FIFA tem de rever imediatamente a reticência que tem em relação ao uso da tecnologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - Talvez em função da ruindade da arbitragem, esta edição foi marcada por um futebol feio, violento, truncado em grande número de partidas e, infelizmente, também na partida mais importante, a final. Bateu-se muito, puniu-se pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Na minha opinião, essa violência acabou sendo decisiva para a eliminação do Brasil no Mundial. Porque, para mim, essa eliminação começou a ser construída quando o carniceiro marfinense simplesmente inutilizou Elano para o resto do evento. Elano teria sido fundamental naquele jogo contra a Holanda. Seria o cara da bola no chão, da distribuição inteligente, do equilíbrio emocional (porque quem não consegue controlar o jogo é que entra em desespero, embora a mídia tenha batido na tecla do inverso: que quem entra em desespero não consegue controlar o jogo; para mim, sem tática, não tem cabeça que não se irrite).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - O Brasil perdeu porque a Holanda foi mais time. Mas o Brasil não estava tão aquém assim, nem da Holanda, nem da Espanha, nem de ninguém. Dava pra ganhar, dava pra perder. Pesaram as contusões, a falta de padrão tático consistente, e limitações de talento desta geração, que não é, definitivamente, extraordinária como outras, campeãs ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 - Dunga fez, nesses quatro anos, mais do que eu esperava dele. Foi um bom trabalho, no todo. Não sei se outro técnico conseguiria tirar mais do grupo de Dunga, ou chegaria ao título contra seleções que tinham, no mínimo, tantos bons jogadores quantos os nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - Craques e gênios são para vender ingressos e saciar imaginários na sociedade do espetáculo. O que ganha é o conjunto, e isso ficou provado em definitivo em 2010. Messi, numa Argentina desorganizada, faz muito barulho e pouco efeito. É melhor ter um Puyol numa Espanha bem armada, ou um Ozil sabendo o que tem de fazer no esquema alemão. Um jogador genial pode ser decisivo, mas um time bem armado de jogadores bons, ainda que não geniais, é sem dúvida preferível, por ser mais efetivo. No futebol, ganha a equipe, perde a equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - E se a equipe funciona, o jogador de quem nada se esperava pode brilhar e mostrar-se tão decisivo quanto o gênio ou o craque. Na verdade, ele pode até mostrar que é também um craque. Vide o menino Muller, da Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - O polvo Paul deveria ser contratado pela televisão para ficar no lugar dos comentaristas. Ele não enche o saco do espectador com coisas inúteis e não erra palpites nunca. Nenhuma emissora tem um cara assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - Eu quase completei meu álbum de figurinhas da Copa. Como os álbuns estão bonitos ultimamente! Figurinhas brilhantes, acabamento gráfico impecável, tudo de primeira. Faltam 81 figurinhas. Ao fim, terei um souvenir belíssimo do evento, coisa fina. E que me serviu para ficar mais próximo dos alunos, e conhecer muita gente bacana por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - Só de ser o campeão uma seleção que nunca tinha levantado o caneco, já estou feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - Eu sou mais azarão que o Mick Jagger. Acho que das quartas-de-final para frente, não ganhou nenhuma seleção para a qual eu torcesse. Nenhuma, juro por Deus. (Guardei o item 13 para este comentário por superstição.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 - Não tenho raiva do Felipe Melo, nem do Dunga, nem do Julio César, nem de ninguém. Precisamos acabar com isso. O Brasil não pode jogar com a obrigação de ganhar, senão acontece o que aconteceu: não sabe reagir quando a derrota é iminente. Devíamos ter entrado na Copa para jogar, correndo o risco de ganhar. Porque o único risco é ganhar; perder já é praticamente garantido. Mas nós entramos na Copa para ganhar, correndo o risco de perder, e isso nos leva a esquecer... de jogar! Haverá outras Copas, haverá outras oportunidades, perderemos umas tantas, ganharemos mais algumas. E um dia, quem sabe, aprenderemos que os outros, no esporte, também existem e também querem vencer. Essa é a graça da competição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-42712928706811720?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/42712928706811720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=42712928706811720' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/42712928706811720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/42712928706811720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/07/balanco-da-copa-do-mundo-da-africa-do.html' title='Balanço da Copa do Mundo da África do Sul - 2010'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5674187985155575444</id><published>2010-06-28T14:32:00.000-07:00</published><updated>2010-06-28T14:35:00.343-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='debate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PHA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nassif'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='liberdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogues'/><title type='text'>Uma honra</title><content type='html'>Na segunda-feira passada, dia 21 de junho, posso dizer que consegui demonstrar pessoalmente minha admiração por dois grandes cabeças da internete atual. No Sindicato dos Engenheiros, pertinho da Câmara Municipal, pude assistir a um debate de alto nível sobre a imprensa e a blogosfera, a propósito do lançamento do livro &lt;em&gt;Liberdade de Expressão X Liberdade de Imprensa&lt;/em&gt;, do professor Venício Lima. Infelizmente - e um tanto vergonhosamente também - não pude adquirir o livro, pois pensei que poderia comprá-lo com cartão de crédito e levei pouco dinheiro. O leitor compreenderá que não foi sovinice da minha parte, apenas precaução, pois andar a pé no centro da cidade, à noite, com somas consideráveis de dinheiro, não é nada recomendável.&lt;br /&gt;Na mesa de debatedores, estavam presentes algumas das cabeças mais brilhantes que conheço, como o professor Venício, autor do livro, e primeiro a chamar minha atenção para a diferença entre direito individual e direito corporativo de expressão de ideias; o grande jornalista Mino Carta, reserva moral da imprensa brasileira; o professor e pensador Fábio Konder Comparato, reserva de lucidez no debate da ciência política. Mas devo confessar que, embora admire esses homens que citei, meu interesse estava focado nas falas de Paulo Henrique Amorim e, principalmente, Luis Nassif. E não por considerá-los mais brilhantes ou mais inteligentes que Mino ou Konder (para os quais penderia a balança na comparação, em função do peso da história de sua atividade intelectual); admiro-os porque acompanho seus blogues e julgo que eles - incluindo aí também o Azenha - foram os primeiros a compreender a nova estrutura de gerenciamento de informação trazida pela internete, e os primeiros a empreender uma ocupação efetiva desse espaço. A fala de Nassif foi um alento de clareza nesse sentido: segundo ele, o jornalismo tem de se transformar, porque a informação passará a vir de diversas fontes, todas acessíveis ao leitor, e o mais importante não será consegui-la na frente de todos, mas sim saber interpretá-la adequadamente dentro de uma grande massa de dados recolhidos de vários espaços e produtores.&lt;br /&gt;Não sou disso de tietagem, mas fiz questão de cumprimentá-los pessoalmente no fim do evento, e dizer que acompanho seus textos. Eles provavelmente não sabem que este blogue existe, mas efetivo esta postagem como um segundo gesto de admiração, respeito e apoio.&lt;br /&gt;E juro que vou comprar o livro pela internet. Senão fica chato, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5674187985155575444?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5674187985155575444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5674187985155575444' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5674187985155575444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5674187985155575444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/06/uma-honra.html' title='Uma honra'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3526364828353814059</id><published>2010-06-20T17:49:00.000-07:00</published><updated>2010-06-20T17:52:00.358-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adolescentes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mídia'/><title type='text'>Seleção de traseiros</title><content type='html'>Eu voltava para o apê perto da meia-noite e passei por uma banca de jornal da Avenida Paulista. Observava as revistas em exposição quando chegaram dois garotos, mais ou menos adolescentes, entre 18 e 21 anos. Pararam para ver a capa da revista &lt;em&gt;Sexy&lt;/em&gt;, que se constituía de cinco modeletes de costas com as bundonas de fora. Os comentários foram engraçados: "- Aí, sim", "- Essas batem um bolão!". "- Isso é que é seleção de verdade".&lt;br /&gt;A certa altura, um dos rapazes apontou com três dedos da mão três das modeletes e disse: "- Essa, essa e essa. As outras duas, só pegava se as três não quisessem".&lt;br /&gt;Fiquei rindo sozinho até chegar em casa. Os sonhos do menino me inspiraram imaginar cenas divertidas. Pensei numa sequência de filme pornô: o rapaz magro, sonso e sem graça na piscina, com três moças nuas, ouvindo de uma quarta que se retira rebolando: "- Não suporto ser preterida assim. O que elas têm que eu não tenho?". &lt;br /&gt;Também fiquei pensando comigo como é curioso o mundo em que vivemos, em que até nas fantasias eróticas é possível escolher os objetos como quem escolhe latas de tomate nas prateleiras. E em que qualquer cidadão em qualquer circunstância pode projetar pessoas de carne, osso e alma como meros objetos de consumo, e abstrair totalmente a existência de uma individualidade e de um arbítrio por detrás daquelas pessoas (ou daquelas bundas, que, em última análise, são partes do corpo de pessoas). Tomara que as falas sejam só bravata de meninos. Se não forem, coitadas das namoradas deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3526364828353814059?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3526364828353814059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3526364828353814059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3526364828353814059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3526364828353814059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/06/selecao-de-traseiros.html' title='Seleção de traseiros'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2771524873132946191</id><published>2010-06-04T18:49:00.000-07:00</published><updated>2010-08-01T15:04:56.623-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='israel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Sobre o ataque à embarcação dos ativistas pró-Gaza</title><content type='html'>Não vou me omitir. Nenhum Estado tem direito de atacar navios em águas internacionais. Começa daí.&lt;br /&gt;Mas a questão é outra. Muitos dizem que os ativistas provocaram, foram violentos, queriam criar mártires, e por isso sofreram a ação de Israel. Mesmo que tudo ou metade disso fosse verdade, a ação da Marinha israelense não deixaria de ser um desastre, em primeiro lugar por causa da ilegalidade e da violência, e em segundo lugar por ter respondido a supostas "ilegalidades" ou "provocações" justamente com a brutalidade que essas ações dos pacifistas queriam denunciar ou revelar. Sobrou apenas o antipático discurso do "fomos brutos mesmo, mas eles provocaram". Como se uma coisa justificasse a outra.&lt;br /&gt;Mas talvez a questão seja ainda outra. &lt;br /&gt;Uma vez, eu estava em um curso oferecido a professores da Prefeitura num teatro de São Paulo. Um então vereador (era época de eleição) estava na calçada da rua do teatro fazendo panfletagem e campanha. Os seguranças do teatro, a mando da direção, foram lá para expulsar o vereador. Corretíssimo, ele argumentou que podia fazer panfletagem porque a calçada era pública (não conheço a letra da lei, mas sei que é permitido), embora o teatro não o fosse. A discussão foi muito ríspida, mas o vereador permaneceu no local, mesmo sabendo que poderia ser agredido pelos seguranças. Foi um ato digno, ainda que talvez um pouco insensato e ousado. &lt;br /&gt;As perguntas a se fazer nesse caso seriam de onde veio a ordem para tirar o vereador de lá e se essa ordem estaria acima da lei municipal, que é, em última análise, uma convenção política coletiva. Ou seja, as regras do teatro, ou as determinações de sua direção, não estão acima das leis maiores do município. &lt;br /&gt;Assim eu penso em relação aos conflitos no Oriente Médio: frequentemente, o "dono do teatro" expulsa os habitantes incômodos da "calçada". Sou a favor da existência de dois Estados soberanos, o da Palestina e o de Israel. E está ficando claro para o mundo inteiro que a ocupação da Faixa de Gaza foi e é um desrespeito a essa noção de soberania, que já não pode ser justificado como simples defesa de território. Os tripulantes da embarcação podem ter sido ousados, indisciplinados, sei lá o quê (eu não acho, mas estou concedendo que possa estar enganado). Mas, em primeiro lugar, eles estavam na "calçada", segundo a ONU e segundo o próprio Estado de Israel (o "dono do teatro"). E, em segundo lugar, as definições das áreas de "teatro" e "calçada" nesse caso são totalmente arbitrárias, impositivas e até ilegais. As grandes nações do mundo fizeram, historicamente, vistas grossas às ocupações de Israel, e fazem ainda hoje. Se uma nação não pode desrespeitar convenções internacionais ainda que outras o façam, é ainda mais absurdo que desrespeite as regras que impôs pela força e que já são, em si, um desrespeito.&lt;br /&gt;Em suma: violência, ousadia ou inconsequência dos ativistas não justificam o ataque da Marinha israelense. Israel não estava em perigo, nem sua soberania, nem sua população. Foi um erro, que não pode ser justificado por algum outro suposto erro. E os grandes erros estão no âmbito da História, não dos fatos tomados como episódios isolados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que os próprios israelenses concordam que erraram feio:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2010/06/20/ult1807u56450.jhtm"&gt;http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2010/06/20/ult1807u56450.jhtm&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2771524873132946191?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2771524873132946191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2771524873132946191' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2771524873132946191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2771524873132946191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/06/sobre-o-ataque-embarcacao-dos-ativistas.html' title='Sobre o ataque à embarcação dos ativistas pró-Gaza'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3964535088052945232</id><published>2010-05-30T15:53:00.000-07:00</published><updated>2010-05-30T16:14:09.552-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mercado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='produtos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='compras'/><title type='text'>Novas concepções na arte de comprar</title><content type='html'>Fazendo compras, hoje, num grande hipermercado, topei com duas situações que me fizeram rever alguns conceitos.&lt;br /&gt;Primeiro, vi que a água Bonafonte estava sendo vendida em dois formatos, um de 1,5 litros, custando R$ 1,20, e outro de 5 litros, a 4,99 (um dia farei uma postagem explicando por que acho absolutamente ridículo esse negócio de vírgula noventa e nove). Cálculo simples: o galão de 5 litros, a 5 reais, era mais caro que 6 garrafas de 1 litro e meio (total de 9 litros) a R$ 7,20. Pergunta: qual é a vantagem do galão? Ele é mais complicado de carregar, oferece menos alternativas de compra de quantidades (posso escolher entre 3, 4 ou 5 garrafas, mas, para essa quantidade de água, teria necessariamente de levar 1 galão), traz exatamente o mesmo produto (a não ser que a água do galão seja benta!) e CUSTA MAIS CARO!&lt;br /&gt;Em seguida, fui comprar um potinho de Nutella, de que sou absoluto fã. Um copinho de vidro contendo 180g do produto estava sendo vendido a R$ 3,99 (quatro, né?). Um potinho de plástico do mesmíssimo creme, provavelmente com o mesmo gosto (a não ser que o plástico tenha propriedades especiais sobre a avelã) continha 350g (ou seja, não chegava nem ao dobro da quantidade do potinho de vidro) e custava R$ 8,49 (ou seja, mais que dois potinhos de vidro). Essa opção pelo pote maior, que ainda acarretaria a desvantagem de não se poder usar o pote de plástico como copo posteriormente, quem em sã consciência faria?&lt;br /&gt;Houve um tempo em que eu acreditava nas embalagens maiores, com maior quantidade dos produtos, como uma forma de fazer com que o consumidor pudesse economizar ao comprar mais do mesmo, ou seja, como uma estratégia para torná-lo fiel à marca. Eu até chamava essas opções de "econômicas". Agora podemos chamá-las, tranquilamente, de opções cínicas. Algo como "leve mais e pague mais ainda". Brincadeira?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3964535088052945232?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3964535088052945232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3964535088052945232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3964535088052945232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3964535088052945232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/05/novas-concepcoes-na-arte-de-comprar.html' title='Novas concepções na arte de comprar'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8911689544233093274</id><published>2010-05-23T20:28:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T20:31:38.220-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidadania'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='povo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Um pouco de política</title><content type='html'>Alimento a esperança de um dia ver, nos espaços apropriados, debates verdadeiramente políticos sobre política. Entendo política como a ciência da administração do bem público, da representatividade, dos jogos de poder e das disputas entre diferentes forças sociais. Mas o que vejo nos espaços destinados ao debate propriamente político é absolutamente decepcionante.&lt;br /&gt;Não me refiro aqui à decepção-chavão com os "políticos" brasileiros, frequentemente considerados todos iguais, todos corruptos ou mal-intencionados. Para mim, essa é uma posição ingênua. Nem mesmo acredito muito nessa ideia de "políticos". Todos somos políticos enquanto cidadãos. Se precisamos reconhecer pessoas como "políticos", e elas delegamos poderes para decidirem por nós assuntos de nosso interesse, entendo que temos grande parcela de culpa nesse comportamento ilícito que apontamos e reprovamos nos nossos representantes. Política não é privilégio de "escolhidos" ou "cabeças" ou  "eleitos". A política é baseada em poder político, que é sempre concessão ou conquista (ou ambos), e é sempre um jogo de forças coletivas, de interesses coletivos. De certa forma, quando nossos representantes nos traem e nós os reelegemos, ou não reagimos, estamos abrindo mão de espaço verdadeiramente político, estamos entregando de bandeja algo que é nosso, que é de nossa alçada.&lt;br /&gt;Por isso, e por acreditar também que não é apenas nos palácios de governo e nas câmaras que a política se faz, estenderei minha crítica a cinco planos diferentes da atuação cidadã: o local físico em que vivo, a instituição em que trabalho, a categoria profissional a que pertenço, a administração da região da cidade em que moro, e, finalmente, o quadro partidário no qual devo optar por um conjunto de ideias para condução do meu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca havia assistido a uma reunião de condomínio. Assistir é a expressão correta, porque não tive direito a voto: precisaria de uma procuração de meu sogro. Fui mais para me atualizar dos acontecimentos do prédio. Saí um pouco frustrado.&lt;br /&gt;Da reunião participaram vários moradores de muitos anos, inclusive alguns que já foram síndicos. Havia uma proposta da administradora de aumento do valor do condomínio. Os moradores mais antigos e os ex-síndicos manifestaram-se contra, e então surgiu a pergunta: quem paga a conta? O condomínio estava no vermelho, e seria preciso saldar as dívidas. Decidiu-se pela manutanção do valor mensal com um rateio da dívida acumulada. Medida paliativa, mas menos assustadora que o aumento.&lt;br /&gt;O curioso dessa reunião foi a postura dos condôminos. Muitos cobravam de nosso síndico que "desse um jeito nas dívidas e diminuísse os gastos". Então, ele fez a pergunta que eu faria - quais são as sugestões? Não houve nenhuma. Houve um curioso "isso é com você, veja o que pode fazer", que deu bem a dimensão do que estava acontecendo. &lt;br /&gt;As contas do condomínio passam por três assinaturas de uma comissão de fiscalização. Ou seja: no mínimo, ali dentro, três pessoas deveriam saber que gastos eram excessivos e passíveis de corte, além, é claro, dos outros reclamantes, pois as contas ficam abertas à verificação por qualquer morador. Mas ninguém ali sabia que despesas poderiam ou deveriam ser cortadas; as pessoas simplesmente queriam que isso fosse feito. &lt;br /&gt;Delegar responsabilidades é fundamental para administrar, desde que seja feito com conhecimento de causa. Caso contrário, não é delegar, é eximir-se. Ficou muito claro para mim que as práticas políticas no prédio onde moro em relação à administração do patrimônio são absolutamente alienadas e displicentes. Não há projeto para os próximos anos, não há princípios comuns a serem discutidos, não há questionamento de regulamentos ou proposição de novas possibilidades, e, acima de tudo, não há noção de que os moradores devam participar de uma guinada nessa direção. Em suma: não há política de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A instituição máxima decisória nas escolas da Prefeitura é o Conselho de Escola. Presidi o Conselho de minha escola por dois anos, há algum tempo atrás, e considerei essa experiência muito enriquecedora. Uma das coisas que aprendi é que os Conselhos padecem de falta de representação dos alunos e da comunidade, e que são, na maior parte das vezes, manipulados escandalosamente pelo diretor, que não os utlizam como ferramentas de diálogo com os vários setores da escola, mas sim como meros fóruns de acatamento de propostas que não podem ser aprovadas em outros colegiados. Atualmente, vejo o Conselho em minha escola como um espaço morto, inerte, porque esvaziado de reais polêmicas. Os pais não se organizam para aprovar propostas de mudança que beneficiem seus filhos. Os professores vão às reuniões sem levar propostas dos grupos. Os alunos não estão nem aí para o que aparece nas pautas. Por fim, o administrativo também não faz grande esforço para suscitar debate de fato, contentando-se com o burocratismo das assembleias e conseguindo, quase sempre, aprovar tudo o que deseja. Portanto, é um sistema quase de partido único: não há um corpo de propostas alternativas que apontem para rumos diferentes daqueles que a instiuição toma por decisão de sua direção. Quando algo semelhante a isso acontece, o clima fica tenso, porque desnudam-se os conflitos e não é mais possível administrar com tese única sem fazer concessões. Em síntese: o Conselho de Escola não funciona como espaço democrático, apenas como espaço extensivo da autoridade das direções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço parte de um dos maiores sindicatos de trabalhadores do Brasil, o SINPEEM, e nele atuo de forma ativa, na medida do possível. Sou representante sindical da minha escola, e estou sempre presente nos congressos anuais, mas nunca cheguei a apresentar propostas ou emendas. Esse é um defeito meu, assumo, ligado à minha timidez para grandes públicos. Entretanto, só fosse só meu, seria algo totalmente contornável. O problema é que raramente uma proposta ou emenda é apresentada por alguém que não seja membro de uma das correntes políticas do sindicato. Poderíamos ver esse fato como positivo, uma vez que demonstra a existência de divergências ideológicas e grupos políticos em debate no âmbito da organização da categoria. Mas há uma questão complicada por detrás disso tudo. O presidente do nosso sindicato está há incontáveis anos no poder, já tendo, inclusive, atuado concomitantemente como vereador pela cidade de São Paulo. Não há como negar que ele seja importante para a categoria e para a história de luta dos professores, mas o que acabou acontecendo, no decorrer dos anos, foi uma centralização excessiva das ações em sua figura. A oposição ao presidente, sempre fragmentada e faccionada em vários grupos contestadores e barulhentos, nunca conseguiu fazer frente à chapa dea situação nas eleições, talvez porque nunca tenha se unificado, talvez porque nunca tenha estabelecido debate genuíno de propostas, com a construção de um plano político alternativo. Com otempo, venceu a ansiedade pelos cargos, e, espertamente, a situação cedeu à oposição vários espaços dentro da estrutura sindical, obviamente sem renunciar aos de maior controle e centralidade. &lt;br /&gt;Como resultado dessa política meio despolitizada - porque focada na disputa predatória pelo poder e não na construção de alternativas inteligentes de uso desse poder - temos que as assembleias, congressos e reuniões são constituídas de uma minoria de menos de um quinto de pessoas que realmente se pronunciam e se colocam, e de uma maioria absoluta de pessoas que está alheia a tudo o que se debate no sindicato, com grande parte, inclusive, preocupada apenas com as dispensas de ponto a que têm direito. Resultados evidentes: as discussões são facilmente desviadas do foco, as votações são facilmente conduzidas (a maioria das pessoas vota no que o presidente defender, mesmosem ter ouvido a discussão), as pessoas saem das reuniões bem antes de elas acabarem, a oposição fala mal do presidente o tempo todo, o presidente ironiza a oposição e nunca temos a impressão de ter acontecido um verdadeiro embate de ideias. &lt;br /&gt;Os resultados não têm sido os piores nos últimos tempos: enfraquecemos muito em questões como condições de trabalho e proteção contra abusos de gestão, embora tenhamos avançado nas questões salariais. Mas o que acho curioso é que o sindicato tem, em seus quadros, uma pluralidade imensa de pessoas altamente gabaritadas, com pontos de vista diferenciados a respeito de várias matérias, e isso simplesmente não aparece nas instâncias de discussão. Embora haja vários grupos, ligados a várias correntes, parece-me que tudo funciona como se o regime fosse de partido único, que domina soberano e sempre consegue cooptar quem o ameaça, quando necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de mudar para a região central de São Paulo, e desconheço completamente a administração do bairro onde vivo. Por isso não sei se serei justo no que vou expor adiante, mas serei correto e honesto em relação a minhas impressões gerais. &lt;br /&gt;Desde criança, sempre soube do funcionamento das regionais em São Paulo muito mais em função dos problemas que das ações efetivas. Se eu tivesse de listar as vezes em que a Administração Regional do bairro em que morava fora citada por alguém em contexto qualquer, em conversas formais ou informais, haveria repetição constante de frases como "tem que ir lá e molhar a mão de fulano", "tem que falar com fulano de tal", "lá eles liberam", etc. A verdade é que, no nível das conversas de bastidor, sempre ficou claro para mim que as regionais eram administrações de regiões da cidade loteadas para vereadores alinhados ao governo ou correligionários, em função de favores políticos e apoios. Casos como o de Vicente Viscome, na regional da Penha, só faziam crer que o funcionamento interno dessas unidades de gestão era tão questionável e duvidoso quanto os critérios de nomeação de seus "donos". &lt;br /&gt;Para além do senso comum, reconheço que houve reformas administrativas em São Paulo, mudanças nas subprefeituras e um esforço de transparência nos últimos anos, tudo muito louvável. Mas a verdade é, segundo minha experiência de cidadão paulistano, que as regionais estão completamente distantes da consciência política da população. Ainda pouco se sabe sobre suas estruturas, ainda pouco se sabe sobre seus projetos e, sobretudo, ainda pouco se sabe sobre as formas de atuar com elas ou contra elas. As diretrizes políticas das regionais são as mesmas do prefeito, por certo. Seria interessante, no entanto, entender qual a proposta específica para a região em foco, e quais seriam as instâncias de debate e decisão em que a população pudesse expressar suas concordâncias ou discordâncias em relação à condução dessa proposta.&lt;br /&gt;Morei no Campo Belo por um tempo, antes morava na Cidade Patriarca. Em ambos os lugares havia Sociedades Amigos de Bairro, mas nunca achei que fossem mais que meros clubinhos de discussão de interesses dos comerciantes e dos donos de imóveis. Vi grandes e belas iniciativas de mobilização, quase nunca relacionadas às agendas de subprefeitos ou representantes. Uma cidade do tamanho de São Paulo exigiria maior descentralização das estruturas de poder, e, por consequência, maior participação política em termos de debate de ideias e proposições nas instâncias regionais da prefeitura. Estamos, a meu ver, ainda muito longe disso. Na verdade, acho até que, nessa matéria, precisamos mesmo de um começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, chego aos cargos eleitos pelo voto direto. Para preenchê-los, temos de escolher entre diferentes pessoas, com diferentes propostas. Essas diferentes propostas são organizadas por partidos, segundo o alinhamento ideológico de cada indivíduo. O pluripartidarismo, em tese, é uma garantia democrática de que vários segmentos políticos da sociedade podem encontrar amparo, representação e legitimidade ao apoiarem ou se associarem com a legenda mais adequada a seus interesses.&lt;br /&gt;Acredito, no entanto, que o país empobreceu muito em matéria de alternativas partidárias nos últimos anos, por duas razões. A primeira é uma polarização política entre PT e PSDB que é motivada muito mais por questões de conseguimento e manutenção do poder que por diferenças programáticas irreconciliáveis (embora elas existam de fato). Como consequência, temos campanhas políticas horrorosas, em que NUNCA sabemos qual a plataforma política do candidato ao executivo ou ao legislativo. Isso é péssimo, porque acabamos votando em um ou outro candidato ou partido por simpatizarmos com ele ou antipatizarmos com o adversário, e assim damos ao eleito carta branca para fazer o que quiser, uma vez que desconhecíamos suas propostas e seus vínculos ideológicos. Com isso, tornamo-nos menos aptos para a cobrança efetiva de resultados e de coerência com o discurso de campanha. &lt;br /&gt;Um efeito secundário dessa polarização é a inópia do debate político nos chamados formadores de opinião. É claro como água, por exemplo, que revistas como a Veja são contra o PT, ou que páginas de internet como a Carta Maior são contra o PSDB. As perspectivas de poder fazem com que comentaristas, jornalistas, editores e intelectuais otem por um alinhamento imediato e às vezes quase que irrefletido em relação a ações de um lado como do outro. É difícil encontrar um analista político que ataque ou defenda Serra e Lula em proporções mais ou menos equilibradas. Ou o sujeito é pró-PSDB, ou é pró-PT, ou uma voz isolada. Basta dar uma fuçada na internet e ler a blogosfera alinhada a um lado ou a outro: parece um diálogo de surdos (dos piores, daqueles que não querem ouvir); a mesma notícia ou a mesma análise aparece em mais de trinta blogues diferentes, semrpe os mesmos, e sempre com a mesma "polaridade" positiva ou negativa. Chega a parecer briga de torcedores discutindo lances de um jogo de clubes rivais.&lt;br /&gt;A segunda razão para o empobrecimento das alternativas partidárias seria o fisiologismo dos partidos que estão fora da polarização, sejam eles novos, tradicionais ou nanicos. A dança das legendas chega a ser ridícula. Indivíduos que saltam de um barco para outro para seguir viagem às vezes parecem ter saltado para outro rio. Muitas pessoas que conheço estão há anos esperando o surgimento de uma dissidência coerente e confiável em algum dos grandes partidos, em torno da qual orbitem forças transformadoras capazes de injetar sangue novo na política, em termos de visão de país. Isso não acontece porque os partidos novos rapidamente se esforçam para coligarem-se com os partidos maiores, para obter tempo de televisão e garantir representação no Legislativo (que, no sistema atual, concede as cadeiras segundo os votos nos partidos, e não nos candidatos). Os partidos tradicionais, por sua vez, alinham-se aos partidos de fato (PT e PSDB) conforme possam conseguir ministérios, verbas e acordos locais. E os partidos nanicos tendem a desaparecer ou ver seus caciques migrarem para outras legendas, porque precisam de verbas e cargos para subsistirem, e não os conseguirão no sistema eleitoral que vige atualmente, a não ser que sejam acoplados às grandes coligações. &lt;br /&gt;Por tudo isso, creio que a democracia brasileira acaba carecendo de real confronto de opiniões e posicionamentos, acabando por se caracterizar como uma grande fábrica de ajustes entre partidos maiores e menores. Como resultado disso, torna-se praticamente impossível identificar as pautas de cada coligação. É possível verificar essa impossibilidade de maneira simples. Basta perguntar a qualquer pessoa quais são as ideias de seu candidato a presidência, governo do estado, câmra estadual ou federal sobre cinco ou seis temas centrais: rumos da economia, reforma da previdência, reforma política, relação entre os poderes, parlamentarismo e liberdade de imprensa, por exemplo. Verificaremos que quase ninguém será capaz de enunciá-las, ainda que tenha absoluta convicção de seu voto por outras razões.&lt;br /&gt;O que isso acarreta? Uma campanha eleitoral preocupada com "quem disse o quê", "quem fez mais", "quem se contradisse a respeito de algo", quem gaguejou ou ficou nervoso", e outras inutilidades. Uma campanha eleitoral que é puro, puríssimo marketing. Uma campanha eleitoral que emnada contribui para a elucidação de dúvidas reais dos eleitores e da sociedade a respeito de temas que lhes dizem respeito. Em suma, uma campanha eleitoral - uma posterior prática de assessoria de imprensa e discurso público - com muito pouca política, no sentido forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerro esta postagem agradecendo a quem teve paciência de ler tudo isso e acrescentando uma pequena reflexão, à guisa de comentário final.&lt;br /&gt;Não penso que uma reforma política ou uma adoção do parlamentarismo seria suficente para mudar esse panorama de despolitização. Seria preciso transformar práticas sociais de debate político nas raízes, naquilo que está mais próximo das pessoas, que são as instituições e fóruns de suas comunidades. Não acredito em nenhuma transformação "macro" sem uma mudança de postura no "micro". Precisamos romper com a tendência ao individualismo da sociedade contemporânea e apostar na força do local, do regional, do próximo a nós. Precisamos recuperar a noção de comunidade e de bem público, tão minada pelas ideologias do privado, da acumulação a qualquer preço, do "ter e não ser". E isso leva tempo, muito tempo. Por isso, faço votos de que possa escrever, em breve, mostrando que não sou só um reclamão, e tomei atitudes, ainda que pequenas, para mudar minha perspectiva de atuação política nos âmbitos que citei neste texto. Espero ser cobrado por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8911689544233093274?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8911689544233093274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8911689544233093274' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8911689544233093274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8911689544233093274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/05/um-pouco-de-politica.html' title='Um pouco de política'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1580432514239809811</id><published>2010-05-03T20:35:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T20:37:31.855-07:00</updated><title type='text'>Um dia daqueles</title><content type='html'>Palestra de manhã, encontro pedagógico à tarde, aula à noite. E ainda preciso acabar de produzir os anexos.&lt;br /&gt;Fechar os olhos e mergulhar. Ver no que dá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1580432514239809811?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1580432514239809811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1580432514239809811' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1580432514239809811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1580432514239809811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/05/um-dia-daqueles.html' title='Um dia daqueles'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2453299571179697528</id><published>2010-05-02T16:54:00.000-07:00</published><updated>2010-05-02T17:05:22.737-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='copa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ganso'/><title type='text'>Ganso</title><content type='html'>Paulo Henrique Ganso jogou como um craque a final que o Santos mereceu perder, e deu à equipe o título que ela merecia ganhar. Não tenho mais dúvidas: ele merece ir à Copa. Adriano não merece, nem Ronaldinho Gaúcho, nem Ronaldo Fenômeno. Ganso, sim. No momento, é o jogador que melhor futebol vem apresentando no Brasil. E, como se não bastasse isso, hoje mostrou que não amarela nas decisões, e levou o Santos nas costas até o fim do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para palpitar com estilo e de forma completa, ainda deixo minha sugestão de escalação titular para a seleção: Julio César, Maicon, Lucio, Juan, Michel Bastos; Lucas, Ramires, Ganso, Kaká; Luis Fabiano, Nilmar. Creio que todos esses estarão na Copa. Torço para isso. Outro palpite, já que palpitar é de graça: a Holanda tem um timão e deve ir longe. E já vem merecendo ganhar uma Copa faz tempo, desde a Laranja de Cruyff. Se eles levassem essa, nem triste eu ficaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2453299571179697528?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2453299571179697528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2453299571179697528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2453299571179697528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2453299571179697528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/05/ganso.html' title='Ganso'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1659306683933427534</id><published>2010-05-01T20:10:00.001-07:00</published><updated>2010-05-01T20:19:34.131-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retorno'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saúde'/><title type='text'>De volta</title><content type='html'>Voltar a escrever depois de tanto tempo é mais que uma forma de desculpar-me com meus leitores. É também um sinal de saúde.&lt;br /&gt;Passei alguns dias de sofrimento, entre cólicas renais, desconforto com sondas, idas constantes a hospitais e médicos, e uma recuperação de cirurgia mais complicada do que deveria.&lt;br /&gt;Não sei se sirvo para essa coisa de manter um blog. Não tive a firmeza de atualizá-lo durante todo esse período, o que pode significar que escrever não seja tão vital para mim, e que crises de saúde física ou psicológica possam ocasionalmente causar lapsos na frequência das postagens. Digamos que quero manter o blog, mas que isso não será a qualquer custo. Por isso, os mais de trinta dias de licença médica que tirei não serviram para escrever sequer uma linha neste espaço. Eu não estava bem, ficar sem trabalhar incomoda demais, as dores foram fator de preocupação, e nesse estado de espírito não senti vontade de escrever.&lt;br /&gt;Hoje, sim, acho que tenho algo a dizer, nem que seja um "ufa!".&lt;br /&gt;Espero retomar uma frequência aceitável de postagens, e conto com o apoio das pessoas que de vez em quando visitam este blog. Escrever aqui me faz bem, e preciso dedicar mais tempo às coisas que me dão contentamento. Foi o que aprendi nesses dias de molho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1659306683933427534?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1659306683933427534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1659306683933427534' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1659306683933427534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1659306683933427534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/05/de-volta.html' title='De volta'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4717206376481038326</id><published>2010-02-27T20:01:00.000-08:00</published><updated>2010-02-27T20:25:40.427-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='problema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mudanças'/><title type='text'>Quase problemas?</title><content type='html'>Estávamos numa grande expectativa de nos mudarmos já na próxima semana para nossa nova casa, quando surgiu um vazamento na parede do banheiro. Depois de tudo praticamente pronto e funcionando, teremos de quebrá-la de novo para verificar o que acontece.&lt;br /&gt;Esse fato evidentemente nos causaria alguma frustração, e nos deixaria mais cautelosos. Mas nossa reação no momento da constatação desse obstáculo foi muito mais intensa que isso, pois envolvia uma série de medidas não previstas a tomar no pouco tempo disponível que tem nos restado. Com os ânimos abalados, acabamos por falar mais rispidamente, e, quando desci a avenida para tomar o metrô, estava com a cabeça quente e perturbada. A prova disso é o incidente que se sucedeu.&lt;br /&gt;Ao passar pelo bloqueio da estação, como de costume, coloquei minha carteira sobre o mecanismo validador da passagem. Não costumo levar o bilhete em separado, por questões de hábito, e tenho preguiça de tirá-lo da carteira para passá-lo na catraca. Essa preguiça poderia ter me custado muito caro naquele momento, pois, com a mente avoada flutuando nos problemas da reforma, não percebi que não fechara direito o zíper. Resultado: a carteira caiu no chão sem que eu percebesse.&lt;br /&gt;Eu estava indo em direção a um estande onde se vendia café, mas não estava pensando nisso. Estava pensando na tristeza nos olhos de minha mulher, advinda do impacto dos problemas inesperados. E a verdade é que quase criei um problema muito maior que aquele, e de muito mais difícil solução. Minha sorte foi poder contar com o bom coração de uma moça que passava bem atrás de mim. Ela recolheu a carteira e me avisou imediatamente, devolvendo-me em menos de cinco segundos. Aéreo, agradeci, mas não da maneira que ela merecia, pois meu sorriso estava meio travado. Se um dia essa moça puder ler esta postagem, quero dizer que sinto muito, e que deveria ter elogiado com muito mais efusão a atitude que ela teve.&lt;br /&gt;Fiquei, depois do susto, pensando a respeito do que me acontecera. Eu pensei em como a vida nos ensina a relevar as frustrações, mostrando que há coisas muito mais graves que podem acontecer com a gente e não acontecem justamente porque há pessoas com que podemos contar, mesmo que não nos conheçam. Talvez seja um pouco frustrante ter de remendar uma parede que estava pronta, mas isso é nada vezes nada se eu pensar que poderia ter perdido documentos, cartões e dinheiro, e que teria de despender grande quantidade de energia em curto espaço de tempo para recuperá-los. Em vez de amargar os percalços da reforma, eu deveria rejubilar-me e agradecer a Deus pela existência de pessoas como aquela moça, que me salvou de um problema verdadeiramente grave. E deveria agradecer também por ter podido, nessa experiência, criticar meus pensamentos e dimensionar com mais clareza a gravidade efetiva daquilo que costumo chamar de "meus problemas".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4717206376481038326?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4717206376481038326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4717206376481038326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4717206376481038326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4717206376481038326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/02/quase-problemas.html' title='Quase problemas?'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5802990178963959880</id><published>2010-02-21T16:24:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T16:27:37.969-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ansiedade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='copa'/><title type='text'>Ano de Copa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este ano tem Copa do Mundo, o que significa, para mim, um mês de ansiedade e sofrimento. Esses sentimentos poderiam ser evitados se um dia eu desgostasse em definitivo do futebol, mas creio que isso beira o impossível. Também poderiam ser evitados se o Brasil entrasse nas Copas do Mundo como mero coadjuvante, como seleção que não tem nenhuma chance, ou chances apenas remotas. Mas isso nunca acontece: para desespero dos torcedores angustiosos como eu, o Brasil quase sempre pode ganhar. Desde que comecei a acompanhar as Copas, é assim: em 82, perdemos numa fatalidade, jogando um futebol maravilhoso; em 86, perdemos nos pênaltis, jogando melhor; em 94 ganhamos; em 98, perdemos a final, em função do susto com Ronaldo; em 2002, ganhamos. Acho que só em 90 e 2006 a seleção não jogou o suficiente para conquistar o título. Nesses anos, a eliminação não foi dolorosa para mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Torço muito para a vitória do Brasil, não pela CBF nem pelos jogadores, mas pelo povo. A conquista da Copa do Mundo é uma festa sem paralelos, joga o astral da população lá em cima. Acredito que este plantel tem chances, e aposto no Dunga, embora tenha ficado indignado quando ele foi escolhido treinador (o desempenho dele mudou meus conceitos, admito). Torço, entretanto, para que, não sendo o Brasil, o time campeão tenha jogado um futebol corajoso, ofensivo e bonito de ver, como a Hungria em 1954, a Holanda em 1974, o próprio Brasil em 1970, ou mesmo a França em 1998. Foi duro ver a Itália ganhar a última Copa com seus melhores jogadores sendo os zagueiros. E seria legal também se houvesse um novo campeão: Holanda, Portugal, Espanha, ou um país africano. Isso aumentaria rivalidades e daria chance a outras nações de fazerem a festa que já fizemos tantas vezes. Mas - é claro -só se o Brasil não for para a final. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Provavelmente acompanharei os jogos com meus aluninhos na escola. Tomara que possa ver alegria nos rostos deles durante todo o mês de junho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5802990178963959880?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5802990178963959880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5802990178963959880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5802990178963959880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5802990178963959880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/02/ano-de-copa.html' title='Ano de Copa'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5813414386483264761</id><published>2010-02-16T20:19:00.000-08:00</published><updated>2010-02-16T20:41:23.336-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contradição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='preferências'/><title type='text'>Contradições</title><content type='html'>Na postagem anterior, escrevi dando a entender que a música pop da década de 80 era ruim. Mas, veja só, algum tempo atrás &lt;a href="http://vinisempre.blogspot.com/2009/10/trilha-sonora-da-madrugada-em-claro.html"&gt;fiz um texto em que elogiava desmesuradamente as baladas pop desse período&lt;/a&gt;. Terei ficado maluco, caro leitor?&lt;br /&gt;Creio que não. As baladas boas da década de 80 continuam boas. E continuam sendo poucas. Se você fizer uma seleção das melhores, será uma seleção e tanto. Mas se você tiver de tocar 100 músicas oitentistas em sequência, não poderá utilizar só as baladas, nem só as clássicas, e perceberá que o conjunto soa irregular e cansativo. Por isso, canções como &lt;em&gt;Against All Odds,&lt;/em&gt; de Phill Collins ou &lt;em&gt;I just Called.., &lt;/em&gt;de Stewie Wonder se destacam ainda mais: porque são muito melhores que a média (que é de cançõezinhas bestas, alegrinhas, festivinhas, sem sal).&lt;br /&gt;Mas pode ser também que eu tenha, de fato, me contradito entre as postagens. Não tem problema. Não seria a primeira vez que eu digo coisas com convicção e depois digo coisas que parecem contrariar essa convicção. Posso tranquilamente viver com isso. Até porque isso faz parte do que sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5813414386483264761?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5813414386483264761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5813414386483264761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5813414386483264761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5813414386483264761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/02/contradicoes.html' title='Contradições'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1104801947735453910</id><published>2010-02-13T19:42:00.000-08:00</published><updated>2010-02-13T19:47:05.564-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Identidade e passado</title><content type='html'>Há alguns anos, fui a um aniversário de um amigo na Trash 80's. A proposta de entretenimento da casa era bastante curiosa, com clipes e músicas e visual da década mais cafona da cultura pop. Tudo muito bem feito, bem pesquisado, bem articulado, o que não salvou a noite de ser tediosa para mim, porque boa parte do que fez sucesso naqueles meus tempos de criança eram músicas simplesmente inexpressivas e sem alma. A junção aleatória dessas canções pode ativar regiões afetivas da minha memória, mas, depois de algumas horas de audição, transforma-se numa pasta disforme, um mosaico culturalmente irrelevante. Lembro-me, no entanto, de ter observado que essa coleção de canções, irregular na qualidade e tendendo para o muito ruim, produzia reações intensas nas pessoas que ali estavam dançando, cantando e curtindo o ambiente. Não raro ouvia dessas pessoas comentários do tipo "puxa, quando tocava essa música eu me vestia assim, assim, assim", ou "não esqueço que eu frequentava uma balada em que rolava esse som, e nós depois fazíamos isso, aquilo, aquilo outro".&lt;br /&gt;Também costumo frequentar algumas comunidades no orkut referentes a assuntos que me interessam. Em boa parte delas, os membros são bem mais jovens que eu. Verifico, no entanto, que esses jovens membros de comunidades costumam criar tópicos evocando coisas que aconteceram há cinco ou seis anos atrás, em que colocam suas memórias de eventos de que participaram ou que acompanharam por televisão ou internet. Por exemplo, na comunidade do Roger Federer, uma das mais bem organizadas de que participo, há tópicos permanentes em que os meninos colocam vídeos das conquistas do suíço desde 2003. Acho muito curiosa essa tendência, pois ela associa-se à construção de uma espécie de "cultura federista", que aponta para a valorização de um passado, de uma história desse atleta, condensada em espaços que serviriam como "museus virtuais" para seus triunfos.&lt;br /&gt;Tanto no caso da Trash 80's como no da comunidade orkútica do Federer, percebo uma certa fome do passado, uma certa necessidade de recuperação de informações perdidas ou dispersas, ou simplesmente não organizadas, para construção ou recuperação de uma identidade. Seja em uma "cultura oitentista", ou "federista", ou "sangalista", ou "coldipleísta", as pessoas, quarentonas ou adolescentes, demonstram sentir necessidade de integrar-se a uma história, de apropriarem-se de um construto temporal e, com ele, estabelecerem uma relação de pertencimento ou afinidade. Há diferentes graus nessa tendência, e diferentes maneiras de se relacionar com ela. Ouvi de um rapaz, recentemente, que ele teria chorado ao ver um DVD que resgatava os melhores momentos da Toco, extinta e popularíssima danceteria da Zona Leste de São Paulo. Recebi várias vezes, de vários amigos diferentes, e-mail com fotos de brinquedos que eram populares em meus tempos de criança, com comentários saudosos, divertidos e até nostálgicos. E poderia citar, se tivesse tempo e paciência, muitas outras manifestações similares, que remetem ao despertar de uma vontade de recuperação do passado no contexto de uma sociedade preocupada cada vez mais com o imediato, o rápido, o novo, o impermanente. Curiosamente, observo também que o interesse das pessoas em geral pela História classicamente apresentada como disciplina, a História do país, do mundo, das Grandes Guerras, da comunidade em que se vive, da cidade, dos grandes homens, a História recuperada em livros e construída por meio da análise minuciosa dos documentos, enfim, o interesse por essa modalidade de recuperação do passado é bem menor e menos evidente que o que reconheço como associado a essas "culturas" específicas da indústria de entretenimento. Devo admitir que a afirmação precedente soa estranha e triste quando provém de um professor de História com dez anos de atuação no ensino fundamental, mas não posso deixar de enunciá-la, como verdade evidente que é. Está muito claro para mim que haverá sempre muito maior interesse em qualquer biografia apressada e pobre de qualquer celebridade midiática que em livros que abordam, com atenção, cuidado e capricho, temas basilares para compreensão do mundo em que vivemos. Como também aparece-me como inquestionável a tendência das pessoas de atribuírem valor sentimental a objetos e símbolos de questionável importância cultural, em detrimento daqueles que efetivamente sejam representativos de uma época, ou que tenham sobrevivido ao tempo em função de sua qualidade. Claro, há ícones que traem esse raciocínio generalizante, como os Beatles, que são a banda de maior sucesso mercadológico do século XXI(!), ou Che Guevara, que parece continuar encarnando amores e ódios revolucionários muitos anos depois de sua morte. Contudo, creio que sejam exceções que confirmam a regra.&lt;br /&gt;Essa aparente contradição entre, de um lado, a necessidade de um passado e, de outro, o desinteresse pela ciência que justamente estuda e ajuda a reconstruir o passado com bases científicas e a apontar aquilo que tem relevância para o mundo hodierno, é um problema para mim. Arrisco esboçar duas hipóteses.&lt;br /&gt;1) Pode ser que as pessoas, no mundo imediatista em que vivemos, tragam, intuitivamente, a percepção de que uma identidade só pode ser construída a partir de uma memória devidamente constituída e operacionalizada. Assim, na medida em que precisam construir essa identidade, recolhem e recorrem às informações que lhe dão subsistência. Entretanto, a construção dessa identidade não corresponde à construção de uma noção mais abrangente de pertencimento político ou cultural. Por exemplo: muitos se vêem corintianos antes mesmo de se reconhecerem brasileiros. Assim como muitos se preparam para saber tudo da vida da Xuxa antes mesmo de conhecerem a história de seus próprios avós. Segundo esse raciocínio, a cultura de massa teria se tornado capaz de produzir substitutivos eficientes para a necessidade humana de compreender o "estar no mundo" pela recuperação do passado. Isso levaria a um desinteresse pela História enquanto possibilidade de compreensão política e ampla do sentido da vida em sociedade, e à valorização daquilo que seria mero subproduto de fenômenos mais profundos e fundamentais.&lt;br /&gt;2) Pode ser também que a cultura do individualismo tenha criado raízes tão profundas em nosso sistema social e cultural que, para a maioria das pessoas, a História só seja útil enquanto puder ser história das coisas que mais proximamente as circundam. Assim, a busca do passado estaria relacionada tão-somente à tentativa de validação de um universo de objetos, símbolos e valores estritamente particulares. Saber tudo sobre os Pokemons, por exemplo, seria uma necessidade muito mais vital para um estudante que conhecer o coleguinha de classe, porque esses bichinhos estariam muito mais presentes no universo desse estudante que o outro menino. Isso explicaria a enorme comoção das pessoas ao recordarem algo como "Ursinho Pimpão", do Balão Mágico, e o absurdo esquecimento de figuras da estatura de um Jackson do Pandeiro ou um Geraldo Pereira, elos fundamentais entre o presente e o passado da música popular brasileira. Isso explicaria a notável falta de curiosidade das pessoas em relação àquilo que não está evidente por si nos meios midiáticos ou que não tenha sido aproveitado pelo sistema ideológico de nossa sociedade. Isso explicaria por que, num dos muitos perfis sociais que construí em sítios de relacionamento, descrevi-me como fã de Pink Floyd e Radiohead antes de dizer que era professor, ou estudante de Letras, ou brasileiro, ou qualquer outra coisa que fosse definisse com mais exatidão o que sou.&lt;br /&gt;Não sei se consegui formular minhas inquietações de forma inteligível. Creio ter intuído uma contradição que não sei como resolver. Várias pessoas, de várias idades e interesses diversos, sinalizam disposição para olhar para o passado em relação a algo que seja de seu universo de interesse. Por outro lado, poucas pessoas parecem dispostas a olhar para o passado pela via de uma sistematização científica e de um discurso que se propõe a compreender com profundidade as estruturas do mundo em que vivemos. Minha pergunta acabará sendo: como fazer essa fome se relacionar a um alimento verdadeiramente nutritivo? É um desafio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1104801947735453910?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1104801947735453910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1104801947735453910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1104801947735453910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1104801947735453910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/02/identidade-e-passado.html' title='Identidade e passado'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2447814086883499900</id><published>2010-02-13T19:37:00.000-08:00</published><updated>2010-02-13T19:42:21.299-08:00</updated><title type='text'>Obrigado pela paciência</title><content type='html'>Meus amigos dizem, com toda a razão, que é duro me achar para qualquer coisa que seja. Aos meus leitores do blog acabo de dar argumentos para pensarem o mesmo. Peço desculpas pela ausência. Estou de mudança, e todo começo de semestre é meio difícil para mim. Espero poder recompensá-los com material de maior qualidade, uma vez que minha frequência de postagens tende a diminuir nestes próximos meses. E espero que vocês não sumam, pois são muito importantes para mim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2447814086883499900?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2447814086883499900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2447814086883499900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2447814086883499900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2447814086883499900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/02/obrigado-pela-paciencia.html' title='Obrigado pela paciência'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-7877127138604550602</id><published>2010-01-19T17:32:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T18:01:43.022-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='povo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Marcelinho Carioca sai candidato a deputado federal</title><content type='html'>Em primeira mão: Marcelinho Carioca provavelmente sairá candidato a deputado federal, provavelmente pelo PSB.&lt;br /&gt;O que penso disso? Difícil comentar alguma coisa.&lt;br /&gt;A política tem se tornado um campo fértil para o cinismo. Pessoas famosas candidatam-se a cargos públicos sem proposta nenhuma, sem nenhuma história política e, portanto, sem nenhum compromisso com o eleitor e a sociedade organizada. Uma boa estratégia de marketing e a força da imagem do candidato podem garantir seu sucesso eleitoral, mas isso torna o processo muito perigoso, porque só quem tem uma trajetória de atuação em causas públicas pode ter de fato uma identidade ou um comprometimento. Quando alguém vota em Gabriel Chalitta, vota em rapaz cristão, da Canção Nova, com experiência administrativa em educação e um monte de propostas para a área. Quando alguém vota em Claudio Fonseca, vota em alguém que presidiu por muitos anos e ainda preside um enorme sindicato de professores. Quando alguém vota em Delfim Neto, vota num ex-ministro especialista em questões econômicas, que teve seu momento de maior poder durante a ditadura militar. Eu nunca votei em nenhum dos três, mas poderia escolher entre eles, se necessário, porque eles têm uma história, um caminho, uma cara. Eu saberia o que estou fazendo e que forças estaria prestigiando com meu voto, porque a candidatura de cidadãos como esses é representativa de opções políticas definidas; eles, portanto, podem ser cobrados por aquilo que representam. Mas o que representa, do ponto de vista da política, a candidatura de Gretchen, Sérgio Mallandro ou do marido da Ana Maria Braga? Que história há por trás dessas candidaturas? Que trabalho social, que causas, que ideias são defendidas? Que compromissos elas carreiam, que setores da sociedade elas defendem? Nesse ponto, penso que não seja injusto levantar a ideia do cinismo: apresentar uma candidatura sem apresentar uma proposta política real é como dizer ao eleitor: "- Vote em mim e depois eu avalio se tenho ou tive compromisso com você". Ou seja, é muita cara-de-pau. É como ir a um concurso de calouros sem saber cantar, e ser aprovado em função do aplauso de um público que não quer saber de música. Para mim, é oportunismo.&lt;br /&gt;Mas os partidos gostam desse tipo de oportunismo, porque uma pessoa famosa traz muitos votos , e como o número de deputados ou vereadores eleitos tem a ver com o total de votos da legenda (isso aconteceu, por exemplo, com o deputado Enéas, do PRONA, que conseguiu colocar na câmara federal indivíduos que não chegaram a ter mil votos), esse famoso tem condição de, sendo bem votado, abrir mais vagas para o partido no legislativo. E ainda tem a vantagem de que o indivíduo famoso e despolitizado acaba se tornando papagaio da legenda que o elegeu, com muitos assessores e auxiliares para dizer em que ele tem de votar e que discurso deve fazer. É uma enganação total.&lt;br /&gt;Não tenho ilusões: esse tipo de coisa só acaba quando a consciência política da população se eleva. Infelizmente, estamos ainda longe disso. Muitas pessoas votarão em fulano porque jogou no Corinthians ou no Palmeiras, em beltrano porque é bonito e aparece na TV, em sicrana porque é gostosa, etc. Depois, nem sabem como esses indivíduos se portaram no cargo que ocuparam. Seria muito legal que a população descartasse essas candidaturas vazias, como descartou a de Sérgio Mallandro, em São Paulo, e a do marido da Ana Maria Braga. O insucesso dessas tentativas de enganação talvez revele que algo começou a mudar. Mas ainda lentamente, tenho de admitir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-7877127138604550602?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/7877127138604550602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=7877127138604550602' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7877127138604550602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7877127138604550602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/01/marcelinho-carioca-sai-candidato.html' title='Marcelinho Carioca sai candidato a deputado federal'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8481458395401361216</id><published>2010-01-19T16:33:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T16:39:51.861-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='compras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='atendimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reforma'/><title type='text'>Reformas, mudanças e afins</title><content type='html'>Precisávamos pesquisar preços de materiais de construção, e fomos a uma das grandes lojas do ramo. Absolutamente neófitos no babado, esperávamos que os vendedores pudessem nos ajudar a fazer boas escolhas, explicando as diferenças técnicas das opções de produto que nos chamavam a atenção. Isso nem de longe aconteceu.&lt;br /&gt;Logo na entrada da loja, pegamos um tíquete com a moça do estacionamento e perguntamos se não havia uma parte coberta onde pudéssemos deixar nosso pau velho, que encharca quando chove. Ela disse que não sabia (!). Vimos então uma entrada de carros, um pouco à frente e à esquerda. Perguntamos se podíamos descer por ali. A moça disse que achava que sim (!). Seguimos adiante, e minha namorada teria descido, se eu não tivesse a sorte de ver uma placa em vermelho indicando que ali era a saída dos veículos. Manobramos e, bem à frente, do outro lado do prédio, encontramos a entrada. Deixamos o carro e fomos à festa.&lt;br /&gt;Mas não houve festa. Houve um teste extremamente exigente de paciência e capacidade de lidar com o descaso alheio. Depois de alguns minutos de caça, cercamos um vendedor da loja e pedimos que ele nos acompanhasse para que pudéssemos fazer nossas perguntas sobre os produtos. Ele disse que estaria à disposição quando já tivéssemos escolhido, deixou o nome, virou as costas e foi embora sem a menor cerimônia. Continuamos nossa peregrinação solitária (ou seria melhor dizer desassistida?). Escolhemos alguns armários, alguns porcelanatos, algumas cubas. Minha namorada é uma pessoa muito leal e correta, e me corrigiu quando eu quis chamar algum vendedor para nos orientar. Tinha de ser aquele com quem havíamos falado antes, porque ficava chato falar com outro, e tal. O rapaz que estava numa mesa, a nosso pedido, solicitou a presença desse vendedor pelo rádio. Ele simplesmente não veio, nem para dizer que não podia atender. De onde eu estava, pude ver que ele atendia a outros clientes e poderia, em menos de trinta segundos, dar um alô para dizer que esperássemos ou que procurássemos outro funcionário. Esse tipo de consideração deve dar muito trabalho e ser muito desgastante.&lt;br /&gt;O jeito foi corrompermos a boa vontade moral de minha querida e procurarmos outro vendedor. Encontrá-lo até que não foi tão difícil. Difícil foi fazê-lo falar. Sem um sorriso, sem estender uma explicação, monossilábico e nitidamente insatisfeito de ter de nos acompanhar, o rapaz limitava-se a nos dizer o preço das coisas e sabia muito pouco sobre aquilo que estava vendendo. Parecia que estava fazendo um grande favor de nos atender. Perguntamos sobre uma cuba que gostamos, depois sobre um suporte que fosse daquela cor. Ele disse que não tinha, secamente. Ia ficar por isso mesmo, mas minha mulher lembrou de ter visto na loja um gabinete já com a cuba embutida que era daquela cor. Ele se irritou: "- Então o que você quer é outra coisa. Está aqui". E levou-nos até lá.&lt;br /&gt;Não sei se sou muito implicante, mas não teria sido mais inteligente perguntar o que queríamos e oferecer opções? Demonstrar boa vontade e interesse, adiantar-se às possibilidades e dizer: "- Olha, temos algo nessa cor que pode interessar a vocês. Já vem numa peça só..."?&lt;br /&gt;Mas a viagem continuava, e enquanto minha pequena pesquisava preços de não me lembro mais o quê, eu me encarregava de ir ver quanto custava um galão de produto vedante. Perguntei a um vendedor. "- Corredor vinte e dois". Obediente, corri todo o corredor indicado e não vi nada. Ao final, havia dois rapazes com roupas da loja, conversando. Parei diante deles, timidamente. "- Posso perguntar uma coisa?". Eles me olharam, e não disseram nem que sim nem que não. Simplesmente, voltaram a se entreolhar e o rapaz mais alto continuou o assunto da conversa com o outro em mais uma ou duas frases. Fiquei constrangido, mas insisti: "- Eu queria saber onde posso encontrar o produto tal". A conversa não parou, mas para evitar a interferência, o rapaz menor indicou-me o corredor dezenove. Agradeci sem ser ouvido e segui na longa jornada.&lt;br /&gt;Mas aquilo já era demais para mim. Chamei minha mulher e pedi que fôssemos embora. E fomos, sem comprar absolutamente nada, e sem saber nem um pouquinho a mais do que já sabíamos sobre reformas e afins. Tempo perdido.&lt;br /&gt;Eu não acho que ninguém tenha a obrigação de seduzir o cliente, ou manter uma postura de poliana alegre durante um atendimento. Cada um tem seu estilo, e há vendedores eficientes que atuam de maneiras completamente distintas. Entretanto, sempre achei que um mínimo de cordialidade, atenção e solicitude eram necessários para o bom andamento dos negócios. Não acho que o cliente sempre tenha razão, mas ele precisa pelo menos ser ouvido! Como se pode fazer uma venda se você não deixa o comprador seguro do que está fazendo?&lt;br /&gt;E eu achava, também, que quem trabalha numa loja deveria saber, pelo menos, onde se podem encontrar os produtos dentro dessa loja. E que quem entrega o bilhete do estacionamento deveria saber onde é a entrada desse estacionamento. E que uma pessoa que está em horário de trabalho deveria mostrar em primeiro lugar disponibilidade para as solicitações do cliente, e não para a conversa com seu colega. Eu achava, enfim, que bom atendimento era um dos fundamentos do comércio.&lt;br /&gt;Não posso nem dar nota zero ao atendimento que recebemos. Não se pode avaliar o que não existiu. Só não consigo entender como é possível ser tão desrespeitado sendo, paradoxalmente, enquanto consumidor, a razão de ser da existência desse tipo de estabelecimento. Não é nem só por mim: é pelo dinheiro que se deixa de ganhar quando se esquece que há um ser humano do outro lado do caixa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8481458395401361216?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8481458395401361216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8481458395401361216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8481458395401361216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8481458395401361216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/01/reformas-mudancas-e-afins.html' title='Reformas, mudanças e afins'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-6842234900872726507</id><published>2010-01-14T12:28:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T13:23:27.646-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='preferências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>Nem aí para Avatar</title><content type='html'>O que me leva ao cinema? As pernas, diriam meus alunos irreverentes e mal-educados. A insistência da namorada, diriam as pessoas que sabem que sou caseiro. Um filme sobre dinossauros, diriam as pessoas que conhecem meus gostos bizarros.&lt;br /&gt;Concordo com todas as alternativas anteriores. Entretanto, devo acrescentar algo. Só consigo me empolgar de sair para ver alguma coisa no cinema quando crio grande expectativa em relação a algum filme. E como se cria essa expectativa, no meu caso? Com uma sequência de bons trabalhos de um diretor. É como funciona para mim.&lt;br /&gt;Assim, se Woody Allen lança um filme, eu provavelmente queira ver, porque já vi muita coisa boa dele, e gosto do estilo. Se Shyamallan lança algo novo, mesmo sabendo que os últimos filmes não eram nenhuma Brastemp, eu quero ver, porque o saldo dele comigo é superpositivo. Assim é com Lars Von Trier, assim é com os irmãos Cohen, e outros. É possível, ainda que eu me interesse por um filme de um diretor iniciante ou desconhecido para mim, mas que tenha boas referências entre meus amigos, ou um tema que considere rico. Devo dizer que, nesse caso, as chances são bem menores, mas existem.&lt;br /&gt;Há, no entanto, aqueles filmes de diretores dos quais já conheço alguns trabalhos que nunca me disseram nada. Não gosto de superproduções. Prefiro produções supersacadas. Pode parecer extravagante, mas gosto de filmes em preto e branco, das décadas de 40 e 50, ou do Bergman, ou do Hitchcock, ou do Orson Welles, filmes &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;, filmes mudos, &lt;em&gt;Encouraçado Potenkin&lt;/em&gt; e por aí vai. Filmes desse tipo me chamam a atenção, e dou muito mais valor a uma boa história bem filmada que a uma sucessão neurótica de cenas de impacto, efeitos visuais e pirotecnias do gênero. Por isso, James Cameron não me interessa. Não o considero um grande artista, ele nada tem a ver com o que concebi como cinema de qualidade. Boa produção e boa direção de arte a serviço de histórias óbvias e apelativas, é isso que vejo no cinema dele. &lt;em&gt;Titanic &lt;/em&gt;foi o filme mais superestimado da história do cinema: é uma historinha de sessão da tarde com produção de aventura intergalática, que rendeu um monte de dinheiro e não tocou em nenhuma questão aguda ou relevante para a arte, o cinema, ou a condição humana.&lt;br /&gt;Em virtude dessa má vontade minha com Cameron, não estou nem um pouco interessado em &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;. O fato de ser um filme 3D não melhora a situação. Meu interesse continua sendo zero. Se o filme receber críticas positivas de todos os meus amigos, e for elogiado em muitos aspectos diferentes, talvez eu releve minha decepção com &lt;em&gt;Titanic &lt;/em&gt;e entre na fantasia de Cameron. Caso contrário, vou ficar em casa, vendo os filmes da coleção &lt;em&gt;Clássicos do cinema&lt;/em&gt; da Folha, que são diversão garantida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei &lt;a href="http://www.benderblog.com/tecnologia/avatar-telas-tridimensionais-e-a-inevitavel-decadencia-do-cinema/"&gt;desta postagem &lt;/a&gt;do Bender blog a respeito do filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-6842234900872726507?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/6842234900872726507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=6842234900872726507' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6842234900872726507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6842234900872726507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/01/nem-ai-para-avatar.html' title='Nem aí para Avatar'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-736738646807319004</id><published>2010-01-06T18:19:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T15:10:38.173-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estupidez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frases'/><title type='text'>Valiosas contribuições para formação de minha autoimagem de macho</title><content type='html'>Desde pequeno, acumulei uma série de informações que deveriam servir para me guiar nas minhas incursões pela estrada afora. Sempre fui muito atento ao que as pessoas me diziam, e extremamente crédulo em relação às máximas morais que recebia. Indivíduo ingênuo e bom, acreditava em tudo o que ouvia, sem questionar a fonte. Ainda mais quando era alguém estimado ou da minha família. O tempo passa, e a gente cresce e descobre que incorporou à mente um monte de bobagens que só serviram para nos atrapalhar. É então que percebemos que aquelas intuições e desconfianças que sempre nutrimos em relação a certas conversas-moles deveriam ter sido alimentadas.&lt;br /&gt;Abaixo, listei algumas pérolas com as quais convivi ao longo dos anos. Lendo-as, e sabendo que as encampei em algum momento, é possível entender um pouco do porquê de sempre ter tido dificuldades com minha autoimagem. Até hoje não sei por que dei tanta trela a esses mitos. Talvez por não saber lidar direito com a insegurança e a necessidade de integração a uma sociedade que cultiva outros valores. Enfim, olha só o que ouvi, ouço e sei que ouvirei ainda a respeito de "ser homem" (entendido como "ser macho"):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Homem usa cabelo curto.&lt;br /&gt;Deixei crescer o cabelo aos 14 anos porque sempre gostei dele longo, em mim e nos outros. É uma coisa que vem desde a infância e nada tem a ver com rock'n'roll, nem comportamento hippie. Eu me sentia melhor cabeludo, e ponto final. Minha mãe nunca aceitou bem isso. Volta e meia, me mandava cortar. Eu não cortava, de jeito nenhum. Ainda mais porque a cabeleira me dava um ar rebelde, de que eu já gostava muito naquela época. As pessoas foram se acostumando, e hoje acho que incorporaram de vez esse traço à minha imagem. Mas a batalha ainda não está vencida. Uma professora, companheira de escola, disse-me várias vezes que cabelo comprido não é coisa de homem. Uma vez ela disparou: "Corta esse cabelo! Parece um gay com o cabelo desse jeito!". Invasivo, não? E eu sei que muitas pessoas pensam assim. Já sofri discriminações de vários tipos por causa do comprimento do cabelo. Mas a coisa mudou bastante nos últimos tempos, graças a Deus, e as pessoas têm falado menos. Mas pensar, garanto que ainda pensam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Homem não chora.&lt;br /&gt;Meus amigos de infância faziam uma tremenda força para não chorarem na frente dos outros. E se viam alguém às lágrimas, chamavam de viado e mariquinha. Era comum todo mundo se aproximar quando um mais falador anunciava: "Olha lá, 'tá chorando!". Isso sempre foi um problema para mim, chorão contumaz. Não consigo controlar as lágrimas nem na tristeza, nem na comoção. Passei vergonha algumas vezes por chorar em situações que as pessoas não compreendiam. Hoje, não sinto mais vergonha. Mas sei que sou emotivo demais, e isso causa estranhamento. Homens tem de ser durões, não é? Simplesmente não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Homem tem de ser moreno e peludo.&lt;br /&gt;Há muito tempo, reclamei com minha tia que não arranjava namorada, e ela gentilmente veio com essa. "Vinicius, homem ter de ser moreno e peludo. É disso que a mulherada gosta. Você precisa tomar sol".&lt;br /&gt;A visão de macho de titia sempre foi difícil de engolir. Primeiro, porque eu gostava de ter poucos pelos. Nunca isso me incomodou e, sinceramente, acho que é um detalhe irrelevante para as pessoas que se sentem atraídas por mim. Mas a segunda parte é que é dose. Não tenho como ficar moreno. Não gosto de tomar sol, minha pele fica vermelha e ardendo muito rápido. E não vejo nada de feio, sinceramente, em ser branquinho. Minha namorada é branquinha. Conheço muitas pessoas lindas e branquinhas. Há vários tons de pele que podem ser bonitos, não precisa ser apenas o jambo.&lt;br /&gt;Quer perder pontos comigo? Comente assim: "'Tá precisando de um sol, hein?". Eu vou olhar para sua cara e pensar: por quê? É mais bonito para quem? É mais saudável para quem? Acaso você sabe se as pessoas que gostam de mim se incomodam com isso?&lt;br /&gt;E o mais engraçado é que acreditei nisso. Eu achava realmente que as meninas gostariam de mim quando eu fosse moreno. Como eu era besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Homem tem de ter dinheiro.&lt;br /&gt;Quem me falou isso foi um ex-cunhado, que se achava feio (e não era). Para ele, mulheres querem estabilidade financeira via homem, e era nisso que os machos deveriam investir, mais do que em qualquer outro aspecto.&lt;br /&gt;Vamos separar as coisas neste ponto. Sustento, sim, que todo mundo tem de ter uma boa relação com dinheiro, podendo sobreviver com dignidade e comprar produtos úteis e que lhe sejam de gosto. Isso é uma coisa. Esta máxima que citei funciona a partir de um outro raciocínio: o ser humano do sexo masculino precisa ter dinheiro para pagar presentes, saídas, baladas, viagens e outros mimos para a mulher que seduz ou namora, e quanto mais dinheiro ele tiver, mais masculino ele se torna. Isso é outra coisa.&lt;br /&gt;Se eu dependesse da verdade desse preceito, estaria completamente perdido. Nunca tive "dinheiro" - no sentido de esbanjar, ostentar. Aliás, isso nunca fez parte dos meus planos. Perdi alguns encontros por não aparentar ser rico, mas não sei se eles teriam valido a pena. Hoje, adulto e mais rodado, considero essa ideia uma das coisas mais estúpidas que existem. Até porque as mulheres vêm descobrindo, cada vez mais, que podem trabalhar, ganhar dinheiro, atingir posições, e pular a parte da análise financeira no momento da escolha de seus homens.&lt;br /&gt;Mas há um outro fator a considerar aqui. Você olha um cara de terno, gravata, pastinha de executivo, cabelo cortado e cara de angustiado; você olha outro de chinelo, bermudão, camiseta velha e barba por fazer. Qual dos dois tem dinheiro? A sociedade ensina a responder: o primeiro. Mas a verdade é que ninguém sabe. As pessoas já descobriram muitas formas de adquirir a aparência de rico sem ser rico, de esbanjar sem ter contas pagas, de arrotar dólares sem nem ter onde cair morto. Quantos amigos meus, em nome dessa pseudo-necessidade, deixaram de ajudar suas famílias, deixaram até de pagar pensão dos filhos, para torrar dinheiro com baladas e ostentações? Aparentar sucesso e abastança é uma exigência social, mas não tem nada a ver com masculinidade, e o fracasso de certas figuras em suas posturas de exibicionismo monetário é gritante testemunho disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Homem tem de ser malhado.&lt;br /&gt;Essa ouvi de uma colega professora, porque falei mal de um artista famoso, criticando seu comportamento. Essa fala seria equivalente a "prefiro ele, com esse comportamento, a você, que não tem formas musculares definidas". Foi uma brincadeira um pouco grosseira, eu sei, mas revela o que boa parte das pessoas assume como valor estético.&lt;br /&gt;De novo, vamos separar as coisas. As pessoas devem cuidar de sua saúde, e podem, se lhes faz bem, trabalhar seu corpo para deixá-lo mais bonito. Ponto.&lt;br /&gt;Ser malhado são outros quinhentos. Primeiro, porque não é objetivo de todo mundo. Segundo, porque não é garantia de beleza. Terceiro, porque dá trabalho e implica fazer opções nesse sentido, que nem sempre são as melhores.&lt;br /&gt;Eu vou à academia quando o tempo permite, quando estou muito mal e quando tenho um pouco mais de disponibilidade psicológica. Algumas opções da minha vida fizeram com que, num certo período, minha frequência caísse bastante; não me arrependo de nenhuma dessas opções. Além disso, quando vou, deixo claro para os instrutores que não quero ficar fortão. Quero ficar bem, mas não bombado.&lt;br /&gt;E quer saber? Tem muito homem malhadão feio pra burro. E tem muita mulher que não liga a mínima para homem malhadão. Aliás, é preciso parar com essa paranoia de que só existe um tipo de beleza de corpo. Isso é besteira, existem homens bonitos com vários biotipos diferentes, é só querer enxergar. Se eu levasse essa asneira a ferro e fogo, teria de admitir que nunca fui e nunca serei bonito, porque meu biotipo não fica fortão naturalmente. E eu não aceitaria jamais usar nenhum tipo de química para mudar o que a natureza me deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Homem tem de ter carro.&lt;br /&gt;Tinha um amigo meu que sempre dizia isso. "Sempre" significa: todo dia, toda noite, toda vez que nos víamos. Meus vizinhos e meus colegas de ginásio acreditavam nessa assertiva piamente. E mesmo minhas amigas tinham completa convicção dessa máxima. Tem até o caso de um colega com quem fiz um comentário a respeito. Ele namorava uma aluna minha, superbonita. O que ele me disse? "Vinicius, isso é lógico. Por que você acha que a *** está comigo, que sou gordo e feio?".&lt;br /&gt;Essa é uma afirmação dificílima de aceitar, porque minha relação com carros é complicada - já postei sobre o assunto. Carro é bom, útil, um conforto bacana, e uma necessidade para muitas pessoas. Mas apontá-lo como predicado da masculinidade é certamente excessivo. Até porque mulheres também dirigem, e, hoje em dia, se precisam de homem para fazer isso, contratam um motorista. Mas, enfim, isso ficou na minha cabeça por muitos anos, até eu começar a ter namoros mais longos e perceber que as meninas não se incomodavam de me dar carona e me deixar em casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Homem que é homem manda na mulher.&lt;br /&gt;Eu não deveria nem comentar essa estultice, mas os mais velhos gostam muito dessa ideia. Eu não mando em ninguém, quanto mais nas pessoas que amo, admiro, e quero ao meu lado. E nunca me achei menos macho por causa disso. Mas vai dizer isso para certos tios e parentes que tenho! Sai briga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Homem tem de ser comedor.&lt;br /&gt;Isso eu ouvia nos tempos de estagiário na Cultura, e é a babaquice mor da lista. Parece compensação de complexo de inferioridade. Que diferença faz transar com cem, dez, uma ou nenhuma pessoa do ponto de vista da satisfação pessoal? Isso é de cada um, é estritamente íntimo.&lt;br /&gt;Mas, não: se o cara não come fulana que dá a maior bola para ele, se brocha na cama com uma gostosona, se dá um corte em alguém que se insinua, o cara não é macho. Homens de verdade tem de ser máquinas de trepar, e não podem deixar suas preferências, seus sentimentos, seus medos e suas opções interferirem nisso.&lt;br /&gt;Sexo é bom, experimentar com as pessoas que interessam é excelente, mas isso não torna ninguém melhor nem pior, e não é, de forma alguma, quantitativo. Saíram matérias na imprensa a respeito de homens que "traçaram" dez mil, treze mil, trocentas mil mulheres. Uma pessoa nunca deveria comentar uma coisa dessas a respeito de si própria. Como se sentem as pessoas que porventura se encontram nessa lista? Troféus, brinquedinhos, estatísticas? Em respeito aos sentimentos dos outros, o mínimo que podemos fazer é ter certa discrição e bom senso ao falar desse assunto. Ademais, se o número de parceiros definisse a felicidade dos indivíduos, ou sua masculinidade, ou feminilidade, todos os problemas sexuais do mundo já estariam resolvidos desde a revolução da década de 60. E estão? Pelo ibope alcançado por declarações desse tipo, creio que estamos ainda muito longe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentados os mitos, permitam-me declarar algo importante. Se homem tem que ter carro e dinheiro, usar cabelo curto, ser malhado, moreno, peludo e comedor, mandar na mulher e não chorar nunca, afirmo com muito orgulho que NÃO SOU HOMEM. Não tenho nada a ver com nada disso, e creio que já não tenho nenhuma vontade de preencher algum dia esses requisitos de macheza que listei. Quem quiser se adequar, que seja feliz. Eu gosto do que sou, e sei que tem quem gosta. A única coisa que não posso admitir - que foi o que me levou a gastar algumas horas fazendo este texto - é que esse tipo de fantasma social de virilidade masculina continue a apavorar a cabeça de garotos inseguros e ingênuos, como fui na adolescência e ainda posso ser hoje, em momentos de pouca vigilância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-736738646807319004?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/736738646807319004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=736738646807319004' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/736738646807319004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/736738646807319004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/01/valiosas-contribuicoes-para-formacao-de.html' title='Valiosas contribuições para formação de minha autoimagem de macho'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-6790239475207934621</id><published>2010-01-05T17:40:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T17:55:08.895-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Saúde!</title><content type='html'>Ontem atingi trinta e seis de existência, e recebi votos de felicidade, sucesso e amor via todos os meios de comunicação da era da informação. Agradeço a todos pelo carinho.&lt;br /&gt;Refletindo sobre esses votos e o que quero para mim nesse novo ano de vida que se inicia, concluí que posso sintetizar minhas aspirações numa única palavra: saúde. Gostaria muito de manter minha saúde em excelentes condições, e isso implica mobilizar atenção e disposição em várias direções distintas.&lt;br /&gt;Pensando em termos de &lt;strong&gt;saúde física&lt;/strong&gt;, gostaria de continuar tendo todas as condições necessárias para realizar meu trabalho e superar os desafios do cotidiano. Desta vez, não vou permitir que o excesso de tarefas comprometa meu condicionamento. Não ganho nada com isso, e preciso me proteger, porque as pessoas tendem a ser muito cruéis quando se trata de cuidar da aparência do corpo alheio.&lt;br /&gt;Em matéria de &lt;strong&gt;saúde mental&lt;/strong&gt;, o ano passado trouxe várias lições, entre as quais evitar o desgaste quando paralisante e procurar atividades que proporcionem prazer. Não vou tentar fazer tudo o que é possível, mas sim tudo o que acredito ser válido, saudável e bom para mim e para os outros. Não preciso manter a mente ocupada o tempo todo, porque isso não é sinônimo de produtividade. Pelo contrário, isso parece mais incapacidade de lidar com problemas.&lt;br /&gt;Para manter minha &lt;strong&gt;saúde financeira&lt;/strong&gt;, pretendo continuar sustentando a postura de equilíbrio que sempre me pautou. Nada de consumo impulsivo ou compensador de depressões. Talvez eu comece a controlar mais minuciosamente os gastos, anotando em planilhas, mas ainda não sei se terei tempo para isso.&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;saúde do coração&lt;/strong&gt; é algo com o que nunca se pode fazer previsões, mas creio que a maturidade e a experiência possam ser excelentes faróis nas eventuais turbulências afetivas, que, graças a Deus, há tempos não têm se relacionado com a vida amorosa.&lt;br /&gt;Quanto à &lt;strong&gt;saúde espiritual&lt;/strong&gt;, creio que, como Dorian Gray, dela descuidei grandemente nos últimos anos, o que me faz evitar o enfrentamento de minhas vacilações nessa área. É hora de meditar mais, e confiar mais na intuição - que, por sinal, tem me apontado justamente essa necessidade.&lt;br /&gt;Não sei o que o futuro reserva, não sei o quanto posso ainda alcançar. Creio que sou capaz de me surpreender, positiva e negativamente. Por isso, quero saúde, física, mental, espiritual, financeira, emocional. Em boa forma, estou sempre pronto para o que der e vier, e para dar o que é verdadeiramente o melhor de mim, que quase nunca é aquilo que esperam de mim. E que, por isso, pode também aos outros surpreender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-6790239475207934621?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/6790239475207934621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=6790239475207934621' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6790239475207934621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6790239475207934621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/01/saude.html' title='Saúde!'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-6370402320635655617</id><published>2010-01-02T01:45:00.000-08:00</published><updated>2010-01-02T01:51:54.651-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tv'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Sobre os limites do estilo Letterman de entrevistar</title><content type='html'>Vi ontem uma das mais comentadas entrevistas dos últimos meses, a que Joaquin Phoenix concedeu a David Letterman no programa de variedades do sujeito. Como as pessoas tiraram muito sarro do visual e do comportamento de Phoenix durante algum tempo (até Ben Stiller brincou com isso no Oscar), achei que assistiria a um show de impaciência e má vontade do ator. Não li dessa forma. Letterman lidou com um indivíduo que estava pouco à vontade, e não teve competência para destravá-lo nem para conduzi-lo a um ponto em que se tornasse acessível. Ele simplesmente perdeu a entrevista. Preocupou-se em fazer gracinhas, em manter um clima &lt;span style="font-style: italic;"&gt;up&lt;/span&gt; para sua plateia e para o espectador, e descambou para a grosseria e a provocação barata &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a la Pânico&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;CQC&lt;/span&gt;. Seria possível fazer daquelas análises detidas, colocando cada cutucada do apresentador e o momento cronometrado em que aparece no vídeo, mas não vou fazê-lo por preguiça. Foi provocação sistemática do princípio ao fim. Letterman terminou lamentando ironicamente que Phoenix não pudesse ter comparecido ao programa. Na verdade, Phoenix compareceu; foi Letterman que não o deixou entrar.&lt;br /&gt;Ninguém tem obrigação de compreender a proposta de um entrevistador. Ele é que tem de se fazer claro, e tem de deixar o entrevistado à vontade, ainda mais num programa que se propõe a ser de humor, e que é conduzido por um humorista. Detonar uma pessoa que não reage não é engraçado, e esperar que ela entre esponeamente no clima de tiração de sarro é sempre um risco. O entrevistador não é o centro do processo, ele apenas o conduz. Se não conseguir extrair nada do entrevistado, nenhuma reação, nenhuma informação consistente, não tem gracejo que salve sua pele.&lt;br /&gt;Não gosto do estrelismo que vejo em muitas figuras de mídia (jornalistas ou não) que trazem "convidados" ao seu programa. Eles são tratados como se fosse um grande favor recebê-los, e muitas vezes o papo vai para caminhos que absolutamente nada têm a ver com o trabalho que querem mostrar. Algumas intervenções grosseiras, deselegantes ou constrangedoras são vistas como "engraçadas", como meras brincadeiras para descontrair. Mas por que cargas d'água é preciso criar sempre esse clima de descontração em detrimento do conteúdo, que via de regra é muito mais interessante (podendo ser, inclusive, mais divertido)? E por que o entrevistado precisa necessariamente entrar nesse jogo? Por mais estranho que tenha sido o comportamento de Phoenix, o fracasso da entrevista não se deve a isso, e sim à incapacidade de Letterman de respeitar essa postura e lidar com ela de forma produtiva. Assim eu percebi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-6370402320635655617?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/6370402320635655617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=6370402320635655617' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6370402320635655617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/6370402320635655617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2010/01/sobre-os-limites-do-estilo-letterman-de.html' title='Sobre os limites do estilo Letterman de entrevistar'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3341440379992791276</id><published>2009-12-30T13:04:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T13:33:57.324-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vozes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='seleção'/><title type='text'>Treze vozes</title><content type='html'>Cantar é algo que se apreende. Se eu não acreditasse nisso, não estaria estudando canto até hoje. Mas há algo de estritamente individual e particular no canto, que é corporal, genético, característico, que é a voz do cantor ou da cantora. Uma pessoa que tem um timbre de voz bonito já conta com um recurso a mais para encantar cantando. É claro que isso não basta, mas quando o artista tem consciência de que possui esse diferencial e se dispõe a explorá-lo, temos momentos únicos de magia musical.&lt;br /&gt;Nesta postagem, prestarei uma homenagem a pessoas cuja voz me fascina e delicia. A maioria é de grandes intérpretes, mas não é exatamente isso que avalio aqui. Não listarei pessoas que me deixam boquiaberto pela emoção ou pela apurada técnica da interpretação, mas aquelas que me levam a pensar "como é bom ouvir essa voz" ou "poderia ouvir esse pássaro por mais cem anos". Mesmo que cantem canções pouco marcantes ou errem nas escolhas de intensidade e dinâmica, essas pessoas que homenageio contam o perdão incondicional dos meus sentidos, porque têm uma magia física no canto capaz de me capturar na primeira audição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São elas:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jon Anderson&lt;/strong&gt; - Acho que ele tem o timbre de voz mais gostoso de ouvir que conheço. Canta agudo sem fazer esforço, com docilidade, com leveza. O &lt;em&gt;Yes&lt;/em&gt; é um com ele, e nenhum sem ele, e os fãs sabem que é verdade.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mercedes Sosa&lt;/strong&gt; - Voz poderosa, encorpada, impactante. Difícil igualá-la porque sua interpretação sabe explorar as características de voz tão únicas que ela tem. Aliás, nunca vi ninguém imitando-a, nem para copiá-la, nem para caricaturá-la. Pena que se foi sem eu ter podido vê-la ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Marina&lt;/strong&gt; - Timbre mais sexy que conheço. Como ela canta mais grave e com menos intensidade, meio que insinuando as frases, a voz cai como uma luva em canções com mensagens sensuais. Atualmente, decaiu muito, por complicações nas cordas vocais, mas ainda guarda certo charme.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Karen Carpenter&lt;/strong&gt; - Voz feminina impressionante, com belo grave e alcance notável. Excelente para as canções de amor, mas creio que talhada para qualquer tipo de música, se assim o desejasse.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Milton Nascimento&lt;/strong&gt; - Extraordinária manutenção do timbre aveludado do grave ao falsete. Ninguém no planeta tem voz assim. Algumas canções parece que não poderiam ser cantadas por outra pessoa. Pense em alguém para fazer o que ele faz em&lt;em&gt; "&lt;/em&gt;San Vicente". Vai pensando...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cássia Eller&lt;/strong&gt; - Li uma vez em algum lugar que ela tinha voz de soprano. Pelo que entendo, usava mais a região de contralto, o que mostra que sabia tirar o melhor de sua tessitura. Sem contar que manjava demais da arte, e assim fica fácil com qualquer voz.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Annie Haslam&lt;/strong&gt; - Voz belíssima, cantou no &lt;em&gt;Renaissance&lt;/em&gt; na década de 70 e depois não sei para onde foi. Timbre quase de cantora erudita, mas carregado de uma emoção genuína e cativante.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Grace Slick&lt;/strong&gt; - Como cantava essa mulher! Fez a linha de frente do Jefferson Airplane. Se só tivesse cantado "White Rabbit" e mais nenhuma outra música o resto de sua vida, já estaria na minha lista.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Joan Baez&lt;/strong&gt; - Valoriza qualquer canção com sua interpretação sempre forte. Deus lhe brindou com uma voz marcante, imponente, e ao mesmo tempo agradabilíssima.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Johnny Cash&lt;/strong&gt; - A voz grave mais notável que conheço. Coitado do Joaquim Phoenix, que teve de interpretá-lo no cinema. Devia ter dublado. A primeira coisa que comentei quando estava vendo as cenas de ensaio das músicas foi: "Credo". Quando der, ouça como Cash canta "Hurt". Arrepia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jon Thor Birginson&lt;/strong&gt; - Esse canta! Caiu meu queixo a primeira vez que ouvi esse cara. Timbre em falsete, meio infantil, meio agônico, mas muito doce. Nos últimos tempos, tem explorado mais o registro normal da voz, e não faz feio. Seu canto combina perfeitamente com o estilo viajante de sua banda e de seu trabalho solo. Queria cantar como ele.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Greg Lake&lt;/strong&gt; - Voz perfeita do progressivo. Não aquela de agudões, berros, malabarismo, mas de colocação, respeito pelos limites de extensão, e qualidade de empostação. Muito bom no &lt;em&gt;King Crimson&lt;/em&gt;, muito bom no &lt;em&gt;Emerson, Lake and Palmer&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carla Bruni&lt;/strong&gt; - Nem sabia que ela era modelo quando a ouvi cantando pela primeira vez, quanto mais que viria a ser primeira-dama. Então, não é porque ela está famosa agora que a coloquei nesta lista. A verdade é que ela não tem uma grande voz, nem interpreta tão bem assim, mas escolheu um estilo sussurrado, que cai muito bem para seu timbre doce. Conheci quando fazia Francês na USP, e adorei, mas não tenho mais ouvido tanto, porque o repertório é, de fato, um pouco enjoativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, taí. Há muitas outras que ficaram de fora, porque não quis fazer AS treze melhores, mas sim treze DAS melhores. Aceito e avalio sugestões e discordâncias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3341440379992791276?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3341440379992791276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3341440379992791276' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3341440379992791276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3341440379992791276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/treze-vozes.html' title='Treze vozes'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3864185608183944246</id><published>2009-12-29T07:18:00.000-08:00</published><updated>2009-12-29T08:13:18.866-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='natal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Eu quero meu Camões de volta</title><content type='html'>Houve uma limpa na parte de cima dos armários da faculdade, na qual muitos professores, eu incluso, deixavam materiais que não cabiam nos espaços a que tinham direito. Nessa brincadeira, dei conta de que não estava achando o livro &lt;em&gt;Obras completas de Camões&lt;/em&gt;. Procurei como um doido. Olhei tudo, no trabalho, em casa, na escola da Prefeitura. Perguntei aos inspetores, perguntei aos colegas, aos alunos, aos vendedores dos estabelecimentos por que passei. Nada de achar o livro.&lt;br /&gt;Aquele exemplar pode ser comprado novamente com facilidade. Mas duvido que o encontre nas mesmas circunstâncias em que o adquiri, novo, por um terço do preço, numa dessas promoções espetaculares que a gente tem de aproveitar imediatamente para não se arrepender depois. O que mais me agoniava, entretanto, era perder uma edição tão bonita do meu poeta preferido. Puxa, justo Camões! Justo o cara que venho redescobrindo com os alunos, canto a canto nos Lusíadas, verso a verso na lírica, passo a passo na biografia! Justo um dos livros de que mais gostava!&lt;br /&gt;Nos dias que antecederam o Natal, sonhei que tinha encontrado o livro. Geralmente, não lembro as coisas que sonho, mas essa cena ficou gravada com espantosa nitidez na mente. Senti de novo a textura do papel em minhas mãos, olhei de novo as letras miudinhas, a beleza das ilustrações, sondei de novo as possibilidades listadas nos índices. Só faltava sonhar com Papai Noel me entregando o livro em pessoa. Acho que só não rolou porque nunca fui muito ligado nessa coisa de Papai Noel.&lt;br /&gt;Ainda não comprei o livro de novo. Vou esperar uma promoção como aquela (este esperar é de esperança, além de espera). Tenho fé nisso. Basta vir a oportunidade. Esse é, literalmente, meu sonho de consumo. É o que inconscientemente pedi a um simbólico "meu Papai Noel".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém pode estranhar a postagem sobre um sonho alegre e recompensador relacionado a livros, não a pessoas de meu convívio. Sustento que isso é coerente, se pensarmos a relação que mantenho com objetos de desejo.&lt;br /&gt;Para mim, livros se tornam pessoas quando me acostumo com eles e quero-os do meu lado. Tenho ciúme deles, tenho uma relação que não pode ser maculada com a interferência de postits ou grifos alheios, por exemplo. Por outro lado, quanto mais conheço uma pessoa, mais entendo que ela é mais que só uma pessoa. Quanto mais me acostumo com ela, mais entendo suas necessidades, e menos faço exigências de exclusividade.&lt;br /&gt;Quero que as pessoas apareçam de vez em quando porque querem, porque gostam de mim. Por outro lado, quero que os livros não desapareçam nunca, porque os quero, porque gosto deles. Livros, eu os quero só meus. Pessoas, eu as quero bem, e só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3864185608183944246?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3864185608183944246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3864185608183944246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3864185608183944246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3864185608183944246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/eu-quero-meu-camoes-de-volta.html' title='Eu quero meu Camões de volta'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2068395893725805491</id><published>2009-12-27T08:40:00.000-08:00</published><updated>2009-12-27T09:19:28.631-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tiger Woods'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Deixem Tiger Woods em paz</title><content type='html'>Nas últimas semanas, vingou uma onda de recriminações a Tiger Woods, por conta de seus casos extraconjugais. Tenho uma postura radical a respeito desse tipo de polêmica, postura que é baseada, inclusive, em minha experiência marital. Em poucas palavras: não recrimino Tiger em nada a esse respeito. Nem a ele, nem a ninguém.&lt;br /&gt;O que penso é o seguinte: houve agressividade, rispidez, mágoa, adultério, deslealdade, decepção, incompatibilidade de gênios ou descompasso sexual? Problema do casal. Ponto final. A pessoa resolve com seu parceiro. Acabou. Não interessa e não diz respeito a mais ninguém. Isso não é notícia, não é do interesse público, não tem nada a ver com o direito à informação. Uma coisa é olhar para uma relação como parte interessada (amigo, família, padrinho) e tentar entender que realmente está acontecendo. Outra coisa é massacrar as pessoas com bisbilhotices, procurando sinais que servem tão somente a especulações e julgamentos descabidos.&lt;br /&gt;A verdade é que ninguém sabe o que uma pessoa vive ou viveu em seu relacionamento amoroso, e isso não pode ser simplesmente deduzido a partir dos sinais exteriores. Houve adultério? Como posso saber se isso é um acordo a dois, uma vingança, uma escapada, ou uma profunda insatisfação interior? Como posso saber se isso não é doença, vício em sexo, incapacidade de lidar com a estabilidade? Como posso julgar o indivíduo se desconheço sua psicologia (e não se engane: o que as pessoas falam ou fazem em público NÃO É o que elas são em seu íntimo, por mais que queiramos nos iludir)? Que afirmações posso fazer acerca da intimidade de um casal com o qual não partilhei nada a não ser fotos e fofocas? Que direito tenho de avaliar um comportamento de um indivíduo quando desconheço os jogos de poder, sedução, chantagem, assédio e pressão psicológica a que ele possa ter sido submetido? Indo até mais longe: por que é necessário justificar, ou absolver, ou condenar, uma atitude da vida pessoal de alguém que não tem nenhuma relação com minha vida pessoal? Tenho certeza de que, se as pessoas soubessem um décimo do que acontece nos relacionamentos, renegariam no mínimo metade das afirmações que fizeram sobre eles. &lt;br /&gt;Mas a questão é outra: as pessoas não têm de saber dessas coisas. Deixem Tiger em paz! Ele tem de jogar golfe, e nisso ele é fantástico. O resto não interessa. Não diz respeito a ninguém além dele e da mulher. Não somos nós que temos de achar certo ou errado o que ele fez; é ele, só ele. Nós, que gritamos, mentimos, traímos, forjamos cenas, omitimos verdades, inventamos, que fazemos de tudo isso um pouco, nós não gostaríamos de nos ver resumidos a esses aspectos que podemos, sem muito esforço, apontar em nosso comportamento. As coisas que fiz de errado na minha vida, ou mesmo no meu casamento, não me definem, de maneira alguma. Fui capaz de superar muitas delas, sou capaz de conviver com outras tantas, e qualquer um que procurasse projetar meu caráter a partir das falhas que apresenta erraria feio. Da mesma forma, penso que é uma hipocrisia tirar patrocínios do cara, cortar publicidades, cancelar entrevistas. Quer dizer que o homem que teve outras mulheres não tem coração nenhum? Por que as entidades assistenciais não devolvem o dinheiro que ele deu? Por que os fãs não devolvem os autógrafos e renegam todo o carinho que o golfista teve com eles no decorrer desses anos todos? &lt;br /&gt;É totalmente ridículo, na era pós-revolução sexual em que vivemos, reduzir um sujeito àquilo que instâncias hipócritas definiram como sendo sua imagem pública. Acho que deve doer demais reconhecer que os indivíduos não cabem nos rótulos em que se quer colocá-los. Quando se trata de relacionamentos e seus problemas, na imensa maioria das vezes, quem fala a respeito não faz a mínima ideia do que está acontecendo, e poderia perfeitamente abster-se de emitir julgamentos. Até porque, para o universo das experiências amorosas, desregradas e anticonvencionais por excelência, esses julgamentos não fazem a menor diferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2068395893725805491?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2068395893725805491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2068395893725805491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2068395893725805491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2068395893725805491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/deixem-tiger-woods-em-paz.html' title='Deixem Tiger Woods em paz'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5461535386034616064</id><published>2009-12-25T12:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-28T20:34:29.274-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='natal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ano novo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Feliz Natal 2009 e Feliz Ano Novo 2010</title><content type='html'>Agradeço a todos os que frequentaram este blog e colaboraram com apoio e comentários construtivos. Estou feliz com o crescimento que conseguimos. Espero poder alcançar mais pessoas em 2010,e aumentar a frequência de postagens neste e em meus outros blogs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande abraço, até breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5461535386034616064?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5461535386034616064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5461535386034616064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5461535386034616064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5461535386034616064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/feliz-natal-2009-e-feliz-ano-novo-2010.html' title='Feliz Natal 2009 e Feliz Ano Novo 2010'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-7713717072876879928</id><published>2009-12-24T11:39:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T20:55:43.530-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memória'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='starbuck'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Memória seletiva</title><content type='html'>Hoje, enquanto esperava minha mulher finalizar as compras de Natal, fiquei fazendo nada na Saraiva do Shopping. Enquanto não fazia nada, deu tempo de ler "Relato de um certo oriente", do Milton Hatoum (ótimo), algo sobre figuras de linguagem, e as orelhas de uns livros de poesia. Como estava com sono, me rendi à publicidade do café Starbuck, grandão e chamativo, que se vende lá dentro. Pedi um Frapuccino Mocha do maior, porque o sono era bravo.&lt;br /&gt;Assim que comecei a sorver o líquido, constatei duas coisas. Primeiro, que aquilo era um horror, não tinha gosto nem de café, nem de shake, nem de nada que me comovesse, e ainda por cima era caro pra bedel. Mas a segunda constatação foi a mais interessante.&lt;br /&gt;Tão logo o gosto terrível da bebida da moda arrepiou meus cabelos, lembrei-me de que já havia experimentado uma vez a mesma bebida, e já tinha achado horrível. Simplesmente me esqueci disso quando comprei: que o produto já havia me decepcionado. Não sei se não achei tão ruim a ponto de gravar um gigantesco "não compre" no meu cérebro, ou se justamente achei tão ruim que apaguei a sensação relacionada àquela experiência. O fato é que só fui lembrar que não gostava daquilo quando experimentei de novo.&lt;br /&gt;Sou um consumidor preguiçoso e tenho dificuldade de guardar marcas, ou associá-las a características que as singularizam. Mas nunca pensei que pudesse ser tão distraído a ponto de fazer a mesma besteira duas vezes. A verdade é que nem pensei em nada, minha preguiça me disse "vai no primeiro café que você vir na frente" e fui com tanta fé que me esqueci justamente do mais importante, que não gostava daquele. O pior é que tomei quase tudo, porque sou daqueles que, depois de pagar, não aceitam jogar nada fora. E o meu nem veio com chantilly, porque estava em falta...&lt;br /&gt;Li numa página da net coisas interessantes sobre inibição latente, um processo psicológico que faz com que percebamos as coisas a nosso redor de acordo com as nossas necessidades e interesses. Seria assim: um cozinheiro, por dever de profissão, prova um determinado prato e diz, pelo paladar, quais ingredientes foram utilizados e em que proporção. Eu, que não cozinho, só como, provo um prato e não presto atenção nisso, apenas registro mentalmente se ele é gostoso ou não. Os psicólogos dizem que precisamos ter essa tal inibição latente para não pirarmos, pois é impossível lidarmos com todos os estímulos que recebemos. Por outro lado, eles também dizem que a baixa inibição latente é característica dos indivíduos criativos, tal como dos indivíduos loucos. Perfeitamente compreensível: quem vê o mundo de maneira diferente é porque recebe e responde estímulos diferentes, em função de uma experiência interior que não é a da maioria das pessoas.&lt;br /&gt;Minha memória é um primor de inibição latente. Não fotografo mentalmente as coisas, não sou bom para seus detalhes, não lembro de nomes, esqueço rostos e situações com facilidade, esqueço de coisas que acabaram de me falar. Lembro somente do que os fatos e as coisas representaram para mim no momento em que os experienciei, e quase sempre fico só com essa impressão geral (bom, ruim, legal, chato...) e olhe lá. Quando se trata de consumo, então, a inibição atinge o nível máximo, porque algumas coisas simplesmente não representaram nada, ou foram tão insignificantes que nem consegui desgostar delas, ou foram tão desgostosas que eliminei da lista de relevância. O problema é que a força do marketing, aproveitando-se da preguiça mental, é capaz de driblar essa desimportância das coisas com muita desenvoltura. E lá vai o bobão aqui ser enganado de novo, com todas as armas para não ser. E o pior é que nem tenho coragem de dizer que não acontecerá uma terceira vez. Se bobear, até escrevo sobre isso de novo no blog. Às vezes, desacredito do que sou capaz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-7713717072876879928?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/7713717072876879928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=7713717072876879928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7713717072876879928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/7713717072876879928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/memoria-seletiva.html' title='Memória seletiva'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5748728883687858048</id><published>2009-12-20T09:49:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T14:00:58.793-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crenças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frases'/><title type='text'>Frases e remontagens</title><content type='html'>Passei por uma perua e estava escrito assim, na traseira: "Lutar, sempre; vencer, talvez; desistir, jamais". Frase bonita, bem construída, simétrica. Três verbos e três advérbios. Bom gosto de quem a escolheu. Entretanto, quando vejo esse tipo de lema para uso externo, fico pensando menos em seu significado imediato e mais nas razões que o indivíduo teve para adotá-lo e, sobretudo, exibi-lo. &lt;br /&gt;Pode ser que ele acredite realmente nisso. Nesse caso, supõe-se que valorize o trabalho, o labor, a persistência. Que acredite que pode vencer, mas que isso não depende somente de suas forças. Que considere que a determinação individual e a fé são seus maiores valores, e que vale a pena ser conhecido e reconhecido como batalhador e convicto. Teríamos, então, um cidadão querendo mostrar ao mundo a forma como se consegue o sucesso, sintetizada num dito que toca as pessoas pelos princípios cristãos de humildade e trabalho que apregoa.&lt;br /&gt;Pode ser, no entanto, que o indivíduo que escolheu esse lema não seja nada disso. Pode ser que seja uma pessoa consumida pela culpa de tomar atitudes erradas e comprometer financeiramente e estruturalmente sua família. Pode ser que seja alguém que tenha entregado os pontos já muitas vezes, e que procure constantemente, dentro e fora de si, motivações para continuar fazendo aquilo que precisa - mas não quer - fazer. Nesse caso, a frase estaria mais para consolo ou promessa. Não seria entendida como "eu luto", mas como "tenho de lutar, fazer o quê?"; não serviria para mostrar algo como "eu acredito no trabalho", mas sim "eu preciso acreditar e continuar no caminho, não tenho outra saída", ou "eu preciso lembrar constantemente que não posso esmorecer, mesmo que as soluções estejam obnubiladas".&lt;br /&gt;Até aqui, supusemos que pessoas com diferentes experiências e motivações poderiam adotar, sem problemas de coerência ou sentido, um mesmo lema de vida. Consideremos agora uma criatura de configuração moral distinta da que atribuímos às gentes imaginárias já descritas. Consideremos alguém que não acredita no sucesso pela via do trabalho; alguém que procura tirar vantagem de todas as maneiras das situações; alguém que prefere o lucro advindo do menor esforço ao pagamento justo por seu mérito e empenho; alguém que, nas piores adversidades, pensa unicamente em salvar o próprio pescoço; alguém que não liga de fazer falcatruas e passar a perna nas pessoas se não houver o perigo de isso vir a público.&lt;br /&gt;Se uma pessoa com essas características colasse no seu veículo um adesivo com a frase em questão, poderíamos pensar que se trata de uma contradição ou uma impropriedade. Mas, por absurdo que possa parecer, o lema teria exatamente a mesma função: mostrar aos outros indivíduos qual a concepção ideologicamente válida e aceita de sucesso. O que haveria de diferente, nesse caso, é que estaríamos diante do tipo mais comum de ser humano que encontramos em nossa vida social, aquele que separa com muita habilidade sua aparência para o mundo de sua conduta interior. Esse tipo de cidadão não acha que está mentindo, pois realmente crê que o trabalho duro deveria ser norma de conduta da sociedade, &lt;em&gt;contanto que ele não fosse obrigado a adotá-la&lt;/em&gt;. E ambas as coisas convivem pacificamente em seu universo lógico, pois suas crenças e seus valores não têm necessariamente de ser coerentes com sua práticas cotidianas, podendo muitas vezes contradizê-las, quando convier. Porém, ele não pode assumir explicitamente que se julga exceção à necessidade de cumprir o que diz. Nossa sociedade aceita a hipocrisia, não o cinismo, e, ademais, faltariam argumentos éticos válidos para se justificar. Mas é bom que fique claro: um indivíduo com essas características poderia colocar desavergonhadamente a frase no vidro de seu carro, e por certo ganharia elogios e atenções dos que estão ao seu redor, sem nunca enfrentar qualquer mínimo questionamento sobre a coerência entre sua conduta ética e o lema que adota. Agiria, assim, tal como as inumeráveis pessoas que vestem camisetas com dizeres cujo sentido desconhecem porque as estampas ou cores estão na moda ou parecem simpáticas. As outras diriam apenas: "caiu bem em você".&lt;br /&gt;O curioso é que, se remontássemos a frase, adequando-a à falta de caráter dessas figuras que citamos, poderíamos obter algo mais expressivo e veraz, "Vencer, sempre; desistir, talvez; lutar jamais", lema extremamente pertinente para o que presenciamos todos os dias nas nossas relações com o mundo. Essa reorganização semântica deixaria claro que o negócio é o sucesso, o dinheiro, a vantagem pessoal, e que, quanto menor o esforço para obtê-los, mais eles nos convêm. Isso diz muito sobre o que vemos na política, nas relações de trabalho, nas festas, no trânsito, nas escolas, nas conversas de bar, em vários setores de nossa civilização. Mas um lema como esse carrega o problema do escancaramento, do desmacaramento, da autoculpabilização. Uma pessoa pode pensar assim e até usar essa ideia como um gracejo no contexto de confissões infames a amigos próximos. O que ela não pode é admitir isso abertamente, declaradamente, exibidamente, porque a consciência coletiva lida muito mal com seus desejos reprimidos. &lt;br /&gt;Sintetizando: se tudo fosse somente uma questão de escolha e bom gosto, a frase original seria, para quem acredita no trabalho, para quem precisa acreditar, e até para quem não acredita mas não pode dizer, a opção mais conveniente e correta, sempre; se a questão for a de interpretação, para qualquer cidadão que tivesse lido "Raízes do Brasil", "A ética protestante e o espírito do capitalismo" e um básico resumido de Freud, a frase original tenderia a soar mais como uma curiosidade cotidiana que como uma prescrição, e a frase remontada, mais como uma provocação válida que como um  gracejo. Prefiro o segundo ponto de vista. Desacredito da seriedade desse tipo de lugar-comum. Para mim, os homens se revelam no que dizem justamente pelo que silenciam.  Feridas expostas precisam ser curadas, e as pessoas preferem, por incrível que pareça, não mostrá-las, ou não reconhecê-las como feridas, a ter de tratá-las adequadamente. As pessoas aceitam sofrer sempre e mentir talvez, desde que não tenham de mostrar jamais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5748728883687858048?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5748728883687858048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5748728883687858048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5748728883687858048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5748728883687858048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/frases-e-remontagens.html' title='Frases e remontagens'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3629421137666708748</id><published>2009-12-16T19:23:00.000-08:00</published><updated>2009-12-16T19:30:47.400-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Glenn Hughes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='shows'/><title type='text'>No show de Glenn Hughes. Valeu por ele.</title><content type='html'>Admiro de coração as pessoas que guardam um montante considerável de energia vital para os anos da maturidade. Acabo de voltar do show de Glenn Hughes, ex-baixista de Deep Purple e ex-vocalista do Trapeze. Não sei a idade dele, 50, 60, algo assim. O que me impressiona é a excelente forma física que ele demonstra ter, que se reflete no vocal afiadíssimo (talvez o mais espetacular que já vi ao vivo), na pulação praticamente constante no palco e na vivacidade com que empunha seu baixo e faz malabarismos musicais.&lt;br /&gt;Aos 35 anos, eu confesso que não consigo mais entrar nesse clima. Fui para ouvir a voz de Hughes e conferir sua técnica apurada. Isso fiz, e valeu o ingresso. Mas não pulei, não chacoalhei a cabeça, não achei graça nas pessoas caindo de bêbadas e chapadas, não tive estômago para as latinhas de cerveja nojentamente abandonadas no chão e o banheiro já mais do que asqueroso a partir da segunda metade do show. Não tenho mais esse espírito de aventura, de tolerância com o incômodo, de desencanação e mergulho na onda rock'n'roll. Para mim, foi bom poder ficar encostado na parede, mãos dadas com minha namorada, vendo o que rolava no palco e ouvindo a boa música que acontecia. Tudo o mais atrapalhava: as pessoas gritando (aliás, acho incrível alguém pagar para ver um dos maiores vocalistas de todos os tempos e ficar gritando enquanto ele canta), a fumaça assassina de narizes, o cheiro de bebida que começa a impregnar no decorrer da noite, os indivíduos que vão perdendo a noção de que você também quer ver o palco. Não sirvo mais para esse tipo de programa. Tive essa impressão no show do Radiohead e confirmo-a agora.&lt;br /&gt;O que foi divertido, além de andarmos meia Faria Lima para não chegarmos atrasados, foi ter tido excelente companhia para a empresa e ter podido usufruir da beleza das músicas de cuca limpa, sorvendo cada acorde, cada agudo, cada falsete, cada solo. Saldo positivo, no fim das contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para pontuar e não ser injusto: grande show de abertura do Casa das Máquinas. Mas deviam ter tocado mais da fase progressiva deles. Seria melhor ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3629421137666708748?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3629421137666708748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3629421137666708748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3629421137666708748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3629421137666708748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/no-show-de-glenn-hughes-valeu-por-ele.html' title='No show de Glenn Hughes. Valeu por ele.'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-527385005506110423</id><published>2009-12-13T19:55:00.000-08:00</published><updated>2009-12-13T20:29:06.022-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='microconto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sérgio Sant&apos;Anna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dissertação'/><title type='text'>Microcontos, Sérgio Sant'Anna e as "grandes novidades"</title><content type='html'>Ontem meu irmão me falou que a nova onda nos meios literários é um tal de microconto, nada mais que uma pequena história contada em menos de 240 toques, se não me engano. É interessante, mas isso não tem nada de novo.&lt;br /&gt;Quem, como eu, teve a curiosidade e oportunidade de apreciar a força da escrita de Sérgio Sant'Anna em &lt;em&gt;Notas de Manfredo Rangel, repórter, (a respeito de Kramer)&lt;/em&gt;, de 1974, deve ter se impressionado com a maestria com que são contadas as pequenas histórias de amor presentes no conto "Romeu e Julieta", um dos 21 que compõem o livro. Se não me engano, dando uma fuçada no Google, dá para achar algumas delas. &lt;br /&gt;Eu não sei bem o que é essa onda de microcontos, mas se a questão é apenas o tamanho e o poder de concisão, Sérgio é, sem dúvida alguma, o precursor mais ilustre disso. Minha dissertação de mestrado foi a respeito do &lt;em&gt;Notas&lt;/em&gt;, e lembro bem que, ao analisar o conto que sugeri acima, cheguei a grafar essa classificação (microcontos) e mostrar ao meu orientador. Lembro de ele ter me dito para não usá-la, porque não era consagrada pela tradição, nem muito precisa do ponto de vista da terminologia. Risquei, e acabei nem aproveitando na redação final o que tinha escrito. Ficou lá, nas minhas anotações, nesses arquivos não publicados perdidos nos back-ups da vida. Como não publiquei, não posso dizer oficialmente que antecipei a configuração do gênero. Posso apenas brincar interiormente com aquela história do "tá vendo,eu já sabia!", e ficar elocubrando sobre minha dissertação ter sido mais lida se eu tivesse achado um jeito de incluir a análise do "Romeu e Julieta".&lt;br /&gt;Mas não quero chamar a atenção para minhas sortudas intuições de análise, e sim para as competentes intuições de escrita de Sérgio. Que pelo menos reconheçam a primazia dele, a capacidade de buscar e enformar a concisão máxima de enredo num tempo em que nem se sonhava com internet, tuíter, e essas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-527385005506110423?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/527385005506110423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=527385005506110423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/527385005506110423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/527385005506110423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/microcontos-sergio-santanna-e-as.html' title='Microcontos, Sérgio Sant&apos;Anna e as &quot;grandes novidades&quot;'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1597141852613762386</id><published>2009-12-02T14:23:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T14:38:02.788-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vagner Love'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='intolerância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estupidez'/><title type='text'>Intolerância e estupidez na agressão a Vagner Love</title><content type='html'>Um grande amigo meu, que há tempos não vejo, dizia que todas as pessoas têm defeitos, e que o meu era gostar de futebol. Confesso, adoro futebol. Gosto de assistir a jogos de todos os times, de todas as divisões. Gosto do balé, da disputa de bola, da imprevisibilidade do espetáculo, da plasticidade das jogadas. Torço para o Cruzeiro, mas posso torcer para qualquer outro time, pois aprendi a acompanhar os jogos querendo que alguém vença. Fui poucas vezes a estádios, e sempre considerei que, neles, a proximidade com a experiência da disputa em campo nos torna coparticipantes.&lt;br /&gt;Mas é só. Para mim, futebol é torcer, acompanhar, admirar, aplaudir, vaiar. E creio que, para qualquer ser civilizado, a experiência de torcedor não deva passar disso. Futebol não é mais importante que política, que assuntos amorosos, que educação, que questões de direito e cidadania. Futebol não é minha profissão, e não é uma paixão que sobrepuje minhas responsabilidades, ou mesmo minhas outras paixões (música, literatura).&lt;br /&gt;O caso da agressão ao jogador Vagner Love, do Palmeiras, é, para mim, um claro exemplo do que acontece quando os limites da paixão pelo esporte são ultrapassados, e as frustrações cotidianas são projetadas naquilo que deveria ser apenas uma forma de entretenimento. Vagner é um ótimo jogador - e ótimos jogadores têm fases boas e ruins. Foi responsável por muitos dos gols que tiraram o Palmeiras da segunda divisão. Deve ter jogado mal, sei lá, não acompanho tanto assim o desempenho dos atletas. Mas mesmo que tivesse feito as piores partidas de sua vida, nada, absolutamente nada poderia justificar a estupidez e intolerência do comportamento dos torcedores no caso em questão. E o pior de tudo é que comentei esse caso com três pessoas diferentes, em momentos diferentes, e três vezes ouvi algo como "apanhou pouco, estava fazendo corpo mole".&lt;br /&gt;Eu não sei até que ponto pode ir o ódio ou a frustração de ver meu time perder um campeonato, ou um jogador em quem eu depositava confiança perder um gol incrível ou jogar abaixo do que sabe. O que eu sei é que faz parte da minha cidadania entender que isso é só diversão, teatro, espetáculo. Nenhum jogador que atua pelo meu time tem qualquer obrigação contratual ou moral comigo; jogadores são profissionais, atuam por seus clubes e a eles devem satisfações. Não é porque eu compro camisa, vou ao estádio e sustento o mercado da bola que tenho o direito de administrar o meu clube de coração, de escalá-lo, de interferir no seu gerenciamento. Se assim fosse, não precisaríamos de técnicos, de preparadores físicos, de especialistas em futebol. Como torcedor, tenho várias formas de manifestar minha aprovação ou reprovação em relação ao que acontece em campo, ou à forma como meu clube é administrado. Posso votar nas eleições do clube. Posso escrever faixas, fazer protestos, cantar músicas. Posso reclamar de uma substituição ou da presença de algum jogador. Tudo isso está dentro daquilo que qualquer indivíduo pode fazer sem ferir as liberdades individuais dos outros, sem atrapalhar a vida de outras pessoas. &lt;br /&gt;Entretanto, como torcedor, não tenho o direito de fiscalizar a vida pessoal de jogadores do meu clube. Se o jogador corresponde ou não às expectativas de atuação em campo, é uma coisa. Se ele tem uma vida noturna intensa, é outra, e ninguém tem nada a ver com isso. Se isso atrapalha o rendimento do atleta, cabe ao clube e ao técnico avaliarem e tomarem as medidas cabíveis. Ponto final. É mais do que óbvio que aquilo que acontece fora do espetáculo, fora do âmbito da partida, dos treinos, das concentrações, não é problema do torcedor. Não aceito bronca nem do meu chefe imediato quando estou em casa com minha família.&lt;br /&gt;Se não tenho nada a ver com o que acontece com um cidadão em sua vida pessoal, tanto menos posso tentar agredi-lo, por qualquer que seja o motivo. Não há justificativa para uso da violência contra um indivíduo que não me agrediu. Minhas insatisfações pessoais não podem ser resolvidas por meio da violência física, e esse é um princípio básico da vida em sociedade. Não interessa se o cidadão fez ou não corpo mole, se honrou ou não a camisa, se ama ou não o clube como eu amo, se ganha exorbitâncias ou salário de fome: não tenho o direito de ofendê-lo, de agredi-lo, de ameaçá-lo. Isso é crime, isso está fora do comportamento social saudável. Ainda mais: não é inteligente, por parte do torcedor, criar esse clima de cobrança ostensiva e intranquilidade. Nem todas as pessoas reagem da mesma forma quando estão acuadas, e muitas delas, inclusive, perdem toda a motivação quando são atacadas em sua dignidade. Assim aconteceu com Edilson, que abandonou o Corinthians depois de ser agredido pela torcida, numa atitude que considero exemplar. A conivência com a violência, às vezes, é pior que a própria violência, e foi isso que me assustou ao ouvir as pessoas defendendo a imbecilidade dos torcedores que foram presos.&lt;br /&gt;Por fim, quero deixar registrado que a paixão pelo futebol, que rende muito dinheiro a não muitas pessoas, tem sido usada como desculpa esfarrapada para atos covardes, injustificáveis e até monstruosos de torcedores - se é que se pode chamá-los assim - ao longo dos anos. Basta fazer uma pesquisa simples na rede: ônibus do Coritiba destruído por torcedores do Vasco, mortes que acontecem em brigas de torcida agendadas pelo orkut(!), destruição da avenida Paulista pelo vandalismo na comemoração do título da Libertadores pelo São Paulo(!), troca de pauladas e morte em final de campeonato juvenil(!). Para cada um esses casos citados, seria interessante e plenamente adequado que todos os atletas e pessoas que vivem de futebol fizessem uma greve ou paralisação de uma semana em protesto. Nem toda a alegria e tristeza que o futebol nos proporcionou nos últimos 80 anos pode justificar a morte brutal de uma pessoa, por exemplo. Infelizmente, a imprensa e as autoridades não levam esses casos tão a sério, talvez por medo de desagradar os torcedores, que são poder de consumo e possibilidade de votos. O espetáculo não pode parar; mas se ele envolve insanidade, estupidez, vandalismo, covardia, violência, ele para. Porque senão deixa de ser espetáculo e vira barbárie. &lt;br /&gt;(Alguns dirão, com razão, que a sociedade do espetáculo acaba sempre sendo a sociedade da barbárie. Quero acreditar que seja possível um equilíbrio, um consenso, embora no fundo saiba que isso é uma manifestação de esperança, não uma análise racional).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1597141852613762386?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1597141852613762386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1597141852613762386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1597141852613762386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1597141852613762386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/12/intolerancia-e-estupidez-na-agressao.html' title='Intolerância e estupidez na agressão a Vagner Love'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3652430508440674447</id><published>2009-11-23T16:09:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T16:35:37.549-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Veja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>Dez razões pelas quais não leio Veja mais</title><content type='html'>O título ficou bonitinho com a rima.&lt;br /&gt;O que posto abaixo carece totalmente de fontes, mas não de fundamentos. Se eu tiver um dia acesso a edições antigas, posso localizar as coisas que cito aqui. Por ora, importa-me apenas apontar as ideias gerais. Além disso, tenho outras coisas a fazer no momento. Mas retornarei a esta postagem quando der. Quem tiver uma coleção antiga da &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; e quiser me ajudar, enviando referências das fontes, terá minha gratidão sincera pelo resto de meus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; tem uma linha ideológica completamente diversa da minha. Seus jornalistas políticos e colunistas estão cada dia mais claramente alinhados com o PSDB e a ideologia neoliberal, e até puxam as orelhas do partido quando ele se afasta desse ideário. Não concordo com esse conjunto de ideias, e acho que esse alinhamento, nos últimos anos, caminhou para a distorção da análise da realidade, como se pode ver nas matérias sobre economia brasileira, que muitas vezes teimam em não reconhecer que os avanços sociais foram alcançados em função da adoção de paradigmas diferentes dos fixados no Consenso de Washington.&lt;br /&gt;2) &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; apoiou quase irrestritamente a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, abraçou em alguns momentos a hipótese de armas químicas em território iraquiano e comprou a ideia de que tudo isso nada tinha a ver com petróleo. A revista chegou ao ponto de, ao questionar o presidente Bush, dizer que era preciso saber se ele "mentiu ou apenas exagerou um pouco" (isso é textual, mas infelizmente não lembro em que edição li). Para ser justo, Roberto Pompeu de Toledo sempre se posicionou de outra forma em seus comentários, muito mais lúcidos que os dos outros colunistas.&lt;br /&gt;3) &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; embarcou no modismo perigosíssimo que era a dieta de Atkinson, dando a essa forma amalucada de perder peso capa, destaque, e quase nenhuma abordagem crítica. Não colaborou para uma discussão científica a respeito, e pode ter influenciado muitas pessoas a cometerem terríveis gafes alimentares.&lt;br /&gt;4) &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, numa edição especial de que não me lembro o número, afirmou que os irmãos Wright eram os inventores do avião, questão extremamente polêmica e curiosamente definida em favor dos americanos - que criaram uma máquina incapaz de levantar voo sozinha - contra o brasileiro Santos Dumont - mundialmente aclamado como "Pai da aviação" e criador de uma máquina capaz de decolar com força própria, como um avião digno do nome.&lt;br /&gt;5) Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo são dois dos colunistas de maior destaque de &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;. O primeiro, além de sustentar opiniões completamente contrárias às minhas - como a de que os Estados Unidos não pensaram em petróleo ao invadir o Iraque - perdeu toda a credibilidade para mim ao quebrar o off de uma de suas fontes. O segundo escreve de forma absurdamente agressiva e várias vezes irresponsável, e é declaradamente antipetista, antilulista e pró-serrista, ou que é um problema grave, pois nem tudo o que o PT faz é ruim e Serra não é nenhum primor de político. Os comentários de ambos são extremamente tendenciosos, às vezes até meio hiperbólicos e descomedidos, no caso de Azevedo.&lt;br /&gt;6) &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; detonou Maria Rita numa de suas matérias de uma forma tão veemente que um leitor que nunca tivesse ouvido rádio no Brasil poderia pensar que a moça era uma cantora sem talento, pendurada na fama da mãe, a maravilhosa Elis. Goste-se ou não de Maria Rita, nem o mais ácido dos críticos poderia colocar a questão dessa forma.&lt;br /&gt;7) &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; apoiou explicitamente o "não" na votação sobre o desarmamento. Visto se tratar de uma campanha política, era minimamente sensato que a revista se propusesse a examinar os dois lados da questão, ou, pela ética jornalística, que fizesse uma matéria de esclarecimento, e não um panfleto ideológico. Tudo bem que assumisse uma posição, mas o principal, nesse caso, era informar, e não convencer.&lt;br /&gt;8) Ainda que Nassif possa ter comido bola num ou noutro momento - acredito que raríssimos -, o que ele expõe no &lt;em&gt;&lt;a href="http://luis.nassif.googlepages.com/"&gt;Caso Veja&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; é sério demais para não ser devidamente apurado, pois é uma investigação conduzida com o apoio de toda uma comunidade de colaboradores, com muita seriedade.&lt;br /&gt;9) &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; tinha uma linha mais moderada de redação sobre política. Quem lê edições da revista na época da primeira eleição de Lula e lê as matérias de quatro anos depois verifica que a agressividade aumentou de tal forma, o tom subiu tanto, e as opções ideológicas ficaram tão explícitas que não parece se tratar do mesmo veículo de comunicação. Os textos fazem acusações pesadas e nem sempre se preocupam em documentá-las. A linguagem ficou apelativa, emocional, inconveniente para um veículo que se propõe a fazer jornalismo.&lt;br /&gt;10) Essa é a mais forte de todas. Quando eu comecei a trabalhar na Prefeitura, a escola em que eu estava recebia um suplemento chamado &lt;em&gt;Veja na Sala de Aula&lt;/em&gt;. Nessa época, houve os ataques de 11 de setembro. &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; obviamente teve matérias sobre os atentados. E o suplemento citado apontava maneiras de utilizar essas matérias nas aulas de História. Foi nele que li uma frase cujo conteúdo nunca esquecerei, embora não possa reproduzir exatemente. Algo como: mostre aos alunos que o ataque contra as torres gêmeas, nos Estados Unidos, é, na verdade, &lt;strong&gt;um ataque à civilização ocidental&lt;/strong&gt;. Naquele dia, senti-me nas cruzadas, de espada na mão. Mas que fossem cruzadas contra o mau jornalismo, porque aquilo era passar de qualquer limite possível ou imaginável.&lt;br /&gt;Sei que haveria mais, mas isso acho que já é suficiente. Viva a internet, viva a blogosfera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3652430508440674447?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3652430508440674447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3652430508440674447' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3652430508440674447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3652430508440674447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/11/dez-razoes-pelas-quais-nao-leio-veja.html' title='Dez razões pelas quais não leio &lt;em&gt;Veja &lt;/em&gt;mais'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2467777823196088445</id><published>2009-11-20T19:25:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T19:31:43.543-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coldplay'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Keane'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='shows'/><title type='text'>Quem sabe, faz ao vivo</title><content type='html'>O bordão do Faustão dos tempos do bom &lt;em&gt;Perdidos na Noite&lt;/em&gt; sempre ressoou nos meus ouvidos como uma verdade incontestável: quem sabe, faz ao vivo. Uma situação de show, de espetáculo, de contato com o público, aquela ocasião única, para a qual o fã se prepara por anos, é o diferencial maior entre as bandas que ouvimos e as bandas que nos marcam. Porque há músicos bons, há grandes performances, mas é difícil alguém conquistar o status de memorável, quanto mais de inesquecível.&lt;br /&gt;Vi ótimos shows na minha vida, alguns muito marcantes, como os de Milton Nascimento e Ray Charles, ambos no Parque do Ibirapuera, já há alguns anos. Mas gostaria de comentar dois eventos que tive a felicidade de ver num espaço de poucos meses de diferença, e que me conduziram à reflexão do primeiro parágrafo deste texto.&lt;br /&gt;Entre as bandas da atualidade, posso apontar várias de que gosto, e entre elas estão, sem dúvida alguma e em lugar especial, Coldplay e Keane. Melódicos, melodiosos, emotivos, emocionantes, esses caras sempre me pegaram com suas músicas. Numa hierarquia de gosto, eu sempre curti mais o Coldplay, sempre achei que eles tinham as composições mais viajadas e tocantes. &lt;br /&gt;Entretanto, em 2008, Coldplay e Keane vieram ao Basil, e eu contava com alguns trocados a mais passíveis de alimentar a extorsão que são os preços via Ticketmaster. Comprei ingresso para os dois shows, e admito que só fui ao Keane porque minha namorada queria muito vê-los, e achei justo acompanhá-la nesse show, visto que ela me acompanharia no Coldplay, em quem a pequena não via muita graça.&lt;br /&gt;Pois não é que os shows viraram minha cabeça? O Coldplay é bom ao vivo, mas não é marcante, não é empolgante, não faz a gente pirar. As músicas são excelentes, a banda é muito boa, mas é bem melhor no estúdio. Presencialmente, eles são até meio distantes, meio burocráticos. E tenho a impressão de que Chris Martin tem vocais delicados e difíceis demais para uma situação de gritaria de fãs e várias horas de palco. Já o Keane mata a pau. Tom Chaplin é o vocalista mais incrível que já vi em ação. Canta sem miséria, põe voz mesmo. E comanda o show com uma vitalidade impressionante. As músicas parecem melhores quando eles tocam ao vivo. A banda faz você esquecer de absolutamente tudo que não seja o que estão tocando. Fui com uma expectativa menor ao show deles, e saí completamente conquistado. Eles têm uma cara mais pop, menos melancólica, menos, digamos, profunda e trabalhada que a do Coldplay, e a crítica desgosta disso, no geral. Mas em situação de palco, de show, de apresentação, eles dão um banho. A empatia, a alegria, o carinho com o público são absolutamente únicos.&lt;br /&gt;É verdade que travo muito mais contato com essas bandas por download e audição das canções que por apresentações. Mas a impressão do show é a que fica. O Coldplay vem ao Brasil de novo ano que vem. Não vou. Um show deles me bastou, já estou contente. Entretanto, de semana em semana invado a página do Keane no Orkut para saber quando eles voltam. É humano e saudável sempre querer reviver momentos que nos pareceram mágicos e encantadores. Essa é uma das formas que a arte tem de revitalizar pessoas como eu, que associam a música a climas, momentos, lugares, encontros, situações, pedaços da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2467777823196088445?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2467777823196088445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2467777823196088445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2467777823196088445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2467777823196088445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/11/quem-sabe-faz-ao-vivo.html' title='Quem sabe, faz ao vivo'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-4209449926473850363</id><published>2009-11-20T17:10:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T17:23:29.922-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='caldo de cana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='raiva'/><title type='text'>Por causa de um caldo de cana</title><content type='html'>Meu ônibus não passava e resolvi tomar um caldo de cana num ponto próximo do metrô. Sentei-me na cadeirinha giratória do balcão com aquele desleixo que é minha marca, e espalhei carteira, pasta e braços antes de pedir o que queria. Não deu vinte segundos, sentou-se um indivíduo maior que eu, moreno, forte, barba por fazer, cara meio inchada, e me pediu que lhe pagasse um conhaque. Instintivamente, peguei minha carteira que dava sopa no balcão e botei no bolso. Eu tinha separado cinco reais para pagar o caldo, e a nota estava na minha mão esquerda. O rapaz já tinha visto, evidentemente.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;Costumo ser seco e direto nesse tipo de abordagem, principalmente quando percebo que se trata de intimidação. Era o caso. O olhar firme do sujeito, a postura corporal de avanço, a noção de que eu era menor, a certeza de que eu tinha dinheiro suficiente em mãos. Mas mais que isso, o discurso posterior: hoje você está por cima, amanhã está por baixo, amanhã eu posso te encontrar na rua numa outra situação, e tal. Eu podia simplesmente sair dali, ou insistir que não pagaria. Mas sinto que não consigo comunicar firmeza para as pessoas, e por isso sou abordado muitas vezes e de forma muito insistente, por pedintes, vendedores, marqueteiros, pessoas que querem que eu quebre algum galho delas, e afins. E foi o estigma dessa insegurança que me fez não querer sair de onde eu estava: era como se eu quisesse sinalizar que ele não tinha me intimidado, para dizer a mim mesmo que eu não titubeio, ou que não seria assim daquela vez. E quando o moço perguntou de novo se eu não podia pagar o conhaque dele, devolvi algo que o irritou.&lt;br /&gt;- Poderia pagar seu conhaque, mas não quero e não vou.&lt;br /&gt;Ele sentiu a afronta e começou a falar mais alto, mais e mais. Começou a discursar, disse que eu o estava humilhando porque ele era pobre e só queria um conhaque e ele tinha problemas com a justiça e a família e outras coisas de que não me lembro, porque naquele momento eu estava com medo e raiva eu mesmo tempo, dele e de mim, por não saber lidar com essas situações. A verdade é que fui realmente grosseiro na minha negativa, desnecessária e vinda da mais profunda incerteza em relação a conseguir me impor. Mas agora é que eu não ia pagar nada mesmo. O homem crescia para cima de mim, e agora era um jogo de forças no qual ceder, na minha cabeça, significaria aumentar as possibilidades de ser achacado por esse cara em outras oportunidades. Dessa vez, fui didático e honesto:&lt;br /&gt;- Você não pediu comida, você pediu um conhaque. Eu não bebo, não pago bebida nem para mim, por que pagaria para você, que nem conheço?&lt;br /&gt;Senti-me um pouco melhor, porque agora as palavras estavam bem colocadas. Mas isso funcionou só para mim. O rapaz não me ouviu. Trocou os argumentos pela ameaça pura e simples. Disse que ia pedir um conhaque e pronto. Eu reiterei que não ia pagar. Ele disse que acabaria preso se eu não pagasse o conhaque. Eu lhe disse que, se assim era, que não pedisse. E aí já era puro braço de ferro de insistência contra convicção. Então eu fiz o que devia ter feito já no início de tudo: fui sentar numas mesinhas lá no fundo do bar. O rapaz não veio atrás de mim. Passou a perturbar o balconista, a agredi-lo, xingá-lo, esmurrou o balcão, disse que queria um conhaque, e outras barbaridades mais pesadas. Conseguiu que um outro rapaz, que estava de saída, interviesse na situação, e se propusesse a pagar a bebida que ele queria. Se pagou ou não, nem sei, porque a essa altura eu já tinha tragado sem nenhum prazer o caldo e me dirigido ao ponto de ônibus, de onde nunca deveria ter saído. Fiquei lá uns minutos, esperando a chegada do transporte. &lt;br /&gt;Dali a pouco chegou o rapaz do conhaque. Nem falou comigo, nem fez menção de ter me visto. Ficou lá, perguntando às pessoas que ônibus ia para o Aeroporto. Não estava nem aí para mim, pois eu já não servia para resolver nenhum problema dele. Até subir no meu ônibus, quase nem nos olhamos. De minha parte, posso dizer que não estava com medo nem com raiva. O problema não era ele. O problema era o incômodo que sinto por não saber tomar as atitudes convenientes e firmes nas relações com pessoas que me pressionam. Desse ponto de vista, devo admitir que a insistência ameaçadora daquele moço contribuiu, de certa forma, para que eu tivesse de refletir a respeito de algo que escondo até de mim mesmo. Continuei achando que não deveria pagar conhaque nenhum, mas fiquei com a sensação de que sou meio infantil às vezes, querendo provar para meu ego que sou melhor do que sou. Se eu tivesse sacado isso a tempo - e havia de ser eu na situação, porque uma pessoa dominada pelo vício não tem condições de fazê-lo - teria tomado minha garapa sem susto e sem pressa noutro lugar. Na verdade, creio que se eu conseguisse aceitar determinadas falhas de caráter que tenho, teria maior capacidade para corrigi-las ou conviver com elas. Fico com essa ideia. Página virada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-4209449926473850363?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/4209449926473850363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=4209449926473850363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4209449926473850363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/4209449926473850363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/11/por-causa-de-um-caldo-de-cana.html' title='Por causa de um caldo de cana'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-5096125742016118828</id><published>2009-11-15T14:44:00.000-08:00</published><updated>2009-11-15T18:07:59.807-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='olga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mudanças'/><title type='text'>Pensando em um diálogo do filme "Olga"</title><content type='html'>Não li o livro &lt;em&gt;Olga&lt;/em&gt;. Vi o filme, e não o considero nenhuma obra-prima. Mas constatei que ele poderia ser bem adequado para embasar aulas sobre o governo Vargas, o Nazismo, e regimes autoritários, e resolvi utilizá-lo em minhas aulas de História. O resultado tem sido de médio para bom.&lt;br /&gt;Depois de tê-lo visto umas dez vezes foi que reparei em um diálogo que me pareceu o mais instigante do filme. Olga (interpretada por Camila Morgado) está supostamente indo da prisão para o hospital, dentro de uma ambulância, para dar à luz. Com ela vai uma companheira presidiária, conforme promessa do capanga de Filinto Müller, proferida publicamente diante da reação negativa dos detentos, que organizaram uma resistência à retirada da ativista. Olga pergunta à outra moça: "Você acha que o mundo quer ser mudado?". Não há resposta convincente, e Olga dá a entender que às vezes pensa abandonar a militância dentro das fileiras comunistas para ter seu filho e ser feliz com seu marido, Luis Carlos Prestes. Essa cena é muito forte, porque antecede um momento dramático e terrível, que é o envio de Olga à Alemanha nazista, de navio, numa traição da promessa anteriormente citada. Olga paga um preço alto - e cruel, e injusto - por sua luta, vindo a falecer posteriormente na câmara de gás de um campo de concentração.&lt;br /&gt;Não consegui entender essa fala de Olga como um momento de fraqueza. Penso nela como detonadora de uma reflexão profunda. Qualquer um de nós, que estudamos humanidades, que temos sensibilidade de reconhecer os direitos de outros seres humanos, que acreditamos na possibilidade real de melhora das vidas das pessoas e num mundo com mais justiça social, nos perguntamos, em algum momento, se nossas convicções geram frutos, indicam caminhos, constroem soluções, enfim, se mudamos minimamente um pedacinho do mundo. Parece-me que faz todo o sentido perguntar se o mundo quer ser mesmo mudado. Sinto que tenha de admitir que a resposta é negativa: as pessoas têm enorme tendência de aceitar os sistemas em que vivem, adaptar-se a eles, julgarem-se beneficiadas e tornarem-se pouco sensíveis em relação aos excluídos em geral. A vontade de realizar mudanças e implementar sistemas mais justos não me parece natural ou inata nos indivíduos. As convenções, na maioria dos casos, vencem as revoluções, e o resultado é isso que vemos, um planeta em que há enorme concentração de recursos nas mãos de poucos e enorme controle desses que pouco têm por meio da conivência fabricada e dos instrumentos de alienação. Parece, então, que a vontade de mudar o mundo não vem espontaneamente, mas, na maioria dos casos, só depois do desenvolvimento de uma consciência crítica, e, paralelamente, de um caráter eticamente responsável.&lt;br /&gt;Por outro lado, pessoas como Olga, ou Prestes, ou Chico Mendes, ou Gandhi, não conseguem ficar paradas olhando a marcha da História. Pessoas assim tendem a entrar de cabeça, a utilizar seu ímpeto de inconformismo para criar situações especiais, em que conceitos são revistos e conquistas se estabelecem. E é aí que a revolução enfrenta as convenções. E quando isso acontece - e isso só pode acontecer quando PESSOAS agem nesse sentido -, há ações necessariamente não convencionais, que incomodam, que chateiam, que soam estranhas. Acredito que, nesse momento, os revolucionários tornam-se inconvenientes. Exatamente isso: não são convenientes para a sociedade, para o poder, para os que não têm o poder mas o querem, para os que não têm o poder mas acreditam-se beneficiados por ele. E creio, sinceramente, que isso nunca vai mudar, que as pessoas que querem mudanças serão vistas como os chatos, os impertinentes, os perigosos, os estranhos. &lt;br /&gt;Entretanto, tenho convicção de que nós, que acreditamos em mudanças, podemos legitimamente tentar mudar o mundo À REVELIA DA VONTADE DO MUNDO. Precisamos estar preparados para que nos estranhem, e muitas vezes nos julguem inconvenientes. Precisamos agir segundo nossas convicções ainda que elas não sejam as convicções que garantem aceitabilidade social. Seremos ridicularizados, perderemos oportunidades, teremos portas fechadas em certos círculos? Infelizmente sim. É parte do jogo. E é humano e compreensível que nos cansemos de jogar, nalgum momento, ou que recuemos, para defender aquilo que temos como sagrado e fundamental. Olga queria ser feliz, todos queremos. Olga queria sobreviver e criar seus filhos. Nada mais justo. Isso tudo, na verdade, torna sua trajetória ainda mais admirável.&lt;br /&gt;Não sou Olga, não sou Prestes, sou um cidadão comum que carrega no peito sua dose de indignação. Mas é interessante ver que o dilema da manutenção das convicções pessoais reaparece em questões muito menos pungentes e desesperadoras que as vividas por essas grandes personalidades. Pequenas decisões que fazem enorme diferença, como não comer carne, ou não consumir bebidas alcoólicas, ou não carregar compras em saquinhos plásticos, ou não imprimir nada desnecessariamente, ou não usar drogas, ou não tentar obter benefícios ilícitos, transformam-se em letra morta rapidamente, porque queremos ser sociáveis, porque queremos praticidade, porque nos convêm ou até simplesmente porque ninguém está olhando no momento em que fazemos. Um vegetariano tem de se justificar o tempo todo quando vai a um churrasco. Um abstêmio pode se sentir peixe fora d'água nalguns grupos. Quem leva a própria sacola ao mercado demora mais para ajeitar as compras, e as pessoas na fila chiam. E assim vai, de forma que lidar com as próprias convicções implica lidar também com a incompreensão de muitas pessoas. Honestamente, já desisti de muitas coisas que julgava necessárias e boas porque me senti sozinho, discriminado, ou esquisito demais. Lamento ter procedido assim, mas isso não é a pior coisa do mundo. A grande derrota é quando alguém desiste de si mesmo. Essa é a pessoa, do ponto de vista da sociedade, mais conveniente de todas. Mas é a de que menos o mundo precisa.&lt;br /&gt;Minha irmã disse uma vez: "Não confio em quem não fala palavrão". Achei engraçada a frase, e queria recuperar o espírito dela para o que escrevi nesta postagem: "Não confio em pessoas perfeitas". Porque elas não transformam nada. Só são transformadoras as pessoas inconvenientes, ou chatas, ou complicadas, ou que fazem alguma coisa estranha. Essas são fundamentais.&lt;br /&gt;Há alguns dias, encontrei um amigo meu, César Augusto, que é dessas pessoas fundamentais. Esta postagem é minha homenagem à força de caráter que ele demonstra quando defende suas convicções. Quero aprender a ser assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-5096125742016118828?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/5096125742016118828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=5096125742016118828' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5096125742016118828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/5096125742016118828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/11/pensando-em-um-dialogo-do-filme-olga.html' title='Pensando em um diálogo do filme &quot;Olga&quot;'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8979297258480676543</id><published>2009-11-07T19:42:00.000-08:00</published><updated>2009-11-07T20:19:23.139-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esporte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vitória'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Segundo lugar</title><content type='html'>&lt;div&gt;Ser segundo colocado em alguma disputa é uma honra. Sempre pensei dessa forma, e antes que alguns me acusem de falta de fome de vitória, devo ressaltar que essa característica também pode ser positiva, ajudando criaturas como eu a valorizarem o próprio esforço e não se lamentarem de serem superadas quando atingiram o máximo do que poderiam oferecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ser segundo lugar significa, em minha opinião, ter o obtido o melhor de todos os resultados, menos um. E pode ser, às vezes, feito tão ou mais extraordinário que ser vencedor. Depende da meta que foi traçada, depende do caminho que foi trilhado, depende da expectativa do desempenho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vi e revi, diversas vezes, no YouTube, a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=By1JQFxfLMM"&gt;prova do Mundial de Atletismo&lt;/a&gt;, na Alemanha, em que Usain Bolt cravou 9s58 nos 100m rasos. A performance de Bolt é absolutamente espantosa, não resta dúvida. Mas a corrida de Tyson Gay, americano que chegou imediatamente depois de Bolt, é igualmente impressionante, e até mais assustadora. A concentração de Gay antes da largada, as passadas seguras e violentas e a expressão corporal mostrando um indivíduo disposto quase a destruir-se dentro da pista para chegar na frente são de uma dramaticidade épica, e chamaram minha atenção desde a primeira vez em que pude ver a corrida toda. A premiação posterior mostra um atleta decepcionado com a medalha de prata, cena curiosa que contribui ainda mais para a impressão de que Gay deu tudo de si. Na verdade, deu o máximo de si e mais um pouco: fez um tempo de 9s71, o melhor já registrado por um corredor americano (Carl Lewis, Asafa Powell e Donavan Bailey, por exemplo, nunca atingiram essa marca). Deve ter doído nele saber que correu tão bem e mesmo assim não levou o ouro. Respeito essa dor. No entanto, não consigo achar outra palavra que não seja "vitória" para definir com justiça o desempenho de Tyson Gay. Quando dois atletas competem num nível tão alto, com uma dedicação tão grande e resultados tão significativos, não é possível falar em perdedores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso funciona como uma inspiração adicional para mim. Tive de penar muito para aprender que não posso e nem devo querer acertar tudo em todas as coisas da vida. Hoje, posso rir de frustrações curiosíssimas que vivi, agradecer por não ter atingidos certas metas que me consumiram muito e reconhecer que o aprendizado da luta valeu mais que os louros da vitória em boa parte de meus empreendimentos. Para mim, tanto faz voar pelo estádio como Bolt, ou por sobre a sombra de Bolt, como Tyson Gay. O importante é manter-se voando, dando o melhor de si.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8979297258480676543?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8979297258480676543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8979297258480676543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8979297258480676543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8979297258480676543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/11/segundo-lugar.html' title='Segundo lugar'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-3489274196627974821</id><published>2009-11-01T20:24:00.000-08:00</published><updated>2009-11-02T14:01:43.021-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='beleza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Fafá e os bichinhos</title><content type='html'>Observando os bichinhos de estimação da casa de minha mãe e assisitindo com certa frequência o Animal Planet, tenho podido aprender muito sobre a beleza da vida dos animais. Como comentei com uma amiga minha há duas semanas, é incrível que eles possam parecer até mais humanos que nós em certas situações. Entre as coisas que me aproximam de cachorrinhos e gatinhos está a incapacidade de esconderem sentimentos, o que os torna mais confiáveis que muita da gente que conheço. Hoje, fiquei pensando que eles não podem articular palavras, e que isso, se por um lado é uma limitação, por outro lado poupa do incômodo de dizer coisas erradas em horas erradas e acabar machucando pessoas.&lt;br /&gt;Quando passei, hoje de tarde, pelo portão da casa de meus pais, pude avistar a Fafá deitada gostosamente em cima de uma caixa de pizza vazia. A Fafá já tem certa idade para uma gata, e criou manias e rotinas que dificilmente perderá. Nós a respeitamos como uma decana, e por isso fui incapaz de despertá-la de seu sono em pleno dia com um carinho de cumprimento. Eu invejei a Fafá, pensando comigo que gastei no começo do ano uma fortuna com uma cama nova que pudesse ajudar a diminuir meus problemas de insônia. Mas assim são os bichinhos. Admiro como eles precisam de tão pouco, e se divertem, e levam a vida adiante. Admiro como nossas relações com eles podem implicar muito mais carinho e compreensão que as que mantemos com outros primatas da nossa espécie. Seria tão mais fácil se pudéssemos pegar uns aos outros no colo e acariciar, e aninhar, e lamber, sem outra qualquer preocupação, até nos sentirmos preparados para uma nova brincadeira ou descoberta!&lt;br /&gt;Tá, eu sei, é exagero. As convenções sociais são importantes e nos garantem muitas coisas, inclusive nas relações humanas. É que hoje deu de me sentir um pouco assim, carente de cuidado. Amanhã passa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-3489274196627974821?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/3489274196627974821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=3489274196627974821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3489274196627974821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/3489274196627974821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/11/fafa-e-vida-dos-bichinhos.html' title='Fafá e os bichinhos'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8544329009223545134</id><published>2009-10-28T20:14:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T20:32:36.318-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='seleção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pastinha'/><title type='text'>Pastinha temática 1 - Dominação cultural</title><content type='html'>&lt;div&gt;Vou começar hoje uma série diferente de postagens. Vou colocar aqui seleções temáticas de músicas. Adoro fazer isso, e faço desde que me conheço por gente. Tenho zilhões de fitinhas, cedezinhos, pastinhas com determinado artista, determinada banda, determinado conceito. Vivo separando as n melhores músicas que já ouvi, e a cada semana incluo, retiro, reincluo e defenestro umas três ou quatro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Resolvi fazer seleções por tema porque considero mais adequado para um professor, já que assim posso vislumbrar algum projeto ou produção a respeito, e menos repetitivo para o leitor, pois dificilmente uma música se encaixa em várias temáticas. Neste meu joguinho, entretanto, a música não precisa necessariamente tratar do tema escolhido. Ela pode servir para ilustrá-lo, comentá-lo, iluminá-lo de alguma forma ou tangenciá-lo de alguma maneira. O importante é que o conjunto das músicas possa ter alguma identidade, alguma substância formada da química de todas elas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois bem, vamos tentar. Hoje pensei em &lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;DOMINAÇÃO CULTURAL&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Selecionei as seguintes músicas:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1 - &lt;a href="http://letras.terra.com.br/noel-rosa-musicas/184718/"&gt;Não tem tradução (Noel Rosa/Vadico)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2 - &lt;a href="http://letras.terra.com.br/lamartine-babo/374937/"&gt;Canção para inglês ver (Lamartine Babo)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3 - &lt;a href="http://letras.terra.com.br/os-novos-baianos/122199/"&gt;Brasil Pandeiro (Assis Valente)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4 - &lt;a href="http://letras.terra.com.br/jackson-do-pandeiro/257604/"&gt;Chiclete com banana (Gordurinha/Almira Castilho)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - &lt;a href="http://letras.terra.com.br/elis-regina/140808/"&gt;Querelas do Brasil (Aldir Blanc/Maurício Tapajós)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 - &lt;a href="http://letras.terra.com.br/zeca-baleiro/43674/"&gt;Samba do Approach (Zeca Baleiro)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7 - &lt;a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/assis.valente/letras/tem_francesa_no_morro.htm"&gt;Tem francesa no morro (Assis Valente)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8 - &lt;a href="http://www.letras.com.br/lamartine-babo/joujox-e-balagandas"&gt;Joujoux e Balangandãs (Lamartine Babo)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9 - Andei pro seu happy day (Luiz Orquestra)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;10 - &lt;a href="http://letras.terra.com.br/gilberto-gil/16135/"&gt;Punk da periferia (Gilberto Gil)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Explicando sucintamente a escolha. As canções 2 e 7 ridicularizam estrangeirismos em voga na cultura brasileira, respectivamente os anglicismos e os galicismos. São canções divertidas, para rir das brincadeiras linguísticas boladas. Nesse mesmo caminho segue a canção 6, embora a praia do Zeca seja mais a graça pelo engenho da canção que pela disposição avacalhada das outras duas. As canções 1 e 5 têm, em suas letras, reflexões abertas sobre a influência da cultura estrangeira no país, e parecem ser as mais críticas da lista. Já as obras-primas 3 e 4 são cantos de exaltação da cultura brasileira em relação à cultura que vem de fora, propondo uma integração construtiva, mas respeitando as peculiaridades de cada uma delas. A canção 9 venceu um festival da Record de MPB, tem uma letra muito bacana, mas infelizmente nunca a consegui encontrar para comprar ou baixar, por isso não posso fazer grandes avaliações. O máximo que consegui foi um &lt;a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;amp;friendid=409927898"&gt;link para a página do autor no MySpace&lt;/a&gt;, onde dá para ouvir a dita cuja. Creio que se pareça com as do grupo anterior, na essência. Quanto às canções 8 e 10, penso que seguem outra senda: apropriam-se de elementos culturais de outros povos para adequá-los ao espírito do brasileiro, para reconstruí-los com as cores de nossa cultura, criando algo novo, inusitado e bacana. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que, com estas 10 canções, é possível discutir numerosos aspectos, sob vários pontos de vista, da dominação cultural e suas consequências. Quem tiver mais alguma, pode sugerir que eu incluo. Mas eu tenho de ouvir primeiro, ou pelo menos conhecer a letra. Senão, não deixo entrar na brincadeira!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8544329009223545134?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8544329009223545134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8544329009223545134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8544329009223545134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8544329009223545134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/10/pastinha-tematica-1-dominacao-cultural.html' title='Pastinha temática 1 - Dominação cultural'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1600779387959173570</id><published>2009-10-26T19:44:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T19:47:35.031-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Roberto Freire no Roda Viva de hoje</title><content type='html'>&lt;div&gt;Acompanhei a entrevista do deputado Roberto Freire hoje no Roda Viva, da TV Cultura, e fiquei estupefato. O homem simplesmente se recusou a fazer qualquer elogio, mínimo que fosse, ao governo Lula. Até aí, tudo bem, ele faz o papel dele de oposição. O problema é ter de sustentar afirmações como "A economia vai mal", ou "A situação de vida no Nordeste não mudou". Não vi nem sombra da ponderação e análise arguta do político que eu tanto admirava, linha de frente ideológica do finado PCB. Nada disso. Foi um show de críticas não fundamentadas, que os próprios jornalistas contestavam com facilidade (e olha que boa parte do jornalismo de São Paulo já fechou com Serra). Freire parecia reduzido a um desses muitos serristas convictos que encontramos por aí, ácido com o lulismo e incapaz de enunciar cinco ou seis paradigmas que pudessem ser apontados como uma alternativa programática.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois escreverei uma postagem sobre essa inquietação, que hoje reapareceu: não consigo enxergar o programa da oposição. Até agora, só vi alternativa consciente na Marina Silva, mas ainda não tenho clareza sobre o programa que o PV apresentará e que ela, queira ou não, subscreverá. Insisto em que não tem havido debate político, mas apenas propaganda marqueteira da pior espécie. E falta menos de um ano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1600779387959173570?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1600779387959173570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1600779387959173570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1600779387959173570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1600779387959173570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/10/roberto-freire-no-roda-viva-de-hoje.html' title='Roberto Freire no Roda Viva de hoje'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-8489214729140602912</id><published>2009-10-17T20:49:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T21:03:11.934-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='insônia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='madrugada'/><title type='text'>A trilha sonora da madrugada em claro</title><content type='html'>&lt;div&gt;Estou acordado de madrugada, como de costume. Mas hoje rola a trilha sonora perfeita: baladas pop dos anos 1980. Nenhum gênero musical é mais adequado à insônia solitária. Talvez porque a cama de teclados na maioria das músicas funcione como um abraço da solidão e do tédio, e as letras insistam em valorizar amores irrecuperáveis e momentos mal resolvidos. E há algo de sombrio nessa produção, mesmo quando se esmera em ser romântica. Eletrônica demais, artificial demais, patética demais e saturada nos arranjos, a canção dos 1980 cai como uma luva para momentos em que me pego revirando as cinzas da minha adolescência tímida, insegura e complexada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Interessante que não lembro de ninguém em especial, nenhuma garota, nenhuma primeira namorada. Só do clima. E, por incrível que pareça, posso recuperar esse clima controladamente quando ouço essas músicas. Posso, inclusive, projetar as mesmas fantasias adolescentes de outrora ao dançar com alguém ouvindo clássicos dos 80, de rostinho colado. Gosto quando consigo fazer isso, deixa o namoro mais romântico, meu coração mais mole. Sem uma dosezinha de pieguice, é difícil dar asas à paixão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje ouvi "I want to know what love is", do Foreigner, música que jamais deveria ter sido regravada, em respeito à emoção da versão original. Fico todo empolgado quando toca "Against all odds", do Phill Collins. Parece que não dá para ouvir essa música sem ter alguém para se declarar. Revendo o clipe de "Self Control", da Laura Branigan, reparo o quanto meu gosto por vocais doces e melodias em tom menor foi influenciado pelas FMs da minha infância. E penso que o homem de máscara do vídeo tem tudo a ver com certas pirações eróticas e com meu medo da exposição pública. E penso ainda que a historinha do clipe dialoga, em certa medida, com a letra de "Menina Veneno", do Ritchie, uma das obras-primas do pop oitentista brasileiro (ainda vou fazer uma postagem só sobre essa música). Mas tem também "I just called to say I love you", de Stevie Wonder, umas das raras canções em que a voz digitalizada tem charme, ou "Arthur's Theme", do Christopher Cross, composta com uma inspiração que não aparece todo dia, ou a voz poderosa de Joe Cocker arrepiando em "Up where we belong", ou até mesmo a pérola da interpretação rasgada e melodramática, "Total Eclipse of the Heart", da singular Bonnie Tyler, canção que sonho um dia poder entoar com todas as nuances vocais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para encerrar a noite, a postagem, e a lista de sugestões, "True", do Spandau Ballet. Essa é irretocável: chorosa, suingada, bem cantada, com excelente dinâmica de arranjo e uma levada forte e doce, como se o impulso de amar encontrasse vazão perfeita para seu fluxo indômito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-8489214729140602912?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/8489214729140602912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=8489214729140602912' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8489214729140602912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/8489214729140602912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/10/trilha-sonora-da-madrugada-em-claro.html' title='A trilha sonora da madrugada em claro'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-1395232473885341867</id><published>2009-10-10T22:16:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T22:56:09.273-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manifestação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ENEM'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>ENEMigos da própria intenção crítica</title><content type='html'>&lt;div&gt;Rolou uma manifestação na Paulista esses dias, em que estudantes protestaram contra o adiamento do ENEM. Eles aproveitaram para protestar também contra o Sarney no Senado e a corrupção, e colocaram como lema da grita que fizeram a frase "Somos ENEMigos da corrupção". O jogo de palavras foi infeliz, na minha opinião. A palavra inventada "ENEMigo", que indica oposição  a "corrupção", contém a sigla "ENEM". Mas na pauta de reclamações da garotada, "ENEM" está no mesmo grupo de ideias de "corrupção", ou seja, algo a ser questionado. O "inimigo" está no campo positivo, mas o "ENEM" (ou seu adiamento) está no campo negativo, e há uma fusão de ambos numa única palavra. Essa ambiguidade enfraquece o efeito contestador da brincadeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do ponto de vista político, também achei a manifestação infeliz, não pela pertinência das reclamações em si, mas porque deu a impressão de não ter foco, nem objetivo definido, nem sequer uma reivindicação central. Protestar contra Sarney é legítimo, assim como reclamar do adiamento do ENEM. Tentar sintetizar as duas coisas num protesto único, entretanto, é inadequado. O vazamento do ENEM não é um problema de corrupção, nem de nepotismo, nem de picaretagem governamental. Também não se trata de um problema relacionado à linha ideológica de atuação, pois, se é certo que o governo apoiou Sarney no Congresso, não seria lúcido dizer que apoiou o roubo da prova do ENEM. Com um pouco de esforço, poderíamos achar que ambas as críticas visam mostrar a incompetência do governo atual, que não consegue acabar com a corrupção nem fazer o ENEM na data certa. Ainda assim haveria dois problemas: o de mostrar que as duas questões têm importância equivalente e grau, no mínimo, semelhante de responsabilidade por parte da administração federal, e o de dispor de um discurso em que se costurassem essas críticas isoladas a um quadro de erros e trapalhadas grande o suficiente para um veredito negativo justificável. A meu ver, não é possível, porque o caso do Sarney é muito mais grave e complicado que o vazamento do ENEM, e porque a responsabilidade do governo no roubo das provas não é a de conivência ou de aceitação. E ainda mais: como é duvidoso acenar para uma incompetência generalizada do governo federal, visto que a economia caminha bem e há no mínimo tantos acertos quanto erros na atuação da equipe de gestão, a manifestação acaba ficando vazia, uma espécie de "Cansei 2", em que o discurso não fere ninguém porque não sabe quem quer atingir, e em que não há noção de algo palpável a ser reivindicado ou negociado, mas apenas um sentimento difuso de indisposição contra tudo que vem do Planalto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não foi isso o que mais me impressionou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que me deixou boquiaberto foi o fato de que essa manifestação mereceu um link de destaque no Yahoo e no Terra no dia em que aconteceu. (O Yahoo e o Terra alimentam-se de notícias do Estadão, é bom salientar). E essa manifestação, que mereceu destaque no Yahoo e no Terra e uma reportagem no Estadão, reuniu... 100 estudantes. Menos pessoas que em uma reunião de pais na escola em que trabalho. Menos estudantes que os que assistem minhas aulas na faculdade semanalmente. O equivalente a oito ou dez grupos de RPGistas, ou a um festival de música alternativa sem público. Um décimo do meu perfil no Orkut.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não entendo o critério editorial do jornal e dos portais. Quando, afinal, se deve considerar uma manifestação como noticiável? Tenho certeza de que qualquer ato de bancários ou trabalhadores dos correios tem muito mais importância política e impacto na vida das pessoas do que esse dos estudantes, sem contar o fato óbvio de que junta muito mais gente. A escolha da mídia, nesse caso, me passa a mesma sensação de vazio que citei acima: atribui-se importância e oferece-se repercussão a tudo o que questiona o governo atual, independente da consistência ideológica ou da representatividade política quantitativamente verificável da manifestação. E isso não funciona.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não achei mais o link do Yahoo. O do Terra é &lt;a href="http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4019547-EI8398,00.html"&gt;este aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-1395232473885341867?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/1395232473885341867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=1395232473885341867' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1395232473885341867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/1395232473885341867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/10/enemigos-da-propria-intencao-critica.html' title='ENEMigos da própria intenção crítica'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2693743166703469946</id><published>2009-10-07T16:49:00.001-07:00</published><updated>2009-10-10T08:38:18.609-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nei'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Nei</title><content type='html'>&lt;div&gt;Meu tio Nei (cujo verdadeiro nome é Francisco), entre outros talentos que possui, é capaz de emitir o som mais agudo, incômodo e desesperadamente horroroso que uma voz humana já pôde emitir: a sua imitação de galo. Em momentos em que quer chamar a atenção, ele solta um cacarejar que assusta, dói nos ouvidos de tão alto e deixa a gente fora de si de raiva. E ele atinge seu objetivo plenamente, pois, depois de tomar uma bronca daquelas, sai rindo, satisfeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu tio Nei também é conhecido por ser fã inveterado de café, chegando a fazer pequenos serviços em bares e restaurantes - geralmente a varredura do chão - para ganhar uma xicarazinha da bebida. Em casa, sempre bebeu café de forma frenética, chegando a secar garrafas inteiras, se permitíssemos ou ficássemos de bobeira. Talvez isso ajude a explicar um pouco de seu comportamento insone: durante alguns anos, ele se distraía na madrugada, na varanda da casa de meus tios, tocando gaita por horas a fio (na verdade, assoprando e puxando a mesma nota durante boa parte desse tempo).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Nei também é conhecido por sua atração por mulheres bonitas. Quando alguma delas aparece para visitar minha família, ele não a deixa em paz, e quer constantemente cumprimentá-la com apertos de mão e beijos no rosto. É sabido por nós que, de vez em quando, mas não na nossa frente, nem com nossas amigas, ele oferece dinheiro a alguma mulher para, digamos, ter uma liberdade maior de aproximação. Falta-lhe, evidentemente, noção do risco, e às vezes ele se dá muito mal, outras muito bem. Às vezes, também, excede o comportamento cavaleiresco que geralmente tem, e é devidamente repreendido por seus familiares. Mas, no geral, consegue ser, a despeito de algumas inconveniências, muito mais agradável que a maioria dos homens que conhecemos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caminhando pelo bairro em busca de novidades, o Nei é uma das figurinhas carimbadas do Jardim Triana. Não há quem não o conheça, quem não brinque com ele, quem ele não cumprimente. Ele vai de padaria a padaria, de casa a casa, de praça a praça, gesticulando e articulando sons às vezes inteligíveis, às vezes só decodificados por quem já o conhece bem. Nesse sentido, cabe dizer que meu tio é, sem dúvida, o ser mais comunicativo da família inteira, a despeito de suas limitações.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nós, da terceira geração a partir de seu Otávio, crescemos aprendenddo a respeitar o Nei e a gostar dele com todas as suas peculiaridades. Quando crianças, frequentemente perguntávamos aos adultos porque ele era daquele jeito, diferente. E precisamos nos tornar adultos também para compreender que o Nei teve, desde a infância, problemas físicos, como uma quase surdez dos dois ouvidos, e mentais, com atrasos evidentes, que se tornaram mais problemáticos depois de estadia de anos no Hospital Psiquiátrico de Franco da Rocha, no qual era tratado com grande desprezo, chegando a desaprender as regras mínimas de convivência civilizada. Foi minha mãe que resolveu trazê-lo de volta e bancou seu retorno ao convívio com a família, que não foi fácil e trouxe, sem dúvida, uma série de complicações e responsabilidades adicionais para todos nós. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entretanto, de nada podemos reclamar. O tempo nos ensinou a amá-lo e a tolerar, respeitar e até admitir algumas das esquisitices que nos incomodavam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia, quando eu era criança, eu lia uma revista da Superinteressante, que fazia parte de uma coleção que vinha fazendo. Saí da sala por alguns instantes para comer algo na cozinha. Voltando, vi o Nei folheando a revista. Entrei num estado de grande agitação e agonia, pois sabia que o interesse dele nos materiais impressos passava muitas vezes por rasgar páginas para guardar figuras que lhe interessassem. Argumentei e tentei mostrar de várias formas que a revista era minha e que ele tinha de devolvê-la, mas foi em vão. Sem saber o que fazer, voltei para a cozinha, sentei, coloquei o rosto por entre as mãos e comecei a chorar, menos pela revista em si e mais pela sensação de fracasso em conseguir me comunicar com ele, o que se configurava para mim, naquele momento, um problema permanente. Dali a alguns minutos, ele tocou no meu ombro. Devolveu a revista, deu um beijo no meu cucuruto e sinalizou, com os braços, que aquilo tinha acabado e que eu não chorasse, porque ele não ia fazer nada com as folhas. Fiquei muito agradecido. E fiquei impressionado com a compaixão que ele tivera por meu choro, porque, muitas vezes, eu não tivera sentimento semelhante para com meus irmãos, primos e amiguinhos. Creio que fiquei positivamente impressionado com a compreensão que ele teve da linguagem das emoções. Foi uma lição de vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tio Nei foi definido uma vez por um amigo do meu pai como "um excepcional feliz". Creio que sua convivência com a família trouxe-lhe a condição de se humanizar, tanto nas virtudes quanto nos defeitos. A verdade é que gostamos dele como um irmão mais velho de todos, que precisa de ajuda, conselho, carinho, apoio e, principalmente, compreensão. Penso que ele contou, de nossa parte, e na medida do possível, com um esforço sincero de oferecer essas condições mínimas para uma vida digna no decorrer dos anos. E ofereceu-nos a oportunidade de amar um bom ser humano e aprender a conhecer seu mundo diferente, tornando-nos mais inteligentes e acolhedores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2693743166703469946?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2693743166703469946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2693743166703469946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2693743166703469946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2693743166703469946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/10/nei.html' title='Nei'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2645973231156497264</id><published>2009-10-03T20:09:00.000-07:00</published><updated>2009-10-03T20:20:22.836-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='médico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cirurgia'/><title type='text'>A intervenção cirúrgica no HU - parte 2</title><content type='html'>&lt;div&gt;Quando comecei a escrever esta história, o companheiro de equipe do Massa para 2010 ainda era o Kimi, para vocês terem uma ideia... Mas vamos nessa. Antes tarde do que nunca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aconteceu que, na data prevista, fui encaminhado ao hospital no dia da cirurgia, despido, medido, analisado, rapado na axila (porque nenhum pelo podia ficar lá de bobeira). Doutor Dino acompanhou todo o procedimento até alguns minutos antes da anestesia. O fato é que, para me tranquilizar, ele garantiu que daria tudo certo, que era uma operação com poucos riscos. Mas alertou, sem alterar o semblante:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O máximo que pode acontecer de errado é voce perder os movimentos do braço esquerdo, e ter de fazer uma fisioterapia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Jesus Cristo, eu tremi na base! Nossa, saber desse risco alguns minutos antes de operar me fez suar frio. Como eu ia tocar violão? Eu ia ficar torto? Eu não conseguiria mais me mexer direito? Deu vontade de chorar. Mas eu corria risco de vida, não podia voltar atrás. Hoje entendo muito bem porque isso foi dito só naquele momento. Doutor Dino fez bem: se havia risco, era melhor só me preocupar com isso quando não houvesse nenhuma possibilidade de desistir. Eu teria de conviver com a dúvida por alguns minutos apenas; depois, fecharia os olhos para apenas abri-los quando já não houvesse dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A descrição acima parece referir-se à vida depois da morte. Intencional. Aquelas horas de cirurgia, aqueles momentos na mesa de operação, foram para mim um apagão total. Não lembro de ter visto, nem ouvido, nem sequer sonhado nada. O sentimento mais próximo da morte que já vivenciei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abri os olhos dentro de uma sala escura, com um aparelho ligado ao meu peito e um bipe constante na tela. No outro leito, um sujeito urrava de dor desesperadamente. Eu fui recobrando a consciência aos poucos. Estava todo costurado, cheio de agulhas enfiadas pelo corpo, e com uma máscara no meu rosto. "Penso, logo existo", passou pela minha cabeça, "acho que deu certo". E foi então que recordei das palavras do Doutor Altmann antes da cirurgia, sobre os movimentos do braço. Subiu uma agonia na minha garganta, e sem pensar se podia ou devia fazer aquilo, tentei mover o ombro esquerdo cheio de costuras e curativos e quase que imobilizado de tanta parafernália sobre ele. Ergui só um pouquinho. O suficiente para me considerar o sujeito mais feliz da face da terra. Tinha dado realmente tudo certo. Em breve, eu estaria pronto para a próxima, sem perder nenhum movimento do corpo. A sensação de pensar isso, naquele momento, era a de descobrir que se não morreu, ou o mais perto disso que já cheguei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tive de ficar ainda uns dias de recuperação. Manhoso, mimado e exagerado, sei que dei trabalho às enfermeiras, às quais peço desculpas publicamente agora, mesmo que nem lembrem de mim nem nunca leiam este blog. A cena mais terrível que protagonizei foi minha enjoada e contínua reclamação de dor de barriga no primeiro dia pós-operação. Toquei tantas vezes a campainha em cima da cabeceira que devo ter deixado a moça de mau humor. Quando ela veio, disse que minha barriga doía. Ela se prontificou a resolver meu problema. Dali a pouco, voltou com uma injeção de Voltarem, que lascou no meu bumbum. A aplicação da injeção doeu três vezes mais que a dor na minha barriga. Em verdade, devo dizer que até esqueci a dor de barriga, porque a dor no meu traseiro ficou incomodando por algumas horas. Tanto que, um pouco mais tarde, quando a enfermeira voltou com a segunda dose de Voltarem, eu fiz um esforço de sorriso para dizer:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; - Não precisa, minha barriga não está doendo mais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Graças a Deus ela acreditou em mim. E, por incrível que pareça, durante todo esse processo que aqui descrevi, foram essas as duas únicas dores que senti. O ombro, mesmo, nunca doeu, nem quando estava inchado, nem durante, nem depois da operação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por desleixo meu e falta de orientação adequada, acabei tendo problemas com o dreno e a cicatrização, o que acarretou o desenvolvimento de uma marca bem maior do que a prevista. Revi o Doutor Dino para refazer os pontos da cirurgia, tomei a bronca devida, voltei para casa, retirei o dreno depois de um tempo e nunca mais tive qualquer problema que fosse com o ombro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Doutor Dino, a partir de então, ficou na minha memória como um benfeitor longínquo, e eu tinha até perdido alguns detalhes da fisionomia dele, quando, afortunadamente, vi que ele falava na televisão, a respeito do jogador Serginho, do São Caetano. O caso da morte do rapaz era bem triste, mas o ser humano pode sentir várias coisas ao mesmo tempo, e percebi certa alegria no meu coração em poder vê-lo atuando com a competência habitual. E, algum tempo depois, quando posso revê-lo cuidando de Felipe Massa, cedendo entrevistas à TV sobre o quadro de saúde do piloto, fico mais contente ainda, por perceber que o tempo coroou sua capacidade médica e seus méritos foram reconhecidos. Massa está em boas mãos. Agradeça esse homem por nós dois, Felipe, com suas vitórias e sua saúde exuberante nas pistas. Eu agradecerei com este texto e uma oração esta noite, com a mão direita sobre meu ombro esquerdo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2645973231156497264?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2645973231156497264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2645973231156497264' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2645973231156497264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2645973231156497264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/10/intervencao-cirurgica-no-hu-parte-2.html' title='A intervenção cirúrgica no HU - parte 2'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-2959618830445622757</id><published>2009-08-01T20:55:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T21:06:41.186-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='médico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cirurgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>A intervenção cirúrgica no HU - parte 1</title><content type='html'>O que temos em comum Felipe Massa e eu?&lt;br /&gt;Para quem nunca me viu, preciso adiantar que somos bem diferentes fisicamente. Financeiramente, a diferença é abissal. Além disso, não manjo nada de carros, quanto mais carros de corrida.Por outro lado, não me consta que o Felipe tenha querido alguma vez lecionar Literatura, nem que componha canções e faça poemas. Cada um na sua, não é?&lt;br /&gt;Pois é, tudo isso é fato,mas... temos uma coisa em comum. Que descobri recentemente, em virtude desse infeliz acidente que ele sofreu (aliás, que azar que o Massa deu, né?). O médico particular do Felipe é, nada mais, nada menos, que o Doutor Dino Altmann. E quem é o Doutor Dino Altmann? É o grande responsável pela retirada de um higroma linfático no meu ombro esquerdo, no ano de 1996.&lt;br /&gt;Nessa época, eu estudava Filosofia na USP, e ainda não tinha engrenado no curso. Desempregado, sem namorada e deprimido com minha autoimagem, resolvi praticar um pouco de musculação. Acontece que, aos 10 anos, eu tinha feito cirurgia para tirar água de uma bolha formada a partir de um vaso linfático rompido. Criança arteira, bati o ombro numa viga de madeira e vi surgir um calombo gigantesco na minha homoplata. Levado ao hospital, sofri uma cirurgia que esvaziou a bolsa, mas não a retirou. O resultado foi que, 12 anos mais tarde, a fricção do músculo provocou novo preenchimento daquele espaço vazio. Resumindo: meu ombro ficou inchado e torto.&lt;br /&gt;Como tinha direito ao bom renomado Hospital da USP, o HU, marquei uma consulta para avaliar o caso. O médico que me atendeu disse que a deformação no ombro não era perigosa para minha saúde, sendo apenas acúmulo de líquido, e que eu poderia conviver com aquilo quanto tempo quisesse pela vida afora. Disse também que seria possível fazer uma cirurgia, cuja função seria meramente estética, e que isso seria decisão exclusiva minha.&lt;br /&gt;Pensei, pensei, pensei... Ia ser tudo de graça. E eu não queria aquele troço no meu ombro. E, de mais a mais, aquilo não era normal mesmo, sabe-se lá que consequências teria posteriormente.&lt;br /&gt;Resolvi fazer a cirurgia. E essa decisão teve o dedo de Deus, como se verá adiante.&lt;br /&gt;Havia duas datas possíveis para ir para a mesa de operação: uma nas férias que se aproximavam, outra dali a seis meses. Resolvi fazer o quanto antes porque não tinha viagem nem atividade programada. Fizemos os primeiros exames. Tomografias, chapas de pulmão. E a cada exame realizado, a cara dos médicos me parecia mais fechada.&lt;br /&gt;Eu não entendia bem o que estava acontecendo, mas sentia algo estranho no ar. Em determinado momento, depois de passar por distintas opiniões de especialistas de várias áreas, um dos médicos que cuidava do meu caso afirmou:&lt;br /&gt;- Ainda bem que você decidiu operar agora. Terá de ser às pressas, seu quadro se agravou muito. Você tem um higroma já de 17cm, crescendo e achatando seu pulmão.&lt;br /&gt;Quem já leu "Pneumotórax", do Bandeira, pode tentar recuperar o clima daquele poema quando aparecem as pausas e o tracejado antes da segunda parte para entender um pouquinho do que eu senti ao ouvir aquilo. Posso dizer, simplificando, que tomei um susto e fiquei sem ação. Não houve tempo nem de me preparar psicologicamente: na mesma semana, estava internado para procedimento de emergência. E recebendo todas as orientações e todo o acompanhamento do então médico do HU encarregado de realizá-la: por sorte, o Doutor Dino Altmann.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4643959243361709356-2959618830445622757?l=vinisempre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vinisempre.blogspot.com/feeds/2959618830445622757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4643959243361709356&amp;postID=2959618830445622757' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2959618830445622757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4643959243361709356/posts/default/2959618830445622757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vinisempre.blogspot.com/2009/08/intervencao-cirurgica-no-hu-parte-1.html' title='A intervenção cirúrgica no HU - parte 1'/><author><name>Vini</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03798019534690150305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_7xobQcTMojg/SR-G-3_AmcI/AAAAAAAAAC8/8U0TlioXgPU/S220/tocando+na+fip+2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4643959243361709356.post-6542559020917667490</id><published>2009-07-26T11:34:00.001-07:00</published><updated>2009-07-26T11:41:03.431-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tv'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='choro'/><title type='text'>Todos choram na TV</title><content type='html'>Estive de cama estes últimos três dias. Em tempos de gripe suína, a gente não pode bobear. Com o corpo doendo, e problemas de respiração, me coloquei em estado de observação, até melhorar ou ir definitivamente ao médico. Nesse período de repouso, li uns livros, assisti a alguns filmes, mas, principalmente - coisa que só tem como acontecer nas férias - vi vários programas de televisão.&lt;br /&gt;Fiquei incomodado com o fato de muitos dos programas que vi insistirem numa mesma fórmula apelativa: fazer chorar seus participantes. Na TV por assinatura, vi dois programas relacionados à aparência das pessoas, um chamado "10 anos mais jovem" e o outro "Esquadrão da moda". As meninas que protagonizaram es
