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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Contradições

Na postagem anterior, escrevi dando a entender que a música pop da década de 80 era ruim. Mas, veja só, algum tempo atrás fiz um texto em que elogiava desmesuradamente as baladas pop desse período. Terei ficado maluco, caro leitor?
Creio que não. As baladas boas da década de 80 continuam boas. E continuam sendo poucas. Se você fizer uma seleção das melhores, será uma seleção e tanto. Mas se você tiver de tocar 100 músicas oitentistas em sequência, não poderá utilizar só as baladas, nem só as clássicas, e perceberá que o conjunto soa irregular e cansativo. Por isso, canções como Against All Odds, de Phill Collins ou I just Called.., de Stewie Wonder se destacam ainda mais: porque são muito melhores que a média (que é de cançõezinhas bestas, alegrinhas, festivinhas, sem sal).
Mas pode ser também que eu tenha, de fato, me contradito entre as postagens. Não tem problema. Não seria a primeira vez que eu digo coisas com convicção e depois digo coisas que parecem contrariar essa convicção. Posso tranquilamente viver com isso. Até porque isso faz parte do que sou.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nem aí para Avatar

O que me leva ao cinema? As pernas, diriam meus alunos irreverentes e mal-educados. A insistência da namorada, diriam as pessoas que sabem que sou caseiro. Um filme sobre dinossauros, diriam as pessoas que conhecem meus gostos bizarros.
Concordo com todas as alternativas anteriores. Entretanto, devo acrescentar algo. Só consigo me empolgar de sair para ver alguma coisa no cinema quando crio grande expectativa em relação a algum filme. E como se cria essa expectativa, no meu caso? Com uma sequência de bons trabalhos de um diretor. É como funciona para mim.
Assim, se Woody Allen lança um filme, eu provavelmente queira ver, porque já vi muita coisa boa dele, e gosto do estilo. Se Shyamallan lança algo novo, mesmo sabendo que os últimos filmes não eram nenhuma Brastemp, eu quero ver, porque o saldo dele comigo é superpositivo. Assim é com Lars Von Trier, assim é com os irmãos Cohen, e outros. É possível, ainda que eu me interesse por um filme de um diretor iniciante ou desconhecido para mim, mas que tenha boas referências entre meus amigos, ou um tema que considere rico. Devo dizer que, nesse caso, as chances são bem menores, mas existem.
Há, no entanto, aqueles filmes de diretores dos quais já conheço alguns trabalhos que nunca me disseram nada. Não gosto de superproduções. Prefiro produções supersacadas. Pode parecer extravagante, mas gosto de filmes em preto e branco, das décadas de 40 e 50, ou do Bergman, ou do Hitchcock, ou do Orson Welles, filmes noir, filmes mudos, Encouraçado Potenkin e por aí vai. Filmes desse tipo me chamam a atenção, e dou muito mais valor a uma boa história bem filmada que a uma sucessão neurótica de cenas de impacto, efeitos visuais e pirotecnias do gênero. Por isso, James Cameron não me interessa. Não o considero um grande artista, ele nada tem a ver com o que concebi como cinema de qualidade. Boa produção e boa direção de arte a serviço de histórias óbvias e apelativas, é isso que vejo no cinema dele. Titanic foi o filme mais superestimado da história do cinema: é uma historinha de sessão da tarde com produção de aventura intergalática, que rendeu um monte de dinheiro e não tocou em nenhuma questão aguda ou relevante para a arte, o cinema, ou a condição humana.
Em virtude dessa má vontade minha com Cameron, não estou nem um pouco interessado em Avatar. O fato de ser um filme 3D não melhora a situação. Meu interesse continua sendo zero. Se o filme receber críticas positivas de todos os meus amigos, e for elogiado em muitos aspectos diferentes, talvez eu releve minha decepção com Titanic e entre na fantasia de Cameron. Caso contrário, vou ficar em casa, vendo os filmes da coleção Clássicos do cinema da Folha, que são diversão garantida.

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Gostei desta postagem do Bender blog a respeito do filme.